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Bolsa Família e reajuste salarial são excluídos do arcabouço fiscal Governo conseguiu costurar acordo com o relator Cláudio Cajado



O relator do novo marco fiscal na Câmara dos Deputados, Cláudio Cajado (PP-BA), acatou o pedido do governo federal de excepcionalizar os gastos com reajustes do salário mínimo e com o Bolsa Família do projeto. Com isso, esses valores não serão atingidos pelo contingenciamento de verba em caso de descumprimento de alguma das metas.

“O salário e o Bolsa Família são excepcionalizados. O Bolsa Família por ser uma despesa obrigatória e o salário mínimo porque se fez um acordo aqui para que nós pudéssemos excepcionalizar”, disse Cajado em entrevista a jornalistas na saída do encontro com líderes.

Apesar da vitória, o governo não conseguiu excluir demais despesas desejadas, como o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) e o piso da enfermagem.

Contudo, podem haver mudanças no texto, que ainda passará por análise do plenário da Câmara. O líder do governo, deputado José Guimarães, porém, afirmou haver vontade política de votar o projeto como está.

“Volta o contingenciamento obrigatório, excepcionalizando aquelas áreas que para nós são fundamentais como salário mínimo e Bolsa Família”, declarou.

O presidente da Câmara, Arthur Lira, no entanto, disse que "beira o irracional" a Casa não poder alterar o texto. "[A matéria] Não pode ser um decreto, senão não precisava do Congresso Nacional", declarou em entrevista à emissora CNN Brasil.

O texto do novo marco fiscal será analisado em plenário no dia 24 de maio. A declaração foi dada na noite desta segunda-feira (15), pelo deputado Cláudio Cajado em entrevista ao canal de notícias GloboNews.

Novo arcabouço fiscal permite avanço real de 2,3% na despesa de 2024



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, entregaram o texto do arcabouço fiscal ao Congresso Nacional nesta terça-feira (18). Nele, definem-se regras fiscais para o comportamento das despesas primárias do governo central e fixam-se padrões para as metas de resultado primário, com base na própria Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Felipe Salto, economista-chefe da Warren Rena, dia que o primeiro ponto importante a destacar é que a regra para correção dos gastos será definida seguindo a variação real da receita primária líquida do governo (descontados os dividendos, concessões e royalties) acrescida da inflação medida pelo IPCA.

No entanto, a variação real da receita será medida, em termos reais, até junho do ano anterior, com base na inflação acumulada até junho, enquanto a correção monetária somada a essa variação real será composta pela inflação acumulada de janeiro a junho, acrescida das projeções do governo contidas na proposta orçamentária (PLOA) para julho a dezembro.

Por exemplo, para 2024, as despesas primárias serão as que constam no PLOA de 2023 (conforme determinado para o primeiro ano, a base será a do PLOA de 2023) e a correção monetária será a inflação de janeiro a dezembro embutindo-se as projeções do segundo semestre.

"Se tomarmos as projeções da Warren Rena, o valor seria de 6%. Para a correção real, será calculada a variação real das receitas líquidas, conforme definição do parágrafo anterior, deflacionadas pelo IPCA acumulado em 12 meses até junho de 2023, multiplicadas por 70% e limitadas pelo intervalo de 0,6% a 2,5%, no caso do período de 2024 a 2027. Pelas nossas projeções, esse percentual seria de 0,6% (0,85% x 70%)", diz ele.

"Para ter claro, as despesas de 2024 serão calculadas assim: despesas de 2023 do PLOA x (1+6%) x (1+0,6%). Isto é, a correção nominal das despesas seria de 6,6%. Sob a hipótese de uma inflação na casa de 4,2%, no ano que vem, a despesa terá crescido, ao final do ano, cerca de 2,3% em termos reais", completa.

(*) iG ECONOMIA

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