Mochilas cheias de dinheiro e saques milionários: quem é o preso pela PF na saída de banco na Aldeota A investigação indica que "não há qualquer outro vínculo que demonstre, neste momento, vínculo entre o numerário e campanha eleitoral, sendo necessário o aprofundamento investigativo".




Sob suspeita de lavagem de dinheiro, a Polícia Federal prendeu em flagrante na tarde dessa quarta-feira (30), na saída de uma agência bancária no bairro Aldeota, em Fortaleza, Douglas Queiroz Farache. Com o homem foram encontradas duas mochilas cheias de dinheiro em espécie divididos em notas de R$ 5 a R$ 100 totalizando R$ 350 mil.

Antes da captura houve perseguição policial. A reportagem do Diário do Nordeste obeteve documentos da investigação que indicam que o suspeito tentou fugir após avistar a viatura da PF "por portar vultosa quantia de origem suspeita, causando colisão contra três veículos de terceiros e contra um poste".

Documentos obtidos pela reportagem revelam que um relatório de inteligência financeira indicou que a movimentação de quantias expressivas e provisionamento de saques de valores milionários são aparentemente incompatíveis com a capacidade financeira de Douglas e de outro homem investigado.

A defesa de Douglas, que já respondia a processos por estelionato e furto, foi procurada pela reportagem e diz que "as alegações da Polícia Federal não procedem e nega qualquer relação com políticos e campanhas. O dinheiro é absolutamente lícito, tanto de origem como de destino", segundo o advogado Renato Araújo.

A PF pediu à Justiça a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva, mas até o início da tarde desta quinta-feira (1º), o suspeito ainda não havia passado por audiência de custódia.

A Polícia requereu também que a Justiça autorize acesso a todos os dados de três telefones apreendidos com o suspeito. Os policiais querem ter acesso a chamadas, conteúdos das comunicações via aplicativos do tipo Whatsapp, Telegram ou SMS; vídeos; áudios; fotos e informações de georreferenciamento existentes nos telefones celulares apreendidos na posse dos investigados.
CARRO ADESIVADO

A Polícia investiga uma suposta relação dos saques expressivos nas vésperas da Eleição 2026 às campanhas de dois políticos, candidatos a deputado federal e estadual. Os nomes dos políticos serão preservados nesta matéria porque, segundo a própria PF, ainda não há indicativos de uma relação direta entre eles.

A investigação aponta que não há indício que demonstre, neste momento, "vínculo entre o numerário e campanha eleitoral, sendo necessário o aprofundamento investigativo".

No veículo de luxo onde o suspeito estava eram transportados aproximadamente R$ 350 mil em espécie.

Foram apreendidos R$ 70 mil em cédulas de 100, R$ 200 mil em cédulas de R$ 50, R$ 52 mil em cédulas de 20, R$ 25 mil em cédulas de R$ 10 e mais R$ 3 mil em cédulas de R$ 5.

Conforme os documentos obtidos pela reportagem, Douglas realizou o saque na agência bancária na Aldeota e foi abordado nas ruas próximas. "Apesar de estarem na viatura da Polícia com sirene ligada, Douglas tentou evadir-se do local com o carro e provocou um acidente de transito envolvendo três veículos. Douglas só parou porque no acidente o carro que estava dirigindo bateu em um poste".

O veículo Haval H9 estava adesivado com propagandas de dois candidatos, mas não foi encontrado na posse de Douglas qualquer outro material de campanha eleitoral.

(*) Diário do Nordeste

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