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Política ANÁLISE: Cláudio Humberto diz que áudios fazem Flávio Bolsonaro “sangrar” politicamente

Os áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teriam potencial de desgaste político em sua pré-candidatura, segundo análise publicada na coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder. Segundo ele, o impacto das cobranças ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção de filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, estrelado pelo ator Jim Caviezel, representa “um golpe arrasador”.

“O total de R$ 61 milhões virou munição letal. Os áudios fazem “sangrar” a pré-candidatura de Flávio e podem até mesmo inviabilizar o projeto. Cobrar dinheiro de um tipo como Vorcaro pode fazer dele um fardo tóxico quando se aproximava do eleitorado moderado”, analisa Humberto.

Conforme a coluna, a exposição do caso pode gerar desgaste político, especialmente pelo impacto simbólico da associação entre política e grandes cifras financeiras. E sugere que a repercussão dos áudios pode se tornar uma pressão adicional sobre o cenário eleitoral, embora não haja confirmação oficial de investigação ou conclusão jurídica sobre o caso citado.

“Os áudios transformam a rejeição ao senador, herdada do ex-presidente, em indignação. Pedir dinheiro a Vorcaro é o tipo de imagem que cola. Em um país ansioso por ética pública, senador cobrando R$ 61 milhões de um banqueiro envolvido em corrupção pode ser o fim do caminho”, conclui.

(*) Blog do BG

Análise: Vasco anula o Corinthians na ida, volta ileso e se enche de moral para decidir o título em casa

Antes do primeiro jogo da final da Copa do Brasil, dado principalmente o histórico recente na Neo Química Arena, havia um consenso entre torcedores do Vasco de que a missão nesta quarta-feira era não permitir que o Corinthians liquidasse o confronto e levar a decisão do título para o Maracanã, no próximo domingo.

Se olharmos por esse lado, a missão foi cumprida com louvor. O Vasco anulou as ações ofensivas do Corinthians nos primeiros 90 minutos da final, de modo que Léo Jardim não precisou fazer nenhuma defesa difícil - a única, em finalização de Yuri Alberto que ele salvou com os pés, não valeu porque o lance foi anulado por impedimento.


Com atuação de almanaque da sua dupla de volantes (Thiago Mendes e Cauan Barros foram os melhores em campo), o time de Fernando Diniz protegeu bem a frente da área e empurrou o ataque corintiano para as laterais, onde Matheus Bidu apareceu uma vez ou outra como única válvula de escape. A solidez defensiva da equipe foi muito elogiada por Diniz na coletiva.

"O time talvez tenha tido, defensivamente, a melhor partida do Vasco, sob o meu comando. O time foi muito obediente. [...] Não oferecemos chances reais para o Corinthians", analisou o treinador.

Mas o Vasco fez além disso na Neo Química Arena. Apesar da aplicação na marcação, não houve retranca. O que a equipe fez foi reduzir os espaços. Mas, quando teve a bola, conseguiu acelerar a troca de passes e explorar as estocadas em velocidade de Rayan e Andrés Gómez - em especial do colombiano, que incomodou a defesa adversária o tempo todo e foi escolhido o melhor jogador da partida.

Depois de sair ileso de Itaquera, o Vasco agora se enche de moral para decidir o título em casa, no Maracanã e com ingressos já esgotados. O jogo de volta da final da Copa do Brasil será no domingo, às 18h (de Brasília).

Análise Tornozeleira eletrônica é eficaz no combate ao crime? Advogado explica como funciona a medida

ENTRELINHAS Análise: Pressões de Trump não vão barrar o julgamento de Bolsonaro no Supremo

Ontem, o ex-presidente Bolsonaro recorreu, mais uma vez, à retórica de autovitimização. Em postagens nas redes sociais, denunciou um suposto "sistema podre" de perseguição e ameaças à sua vida.

As tentativas de o ex-presidente norte-americano Donald Trump interferir nos assuntos internos do Brasil, por meio de declarações e medidas retaliatórias, como a imposição de tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras, não vão desviar, muito menos interromper, o curso das investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro e, sobretudo, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar da grave crise diplomática e comercial provocada pela decisão de Trump, essas pressões não anulam os fundamentos constitucionais e jurídicos que orientam as decisões do Supremo. O processo contra Bolsonaro segue em conformidade com o devido processo legal, baseado em provas materiais, delações homologadas e evidências documentadas, como a famosa "minuta do golpe", que ontem foi objeto de nova confirmação do ex-ajudante de ordens da Presidência tenente-coronel Mauro Cid.

O militar foi chamado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para depor como testemunha de acusação dos réus dos núcleos 2, 3 e 4 do processo sobre a trama golpista ocorrida no governo de Jair Bolsonaro. Por ter assinado acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF), o militar responde ao processo em liberdade, mas é obrigado a prestar os esclarecimentos. A partir de hoje, começam a depor as testemunhas indicadas pelos réus que fazem parte dos três núcleos. Os depoimentos devem seguir até o dia 23 de julho.

No mês passado, o STF realizou os depoimentos das testemunhas do núcleo 1, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados. A Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais na ação penal que investiga o chamado "núcleo do golpe", confirma a existência de articulações concretas para subverter o resultado das eleições de 2022. A delação do tenente-coronel Mauro Cid foi fulcral nesse contexto.

(*) Correio Braziliense

NAS ENTRELINHAS Análise: Trump assombra o mundo com suas ambições imperiais

Quando assume o governo de Tomainia, Adenoid Hynkel acredita em uma nação puramente ariana e passa a discriminar os judeus. Essa situação é desconhecida por um barbeiro, que está hospitalizado devido à participação em uma guerra. Ao receber alta, mesmo sofrendo de amnésia sobre o que aconteceu, passa a ser perseguido e precisa viver no gueto. Lá, conhece a lavadora Hannah, por quem se apaixona. A vida do barbeiro passa a ser monitorada pela guarda de Hynkel, que tem planos de dominar o mundo. Seu próximo passo é invadir Osterlich, um país vizinho, e para tanto negocia um acordo com Benzino Napaloni, ditador da Bactéria.

Trata-se do roteiro de O Grande Ditador, clássico dos clássicos do cinema, uma sátira política de Charles Chaplin, lançado em meio à II Guerra Mundial, no qual o genial diretor interpreta os dois personagens, sem saber do genocídio que o mundo viria a conhecer após a libertação do campo de concentração de Auschwitz pelas tropas soviéticas. Ao realizar o filme, Chaplin ficou tão desconfortável que quase desistiu. Escarneceu do autoritarismo sem se dar conta de que tudo aquilo que procurou mostrar era muito, mas muito pior.

Chaplin satirizou as figuras de Adolf Hitler e Benito Mussolini (no caso, Adenoid Hynkel e Benzino Napaloni, o ditador do país Bactéria). Não perdoou os poderosos ministros Hermann Goering e Joseph Goebbels, que no filme assumem as identidades de Herring e Garbitsch. Hynkel é mostrado como uma criança mimada, que brinca com um globo terrestre, mais ou menos como o novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está fazendo.

Como na realidade, homens e mulheres simples e humildes vivem a penúria financeira, a intolerância e a violência de toda sorte. O barbeiro é um alter ego de Carlitos, o vagabundo que sofre para viver em um mundo cheio de maldade e miséria. A lavadora Hannah é a personificação da esperança. Chaplin trouxe para o cinema falado o humor que o consagrou no cinema mudo e nos faz duvidar dos mitos, com suas promessas de salvação e glória eterna, além de azucrinar as paixões políticas cegas e o culto à personalidade.

O EFEITO DA DIREITA NO BRASIL

A partir de 1º de janeiro de 2025, o Prefeito dos Trabalhadores (PT), legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, terá 252 prefeitos comandando cidades brasileiras. O número de candidatos eleitos no pleito deste mês simboliza um incremento de 69 prefeitos petistas em relação ao número anterior, que era de 183, e se aproxima do número de prefeituras do PT em 2016 – na época, o Brasil tinha 256 prefeitos do partido.

O avanço é considerado significativo pelos dirigentes do partido, que veem o retorno do PT ao comando da capital cearense após 12 anos como um dos principais trunfos de 2024. Postulando um cargo no Executivo pela primeira vez, o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) Evandro Leitão venceu a disputa contra André Fernandes (PL) neste domingo (27), com 50,37% dos votos válidos.
HISTÓRICO DO PT NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS:

2012: 630
2016: 256
2020: 183
2024: 252

A vitória de Evandro, no entanto, acontece em meio a uma série de derrotas em outros lugares do País. Ao todo, no segundo turno, o partido disputou a prefeitura em 13 das 51 cidades que tiveram uma nova eleição neste domingo. Destas, apenas quatro tiveram prefeitos petistas eleitos – Fortaleza (CE), Camaçari (BA), Mauá (SP) e Pelotas (RS).

Localizada na Região Metropolitana de Salvador, Camaçari também teve uma disputa acirrada, elegendo Luiz Caetano (PT) com 50,92% dos votos. O prefeito disputava contra Flávio Matos (União), que obteve 49,08% dos votos válidos.

Em Mauá, no ABC Paulista, o prefeito Marcelo Oliveira (PT) foi reeleito com 54,12% dos votos. Ele disputava contra Atila Jacomussi (União), que obteve 45,85% dos votos. Uma curiosidade é que esta é a primeira vez em que ambos têm embate no segundo turno – na primeira, em 2020, Atila era o atual prefeito e buscava reeleição.

Já em Pelotas, assim como em Fortaleza, houve uma disputa acirrada entre um representante do partido de Lula e um postulante do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O candidato Fernando Marroni (PT) foi eleito com 50,36% dos votos, enquanto Marciano Perondi (PL) ficou com 49,64% dos votos.
DERROTAS

Em 2024, o PT disputou o segundo turno em quatro capitais, mas obteve êxito apenas em Fortaleza. Em Natal (RN), Natália Bonavides enfrentou Paulinho Freire (União), que venceu com 55,34% dos votos. A petista teve 44,66% dos votos.

Em Porto Alegre (RS), Maria do Rosário (PT) foi derrotada pelo atual prefeito, Sebastião Melo (MDB), que foi reeleito com 61,53% dos votos. Ela obteve 38,47% dos votos. Já em Cuiabá (MT), o petista Lúdio Cabral ficou em segundo lugar, com 46,20% dos votos válidos. O prefeito eleito foi Abilio Brunini (PL), que teve 53,80% dos votos.

O PT também perdeu no segundo maior colégio eleitoral do Ceará, em Caucaia, que elegeu o candidato Naumi Amorim (PSD) com 60,4%. O petista Waldemir Catanho obteve 39,60% dos votos.

Outras cinco cidades tiveram disputas de segundo turno com candidatos da sigla, mas elegeram representantes de outros partidos. São elas:

Anápolis (GO), onde Marcio Correa (PL) obteve 58,56% dos votos contra Antonio Gomide (PT), que teve 41,44% dos votos;
Diadema (SP), onde Taka Yamauchi (MDB) venceu com 52,59% dos votos, contra 47,41% do candidato Filippi (PT);
Olinda (PE), onde Mirella Almeida (PSD) venceu com 51,38% dos votos, contra 48,62% de Vinicius Castello (PT);
Santa Maria (RS), onde Rodrigo Decimo (PSDB) obteve 54,50% dos votos frente aos 45,50% do candidato Valdeci Oliveira (PT)
Sumaré (SP), onde Henrique do Paraíso (Republicanos) obteve 58,22% dos votos contra os 41,78% de Willian Souza (PT).

(*) DN

Análise: Direita avança contra o STF após vencer as eleições


A direita que saiu empoderada das urnas decidiu, nesta quarta-feira (9), aprovar um pacote anti-STF.

O PL de Jair Bolsonaro, que tem essa agenda como prioritária, liderou o movimento.

Mas boa parte dos partidos mais votados do país no domingo (6) aderiu à ideia, o que mostra que o apoio a essa pauta transcende o bolsonarismo.

Justamente porque muitos setores da sociedade não bolsonaristas entendem que a Corte faz muita política.

O recado que o Congresso deu ao STF foi: leiam o resultado da eleição.

Com mais prefeitos e vereadores eleitos em 2024, a direita deve eleger muito mais deputados e senadores em 2026 e poderá ter uma maioria suficiente no Congresso para aprovar, em definitivo, essas pautas. E até impeachar um ministro do Supremo pela primeira vez na história.

Estratégia <> Direita se divide em chapas "puras", e esquerda reúne apoios;cientistas analisam eleição em Fortaleza

ESTRATÉGIAS DOS PARTIDOS
Os partidos têm até o dia 15 de agosto para apresentar à Justiça Eleitoral o requerimento das candidaturas. Porém, antes mesmo de iniciar a campanha, os partidos já se mobilizam para montar estratégias e construir alianças. Em Fortaleza, Evandro Leitão (PT) já conta com o apoio de 11 partidos, e o prefeito José Sarto (PDT), que disputa reeleição, com nove siglas.

Em entrevista à rádio Jangadeiro BandNews 101,7, o cientista político e pesquisador, Cleyton Monte, analisou as alianças dos principais pré-candidatos ao Paço Municipal. Segundo Cleyton, caso Sarto vença, não se esperam grandes mudanças no atual modelo de gestão.

“Esses partidos [Agir, Avante, Cidadania, DC, Mobiliza, PSDB, PRTB, PMB e PRD] já têm uma proximidade com a máquina. Então, não vejo muita mudança em termos de gestão caso o prefeito seja reeleito. Apesar de serem nacionalmente pequenos, são partidos com representação na Câmara, que oferecem sustentabilidade à gestão e ocupam pastas importantes,” afirma.

O especialista destacou que, embora o número de aliados da candidatura do PT seja semelhante ao de Sarto, a chapa de Leitão conta com forças de maior peso, como MDB, Republicanos e os egressos da base de Sarto: PSD, PSB e Progressistas. Isso pode garantir mais tempo de TV, rádio e recursos para a campanha. No entanto, se vencer, terá o um grande desafio para atender aos interesses de todas as siglas aliadas.

Por outro lado, com a divisão da direita, nota-se a presença de “chapas puras” no Novo, PL e União Brasil. Capitão Wagner, reconhece que as alianças talvez só se concretizem no segundo turno, mas afirmou que o UB está “pronto” para qualquer cenário. Já o PL, que anteriormente coligou-se com o UB, seguirá com chapa pura.

“Não existe posição neutra na política, e o fato de partidos como PL e União Brasil não terem alianças é uma estratégia que pode evidenciar uma conjuntura nacional. Isso também pode indicar uma dificuldade de formar alianças, já que dificilmente um partido ou candidato rejeita aliado”, considera o especialista.

CID VAI PARA O PT ?????

Análise: A "alma imoral" das mulheres rejeita o machismo de Bolsonaro



A alma vive do que a sociedade reconhece como imoral, diz o rabino. Traduzindo, como o voto é secreto, em todas as famílias, a mulher ou a filha votam com a alma, em quem quiser.

Simone Lucie-Ernestine-Marie-Bertrand de Beauvoir (1908-1986), como seu próprio nome sugere, nasceu em berço de ouro, foi educada por professores particulares e estudou filosofia na Sorbonne, onde conheceu o filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980), seu companheiro, com quem foi sepultada seis anos após a morte do "marido". Viveram juntos, mas nunca se casaram. Considerada a "mãe do moderno movimento das mulheres", quando escreveu O Segundo sexo, sua obra seminal, não se via como feminista. Sua motivação foi responder à pergunta "O que é uma mulher?".

A primeira onda do feminismo foi a luta pelo sufrágio universal, desde o final do século XIX, porque as mulheres não tinham o direito de votar; a segunda, foi a luta contra a discriminação no lar, no trabalho e os preconceitos, que não podiam ser alterados apenas pela letra da lei. Simone de Beauvoir elevou o movimento feminista, do qual não fazia parte, a um novo patamar na década de 1960, ao trazer ao debate questões subjetivas que estavam associadas ao existencialismo. Ela diferenciava o ser fêmea do ser mulher.

O papel tradicional de esposa, de dona de casa e de mãe aprisionava as mulheres numa condição em que era afastada de outras mulheres e tinha a vida definida pelo marido. Simone via o "eterno feminino" como uma justificativa para essa desigualdade e buscou o "ser humano na condição feminina", isto é, a alteridade das mulheres. Ou seja, no reconhecimento de que são pessoas com culturas singulares e subjetivas que pensam, agem e entendem o mundo de suas próprias maneiras. Reconhecer a alteridade é o primeiro passo para a formação de uma sociedade justa, equilibrada, democrática e tolerante, onde todas e todos possam expressar-se, desde que respeitem também a alteridade alheia.

Esta é a muralha da rejeição que separa o presidente Jair Bolsonaro da maioria das mulheres. Não reconhece a possibilidade de as mulheres escolherem entre si mesmas, como mulher, fundamentalmente diferente do homem e, ao mesmo tempo, a si mesmas como um membro igual da raça humana. Vem daí a sua misoginia, e sua dificuldade de conviver, por exemplo, com mulheres parlamentares que pensam diferente e não seguem sua liderança, e com jornalistas que ousam fazer perguntas incômodas ou confrontá-lo com suas próprias opiniões.

(*) Correio Braziliense
www.carlosdehon.com

Série: mortos, feridos e vencedores das eleições de 2022 no Ceará e no Brasil Para muitos derrotados, só resta a aposentadoria. Para outros, reerguer-se só com um profundo e severo exercício de humildade. Aos vitoriosos, um aviso: toda glória é efêmera




Como toda guerra política, as eleições gerais de 2022 fez suas vítimas. Algumas, fatais e para todo o sempre. Outras, terminaram o processo gravemente feridas. Há gente na UTI, em coma político. Há outras cuja derrota foi um duro e pedagógico aprendizado.

Como diria Wiston Churchill, um dos maiores protagonistas da política mundial da era moderna, “a política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes”.

Sim, o premier que comandou a Inglaterra na Segunda Guerra Mundial, sabia bem o que dizia. Um profundo conhecedor da História, escritor, jornalista, Churchill experimentou pessoalmente o amargor das intensas derrotas e o doce sabor de incríveis vitórias.

Para cada derrotado deprimido pelo julgamento popular, há um vitorioso que mereceu o reconhecimento do seu povo.

Na guerra política e eleitoral, há também as vitórias e derrotas no campo da institucionalidade e dos ideais de democracia.

Para muitos derrotados de agora, só resta a aposentadoria. Para outros, a possibilidade de reerguer-se só se concretiza com um doloroso e severo exercício de humildade.

Para os vitoriosos, principalmente os que ganharam a batalha já no primeiro turno (na verdade, a guerra política nunca termina), um ensinamento dos tempos do Império Romano: Sic transit gloria mundi (toda glória no mundo é transitória).

Vencedor, o general, vestido de púrpura e a coroa de louros na cabeça, entrava em Roma em uma biga dourada puxada por quatro belos cavalos brancos. Diante dele, os valiosos despojos dos vencidos, que passava a ser a riqueza de Roma. O poder, a aristocracia e o povo romano o recebia com festas, pompas e louvores.

Na biga, postado atrás do general aclamado como um Deus, um escravo a murmurar repetidamente: “Toda glória é efêmera! Toda glória é efêmera!”

A frase latina Sic transit gloria mundi também fez parte de uma tradição católica até 1963, durante as coroações papais. Recém-escolhido, o novo papa partia da Basílica de São Pedro em procissão, que parava três vezes. Nesses momentos, o mestre de cerimônias se ajoelhava diante do novo líder da Igreja e, em voz alta, dizia três vezes: “Sancte Pater, sic transit gloria mundi!” (Santo Padre, assim passa a glória mundana!)

Pois é. Na sequência (aleatória) ainda no rescaldo da apuração dos votos, que representa tanto a guilhotina quanto a coroação, apresento a cada dia a lista comentada dos derrotados e vitoriosos do dia 02 de outubro de 2022, a sexta eleição geral brasileira do século 21.

Trata-se de uma abordagem a ser feita com a devida parcimônia, mas com a necessária clareza. Em política, como sabemos muito bem, o derrotado de hoje pode ser o vitorioso da próxima eleição. E vice-versa.

Vencedora (por enquanto)
A Democracia brasileira: O país caminha para o seu mais longo período de liberdades democráticas desde a instauração da República, em 1891. A ditadura militar chegou ao fim em 1984 com a ascenção, ironicamente sem o voto popular, de Tancredo Neves e José Sarney para a Presidência da República. Tancredo morreu antes de assumir. O poder caiu nas mãos de Sarney, um politico que ajudou a ditadura, mas que no exercício do poder manteve-se firme nos própósitos da nova República que ali se erguia. Portanto, já se vão 38 anos de democracia que, como também dizia Churchill, é a pior forma de governo, com exceção de todas as demais.

Vencedora
As urnas eletrônicas: Sim, após constantes tentativas de desmoralizar o mais moderno, eficiente e seguro sistema de votação e contagem de votos do mundo, os resultados reinaram incontestes. E assim deverão permanecer no segundo turno e nas eleições vindouras.

Na sequência deste texto nos dias que se seguem, trataremos de pessoas físicas e partidos políticos. No Ceará e no Brasil. Inclua-se na lista políticos que nem sequer disputaram as eleições, mas terminaram fragorosamente derrotados.

Por Fábio Campos
fabiocampos@focus.jor.br

Análise: Resiliência mantém Ciro na disputa do primeiro turno



O perfil político do ex-governador do Ceará Ciro Gomes pode ser sintetizado numa palavra da moda: resiliência. Ontem, o PDT aprovou em convenção nacional, por aclamação e sem votos contrários, a escolha do seu nome como candidato à Presidência da República. Ele resistiu a todas as investidas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para desestabilizar sua candidatura. O petista comeu pelas beiradas as alianças do PDT nos estados, mas o político cearense, intempestivo e destemperado, duas palavras que também constituem o seu perfil, resistiu bravamente. Manteve-se em cena com uma fatia de 8% do eleitorado, que segue firme e forte apoiando sua candidatura.

Esta será a quarta vez que Ciro disputará a Presidência, que é a sua grande obsessão política. Nunca chegou ao segundo turno, mas sempre deu trabalho aos adversários, nos pleitos de 1998 e 2002, pelo antigo PPS, e 2018, pelo PDT, quando obteve seu melhor desempenho, com 13,3% dos votos.

Ex-ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, responsável pela implementação do Plano Real, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) deixou o cargo para concorrer e vencer as eleições de 1994, derrotando Lula, Ciro tem uma trajetória bem-sucedida de gestor público, como prefeito de Sobral e Fortaleza e governador do Ceará, que hoje se destaca por ter uma das melhores redes de ensino público e gratuito do país.

Ciro é um caso raro de resiliência porque trafega numa faixa muito estreita do eleitorado, mantendo-se sempre em torno dos 8% de intenções de votos, conforme o último levantamento do Instituto DataFolha. Sua campanha eleitoral está a cargo de João Santana, o ex-marqueteiro das campanhas vitoriosas de Lula, em 2006, e Dilma Rousseff, em 2010 e 2014.

Santana está entre aqueles que foram flagrados recebendo dinheiro de caixa dois pela Lava-jato, mas fechou delação premiada e, assim, saiu da prisão. Conhece como ninguém as relações de Lula com seus velhos aliados e o eleitorado, principalmente o nordestino.

(*) Correio Braziliense
www.carlosdehon.com

Análise: PEC sob medida para bagunçar a economia Às vésperas da eleição, ninguém sabe se as medidas serão capazes de reverter a desvantagem eleitoral do presidente Bolsonaro em relação ao ex-presidente Lula



A Câmara dos Deputados concluiu, ontem, a votação em primeiro turno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria uma série de benefícios às vésperas das eleições, que vigorarão até 31 de dezembro. Patrocinada pelo Centrão e agasalhada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, a proposta representa rombo adicional de R$ 41,2 bilhões no Orçamento deste ano, com propósito de conceder benefícios à população de baixa renda. A PEC passou por mais um turno de votação na noite de ontem.

A menos de três meses das eleições, a PEC aumenta o valor do Auxílio Brasil, amplia o Vale-Gás e cria um "voucher" para os caminhoneiros. Como a legislação eleitoral proíbe esse tipo de medida às vésperas das eleições, inventa um "estado de emergência" que livra o presidente Jair Bolsonaro (PL) das punições previstas em lei para esse tipo de crime eleitoral. Os benefícios aprovados começarão a ser pagos em agosto, mas vigorarão somente até dezembro. A medida é um estelionato eleitoral escancarado, mas foi aprovada com os votos da oposição, com exceção do Novo.

A aprovação da PEC foi marcada por suspeitas de fraude na votação de terça-feira e uma mudança regimental de ultima hora, ontem, para permitir a aprovação com quórum virtual. O presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), alterou as regras de votação a fim de permitir que parlamentares registrassem presença remotamente. Sessões extraordinárias foram realizadas para encurtar o prazo entre a primeira e a segunda votação, sendo que uma delas durou um minuto.

A PEC começou a tramitar no Senado, onde obteve apoio quase unânime — somente o senador José Serra (PSDB-SP) votou contra. Um acordo entre o Palácio do Planalto, que dobrou as resistências da equipe econômica, o Centrão e a oposição foi o ovo da serpente da quebra de institucionalidade da economia e das regras do jogo eleitoral. Velha raposa política, o senador Fernando Bezerra (MDB-PE), ex-líder do governo, na hora da votação, inclui no projeto o "estado de emergência" para burlar a legislação eleitoral. A justificativa é marota: a guerra da Ucrânia.

A institucionalidade das políticas econômicas é uma chave para que o país possa atingir bons resultados. O vale-tudo institucional, tanto quanto no mercado, compromete a interação entre o Estado, as instituições, as empresas e a sociedade, joga o crescimento para baixo e os preços para cima. Medidas como a de ontem contrariam as expectativas dos investidores. Seu resultado são a falta de investimentos, a redução da atividade econômica, o aumento da inflação, as altas taxas de desemprego.

1ª entrevista de Lula teve impacto grande apenas entre os seguidores do PT



Análise da empresa de consultoria digital Bites divulgada nesta 2ª feira (29.abr.2019) indica que a entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos veículos Folha de S.Paulo e El País na última 6ª (26.abr) teve grande impacto apenas entre seguidores do PT. Esta foi a 1ª vez que Lula conversou com a imprensa desde que foi preso em 7 de abril de 2018.
“A conversa com os jornalistas está longe de ser uma explosão de apoio a Lula e, por enquanto, não ultrapassou as fronteiras daqueles que já seguem as teses do petista”, informa o relatório.

Bolsonaro repete estratégia de campanha em discurso e desaponta aliados



Líderes de partidos aliados ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) reconheceram a pessoas próximas que ficaram desapontados com o discurso de posse do militar reformado. Para eles, o novo chefe de estado falhou ao não listar medidas e problemas concretos, como o desemprego. A informação é da coluna ´Painel´, do jornal ´Folha de S. Paulo´.
Na sua primeira fala como presidente do Brasil, Bolsonaro repetiu o discurso que vem utilizando desde a campanha eleitoral. Ele repetiu a palavra "Deus" 12 vezes; "ideologia" e variantes, nove; e "família", sete.
NoticiasaoMinuto

Copa do Brasil: análise da rodada / Flamengo e Cruzeiro sofrem, Botafogo se classifica sem sustos







Botafogo, Flamengo e Cruzeiro avançam às semifinais da Copa do Brasil 2017. Dos três, quem teve menos problemas foi o Botafogo. Fiel ao seu estilo de não se impor e beliscar a vitória com muita entrega e nos contra-ataques, destruiu o Atlético-MG com categórico 3 a 0 em casa. Cruzeiro, sem sofrer até a metade do segundo tempo, por pouco não caiu fora. Com muito esforço e em cima de erros do Palmeiras, empatou por 1 a 1 no Mineirão – o suficiente para se classificar. Quem mais se assustou foi o Flamengo. Dono de uma vantagem de dois gols, construída no jogo de ida, o time carioca perdeu por 4 a 2, com direito a um pênalti dado e depois anulado a favor do Santos. E passou na conta do chá. Confrontos das semifinais terão Botafogo x Flamengo, e Cruzeiro contra o vencedor de Grêmio x Atlético-PR, que se enfrentam nesta quinta-feira (27/7) – no jogo de ida, time gaúcho venceu por 4 a 0. 
IMPERDOÁVEL Levar a classificação até os 40 minutos do segundo e permitir o empate não serve a um time que pensa em ser campeão. Aconteceu com o Palmeiras. Depois de sustentar o primeiro tempo sem grandes sustos e sem também provocar calafrios no adversário, chegou ao gol aos 26 minutos da etapa final, com chute de Keno. Teria pouco mais de 20 minutos para sustentar a classificação – empate por 1 a 1 ou 2 a 2 era do Cruzeiro. Aí Cuca trocou Dudu por Tchê Tchê. O Palmeiras recuou e não soube se defender. Alguns erros foram notáveis. Primeiro com Egídio em um contra-ataque, quando tinha dois companheiros para servir em situação de gol e optou por uma cavadinha bizarra. Gol perdido, gol que daria a vaga à semifinal. Sem muitas opções, o Cruzeiro se lançou e passou levantar a bola na área de Jailson. Aos 40, o lateral Diego Barbosa, na posição de centroavante, fez o gol de cabeça entre Mina e Edu Dracena. Falha da zaga. Falha de Roger Guedes que deveria acompanhar Diego. Pecados cometidos no jogo de ida, ao sofrer três gols no primeiro tempo, serviram para crucificar o Palmeiras, eliminado nas quartas de final como no ano passado.
IMPLACÁVEL Botafogo sabe sofrer e decidir jogos com muita eficiência. Diante do Atlético-MG no Engenhão, teria de reverter a desvantagem de um gol na partida de ida em Minas. Por isso partiu como um rolo compressor logo de início. Saiu em busca do gol com voracidade, sem deixar o adversário respirar. Marcou o primeiro (Carli) antes dos cinco minutos e o segundo (Roger), antes dos 20. Tirou proveito da apatia do time mineiro, simbolizado na inércia de Robinho. Com dois gols de frente, jogou a responsabilidade no colo do Galo, que teria de fazer pelo menos um gol para avançar às semifinais. No segundo tempo, deu ainda mais campo ao Atlético-MG à espreita de um contra-ataque mortal. Sem Robinho (substituído) o estreante Rogerio Micale avançou suas peças no território carioca. E seu time passou a fazer o que mais gosta: cruzamentos na área. Cruzou mais de 30 vezes, todas sem sucesso. Cabia ao time de Jair Ventura também fazer o que mais gosta: sofrer e contra-atacar. Quando restavam menos três minutos para acabar o jogo, Gilson espetou o terceiro gol e liquidou a fatura. Botafogo classificado à semifinal.

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