Após um longo período de colégios fechados, com o valor das mensalidades sem alteração ou com reajustes modestos, o próximo ano deve começar com uma herança pesada da inflação de 2021 para o orçamento das famílias com filhos na escola. Mais da metade (53%) das escolas de ensino fundamental e médio planejam aumentar as mensalidades e as matrículas do ano que vem entre 7% e 10%, aponta pesquisa com 65 estabelecimentos em cinco estados da consultoria Meira Fernandes, especializada em educação.
Acredito que o reajuste vai ficar um pouquinho maior até porque a inflação deste ano está em dois dígitos", diz o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (Sieeesp), Benjamin Ribeiro da Silva. Ele espera alta entre 10% e 13%.
O reajuste da mensalidade escolar é um dos principais canais de transmissão da inflação de um ano para o ano seguinte. "É a inércia inflacionária, a inflação de 2021 se materializando na inflação de 2022", afirma o economista André Braz, coordenador de índices de preços da Fundação Getúlio Vargas. Esse movimento, segundo ele, torna mais difícil o trabalho do Banco Central (BC) de trazer a inflação para mais próximo da meta de 3,5% de 2022, porque aumenta a persistência da alta de preços.
Com a inflação esperada para 2021 em 10,12%, segundo o Boletim Focus do BC, a expectativa de escolas e outros prestadores de serviços é incorporar aumentos de despesas de 2021 nos preços de 2022.
Rogério Caramante, gestor comercial da consultoria, argumenta que em 2020 e 2021 as escolas fizeram investimentos em tecnologia por causa do ensino a distância. "Muitas usam a plataforma do Google, com preços em dólar", exemplifica.
Também houve gastos com Equipamentos de Proteção Individual e infraestrutura para trazer os alunos e professores presencialmente para as salas de aula de forma segura, sem contar com os reajustes salariais, na faixa de 6% para auxiliares e de 11% para professores, argumenta Caramante.







