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Salário mínimo: Governo reduz projeção do salário mínimo de 2026


O governo federal reduziu a projeção do salário mínimo para 2026, de R$ 1.631 para R$ 1.627. O valor é R$ 4 menor do que o anteriormente previsto.
Se a nova projeção do governo for confirmada, a atualização do salário mínimo em 2026 deverá ser de cerca de 7,2%, em comparação com o atual piso, que é de R$ 1.518.

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Governo prevê salário mínimo em R$ 1.302 em 2023, sem aumento real pelo 4º ano seguido

Apesar do indicativo a ser dado pelo governo, o valor efetivo do salário mínimo em 2023 só será conhecido no fim do ano. Até lá, as previsões de inflação podem oscilar para cima ou para baixo.
O governo de Jair Bolsonaro (PL) vai propor um salário mínimo de R$ 1.302 para 2023, sem aumento real pelo quarto ano seguido, segundo fontes ouvidas pela reportagem.

A última vez que o piso nacional foi reajustado acima da inflação foi no início de 2019, em um decreto assinado por Bolsonaro, seguindo a política de valorização aprovada em lei ainda no governo Dilma Rousseff (PT).

A vigência dessa política terminou justamente em 2019. Desde então, o atual governo tem optado por apenas recompor a variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ajuste que é obrigatório para assegurar a manutenção do poder de compra dos trabalhadores.

A nova previsão para o salário mínimo constará no envio da proposta de Orçamento para o ano que vem. O documento precisa ser encaminhado até 31 de agosto ao Congresso Nacional.

O valor é R$ 8 acima dos R$ 1.294 estimados em abril, quando o governo apresentou o projeto de LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Desde então, porém, as projeções para a variação do INPC neste ano aumentaram. Atualmente, o Ministério da Economia espera que o índice de inflação encerre o ano em 7,41%.

A cifra também é R$ 90 acima do piso atual, fixado em R$ 1.212.

Apesar do indicativo a ser dado pelo governo, o valor efetivo do salário mínimo em 2023 só será conhecido no fim do ano. Até lá, as previsões de inflação podem oscilar para cima ou para baixo.

É também no fim do ano que o governo faz o ajuste do chamado resíduo –eventuais diferenças entre a projeção e a inflação efetiva. Isso ocorre porque o governo define o piso nacional antes de o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgar o resultado oficial para o INPC, o que ocorre no início de janeiro.

(IDIANA TOMAZELLI – FOLHAPRESS)

Cesta básica consome, em média, 55% do salário mínimo no Brasil



O preço médio da cesta básica no Brasil, hoje de R$ 663,29, representa cerca de 55% do salário mínimo de R$ 1.212.

As informações são de um levantamento produzido pela CNN com base em dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que levou em conta o valor dos alimentos em 16 capitais do país, desde 1998, e comparou com o respectivo salário mínimo de cada ano.

De acordo com o levantamento, este ano acumula o maior percentual atingido desde 2004, quando a cesta básica consumia uma parcela de cerca de 58% do salário mínimo.

Na época, o rendimento básico era de R$ 260 e os alimentos somavam, em média, R$ 150,72.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que produz o medidor da inflação no Brasil, o IPCA, apontam que o grupo de alimentos e bebidas costuma representar mais de 20% do orçamento doméstico.

Entretanto, o professor Alberto Ajzental, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que para famílias mais pobres, com ganhos entre um e cinco salários, os gastos com alimentação chegam a somar até 35% dos ganhos.

“Quando a alimentação ocupa um espaço maior do salário, significa que estão perdendo poder de compra. Ou seja, elas dão preferência para os alimentos e gastos básicos, e sobra menos dinheiro para consumir. Então gasta mais em alimento, mas gasta menos com locomoção, cultura, educação, vestuário. No fim das contas, a população mais pobre fica desassistida”, afirma o economista.

Ainda segundo o levantamento, nos anos de 2012 e 2018, a cesta básica atingiu o menor custo em relação ao salário, chegando a representar 40% do ganho mensal.

Em 2012, a cesta custava em média R$ 248,36, enquanto a remuneração básica era de R$ 622,00. Já em 2018, o salário mínimo era de R$ 954, e a cesta básica média cerca de R$ 386,20. Já a partir de 2019, o percentual passou a subir.

Segundo o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, divulgado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, o Brasil tem atualmente 33,1 milhões de pessoas sem ter o que comer.

São 14 milhões de brasileiros a mais em insegurança alimentar grave em 2022, na comparação com 2020, como consequência da pandemia da Covid-19.

Para Ajzental, a questão da insegurança alimentar no Brasil é urgente e é preciso uma intervenção do poder público para garantir as condições mínimas ou mais básicas de sobrevivência para essa população.

“Acredito que a gente, como nação, está falhando nisso”, completa.

Outro viés da perda do poder de compra é o efeito a longo prazo da educação dos mais jovens.

Alberto Ajzental avalia que familias em situação de vulnerabilidade tendem a inserir os jovens cada vez mais cedo no mercado de trabalho, comprometendo o futuro educacional das próximas gerações.

“Através da educação formal que esses jovens teriam uma chance de quebrar o ciclo, mas eles têm que ir cedo pro mercado de trabalho. Então todo mundo tem que trabalhar desde cedo pra fazer frente as altas despesas. Isso é a perpetuação da miséria, porque quando você consegue dar o básico, um filho consegue estudar e quebrar o ciclo”, finaliza o professor.

(*) CNN
www.carlosdehon.com

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