Os consumidores brasileiros voltam a sentir um aumento na conta de energia elétrica em agosto, com a adoção da Bandeira Tarifária Amarela, que acrescenta um custo extra ao consumo. O reajuste ocorre em um cenário em que o Brasil figura entre os países onde a eletricidade residencial representa um dos maiores pesos no orçamento das famílias quando comparado à renda da população.
Levantamento do economista Daniel Duque, do Centro de Liderança Pública (CLP), mostra que a conta de luz brasileira, equivalente a US$ 0,357 por quilowatt-hora (kWh), supera a de 77 dos 138 países analisados. O estudo utiliza a Paridade do Poder de Compra (PPC), indicador que considera não apenas o preço da energia em dólar, mas também o impacto desse custo sobre a renda dos consumidores. Pela metodologia, os brasileiros pagam proporcionalmente mais pela eletricidade do que moradores de países como Canadá, China, Estados Unidos, Coreia do Sul e Argentina.
Para a economista e consultora financeira Isabel Abreu, o elevado custo da energia no Brasil não está relacionado exatamente ao processo de geração, mas à estrutura de encargos que compõe a tarifa. Segundo ela, quase 18% da conta corresponde à cobrança de impostos, como ICMS e tributos federais. Outro fator relevante são as perdas provocadas por furtos de energia, conhecidos como "gatos", que representam cerca de 14% de toda a energia distribuída e acabam sendo incorporadas ao valor pago pelos consumidores que mantêm as contas em dia.






