14 DE JULHO, A QUEDA DA BASTILHA


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14 DE JULHO, SEXTA-FEIRA
Ontem, eu conversava com um jovem estudante aqui de Acopiara, e "ele" reclamava do que estava acontecendo no país. Cidadão novo, residente na zona rural, seus 17 anos, a vida inteira pela frente, e eu ouvidor, já atravessando a casa dos cinquenta, ainda na imaculada esperança de dar uma resposta animadora aquele brasileirinho, que rodopiava no meu portão e ficava a distancia de muitas perguntas que agonizavam em sua cabeça, e eu tinha certeza que a pergunta viria em cima de mim.Antes do rapaz me perguntar joguei em sua direção o que seria sua pergunta? O que você acha, o que está acontecendo com seu país e seu futuro. Ele simplesmente olhou para as nuvens procurando alguma resposta e disse que não sabia explicar. Meio tonto, ficou a castigar os dedos, falando que era muita corrupção, dinheiro jogado fora, e exclamou "o povo é muito burro, só vota em quem rouba". Quase dei uma gargalhada, mas não perguntei nem seu segmento político, nem quem era seu deputado, senador, ou que seja lá seu partido. Mas como sempre gostei do prolongar da conversa cidadã, aquela que só acontece quando meias dúzia de amigos se reúnem em uma mesa de bar. Escuta aqui, senta nessa cadeira e me escuta. Você conhece a história do Brasil, indaguei, aquela que os assassinos portugueses foram mandados para cá, a expulsão do povo holandês, Francês, o assalto do nosso ouro, às mentiras contadas sobre nosso descobrimento e nossa conquista das amarras de Portugal, a violenta soberania em cima dos escravos oriundos da África, e a vergonha de sermos o país que mais abraçou às correntes, quase não soltando-as, deixando para Cuba e nós, a marca de sermos o país que ficou por último na libertação dos mesmos. Você deve conhecer no mínimo a Inconfidência Mineira, conhecer a figura macabra de Silvério dos Reis ou saber que seu país antes mesmo de ser descoberto já havia sido descoberto, ou que quase os americanos do norte botaram a mão em cima de nós e que por pouco não ficamos submissos a olho nu do império norte-americano e britânico devido às dívidas externas e conflitos internos que sempre foram patrocinados pelo grande chefe estadunidense. Meu jovem isso é apenas o preâmbulo de uma história quase fictícia se não fosse seu descontentamento com o comportamento dos que regem a nação. Veja, continuei, você poderia me perguntar se eu ainda tenho esperança, não era? Claro que não, responderia de pronto a sua indagação, mas compreenda, a minha esperança, quando estudante era uma soma de patriotismo com ideologia, marcas registradas na nossa geração, que batíamos continência para nosso hino e nossa bandeira, éramos o Brasil da oportunidade, isso nos anos 70, estados cresciam, tínhamos problemas internos, mas vislumbrávamos o dia de amanhã como doutrina, não votávamos, vivíamos uma ditadura ferrenha, não tínhamos a liberdade de expressão, a chibata comia em cima da imprensa e de homens que foram marcados pela ferradura dos que dominavam a 'BASTILHA' tupiniquim, que o diga Arraes, Tancredo, Brizola, Ulisses, Prestes, e outras grandes envergaduras da política nacional. A grande diferença depois da queda da bastilha nacional, oriunda da força de movimentos que tomou forma na mão dessas figuras, e da reserva intelectual deste país, agregada ao 4° poder, e da inconformidade do povo, enterrávamos ali toda a escória da burguesia-política brasileira, e nossa esperança nascia nos braço da democracia, governo do povo, para o povo e pelo povo, eclodindo na Grécia e esticada por Abraham Linconl, na luta pela libertação dos escravos em seu país, e da separação do mesmo. Quando nossa democracia foi instituída veio a liberdade de expressão, a consolidação dos direitos universal, para a mulher, negro, idoso, criança, e da própria economia. Nós não sabíamos que: devido ao nosso analfabetismo, nossa fome, a separação dos estados sul, sudeste, do norte, nordeste, seríamos traídos, pela pior escória política de todos os tempos no Brasil, levando nossos direitos para o fundo da submissão humana, e que por falta de temor a Deus, e de uma cominação espúria, surrupiaram a maior estatal  mundial, e o maior celeiro. Sempre digo meu jovem, que: A caneta, só e somente só, vai expurgar diante de uma constituição rasgada pelos absolutistas a escória desse país por bem, porque se ela não for soberana, haverá sangue derramado pela luta contra a fome, a miséria, a desordem social, e a inércia operante dos políticos brasileiro. O jovem, terminado a conversa me olhou, e soltou a piada. Você sabe muito, dei a risada que queria dar no início, e em contra partida resmunguei.Não, sei apenas do preâmbulo, agora você como estudante cheio de esperança, transforme sua esperança em luta, em indignação, e corra trás do tempo, por que o meu ficou estampado na bandeira e na historia do meu país.Minha esperança vomita contradição, descontentamento. Carlos Dehon

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