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Chacina das Cajazeiras: 5 anos do massacre no Ceará e os esforços para levar os réus a julgamento "Todo 27 de janeiro é como se fosse uma nova morte para a família", diz mãe de vítima sobrevivente


















"Assombrada pelo sofrimento e sem acreditar na Justiça". Cinco anos depois de uma das maiores matanças no Ceará, esta é a sensação que persiste e acompanha a rotina de uma das vítimas sobreviventes. Enquanto o processo principal da 'Chacina das Cajazeiras' está na fase de memoriais finais (argumentos finais por escrito da acusação e da defesa), sem decisão de levar ou não os réus ao Tribunal do Júri, quem viveu de perto o atentado no 'Forró do Gago' e arredores carrega a percepção que "o caso caiu no esquecimento".

Uma das sobreviventes (de nome preservado) foi procurada pela reportagem, mas não quis falar sobre a chacina: "toda vez que chega perto dessa data, nem TV eu assisto que é pra não ver nada. Não quero mais viver isso, não quero nem lembrar", disse a jovem vítima, atualmente ainda com problemas de saúde em decorrência dos disparos e de balas alojadas no corpo.

A mãe da jovem apoia a escolha da filha e fala que há cinco anos é assombrada pelo sofrimento e pela angústia que sentiu na madrugada de 27 de janeiro de 2018: "Dia 24 agora minha filha fez 24 anos. Graças a Deus eu canto os parabéns com a minha filha ainda. Outras famílias nem isso têm mais. Todo 27 de janeiro é como se fosse uma nova morte para a família".
A família também já não acredita mais no 'fazer Justiça' e diz que "o caso caiu no esquecimento": "hoje minha filha está bem. Não teve ajuda de ninguém a não ser da família. O importante é que ela está viva".

(*) Diário do Nordeste
www.carlosdehon.com

Justiça aceita denúncia contra 15 pessoas por envolvimento na Chacina das Cajazeiras

15 DE DEZEMBRO, SÁBADO
Após quase um ano da Chacina das Cajazeiras, a maior do Estado, a Justiça aceitou denúncia contra 15 pessoas pela participação no crime. A queixa foi oferecida pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), na última sexta-feira, 7. 
Deijair de Souza Silva; Noé de Paula Moreira; Misael de Paula Moreira; Francisco de Assis Fernandes da Silva; Auricélio Sousa Freitas; Zaqueu Oliveira da Silva; Ednardo dos Santos Lima; João Paulo Félix Nogueira; Rennan Gabriel da Silva; Fernando Alves de Santana; Francisco Kelson Ferreira do Nascimento; Ruan Dantas da Silva; Joel Anastácio de Freitas; Victor Matos de Freitas e Ayalla Duarte Cavalcante são suspeitos pelo crime que vitimou 14 pessoas na madrugada de 27 de janeiro de 2018, no "Forró do Gago".
Os advogados dos réus têm até 10 dias para apontar até oito testemunhas de defesa. Os indivíduos são denunciados pelos crimes de homicídio, tentativa de homicídio, incêndio, tentativa de uso de gás tóxico, fraude processual e constituição de organização criminosa. 
Quatro prisões preventivas decretadas

Quatro meses depois do massacre,10 estão presos e quatro foragidos



25 DE MAIO, SEXTA-FEIRA
No próximo domingo (27), completa quatro meses que um grupo de homens da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE) executou 14 pessoas na casa de shows ´Forró do Gago´, na Comunidade do ´Barreirão´, no bairro Cajazeiras. Ontem, as apurações sobre o massacre, foram apresentadas pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), durante uma entrevista coletiva à imprensa, concedida na sede da Instituição.
Ao todo, 14 pessoas participaram direta ou indiretamente do episódio conhecido como ´Chacina das Cajazeiras´, ocorrido em 27 de janeiro último. O mentor intelectual da matança, segundo a Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), foi Deijair de Sousa Silva, o ´De Deus´, de 29 anos, preso em 19 de fevereiro, em um condomínio de luxo no bairro Cocó.
Réu em outro processo, Deijair estava em regime semiaberto e era monitorado por uma tornozeleira eletrônica, antes de ordenar a chacina. A defesa do acusado diz que não foram apresentadas provas que embasem a denúncia, além de não ter tido acesso às interceptações telefônicas, que estariam sob posse dos investigadores da DHPP.
Mandantes
Além de Deijair, o inquérito identificou outros suspeitos de serem mandantes do massacre. São eles, Noé de Paula Moreira, 34; seu irmão Misael de Paula Moreira, 26; Auricélio Sousa Freitas, 35; e Zaqueu Oliveira da Silva, 36. Segundo a Polícia, Noé Moreira já estava preso no Instituto Penal Professor Olavo Oliveira (IPPOO II), cumprindo pena de 16 anos, pelo cometimento de um homicídio, no bairro Antônio Bezerra. Misael Moreira, que também foi condenado pelo assassinato, continua foragido.

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