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O padrão moral do governo de Bolsonaro



Da Coluna Política, no O POVO desta quarta-feira, assinada pelo jornalista Érico Firmo, o tópico “O padrão moral do governo Bolsonaro’. Confira:

Opções extremas se viabilizam em épocas de crise e Jair Bolsonaro (PSL) se tornou presidente devido à crise ética que varreu a política brasileira. A sucessão de escândalos gradualmente minou todo o sistema político tradicional. O hoje presidente, a despeito de estar lá há bastante tempo, apresentou-se como diferente disso tudo. A perspectiva de mudança, de novo padrão ético, elegeu Bolsonaro. A sinalização era de postura implacável, com punição doa a quem doer. Esse comportamento tem como preço a cobrança redobrada contra quem o pratica. O PT também era arauto da moralidade e, no governo, não entregou a mercadoria que vendeu.
Ontem, fez três semanas desde que Bolsonaro tomou posse. Deu tempo de perceber que o rigor do candidato não é o do presidente.
Desde antes da posse, desenrola-se o cada vez mais enrolado caso de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), senador eleito e filho mais velho do presidente. Oficialmente, é tratado como problema de Flávio. Na prática, ele é filho de Bolsonaro. Difícil fazer essa separação de forma absoluta.



Da Coluna Política, no O POVO desta quinta-feira (10), pelo jornalista Érico Firmo:
Atentados criminosos persistiram ontem pelo Ceará, mas com muito menos força. Houve duas estratégias emergenciais de enfrentamento às facções criminosas. A primeira é o policiamento ostensivo e a repressão aos atos criminosos. A segunda é, ao mesmo tempo, reação e estopim da onda de violência. Trata-se da ação dentro dos presídios, para impedir que detentos continuem a cometer crimes. Os canais de comunicação com o exterior são cortados e líderes são enviados para fora do Estado. Como resposta imediata, as ações são as corretas. Como solução de longo prazo, o poder público precisará ir além.
Qualquer iniciativa contra o crime organizado, para ter sucesso, passa necessariamente por cortar os canais de financiamento do crime. Enquanto correr dinheiro, as pessoas aceitarão correr riscos. A boa notícia é que, tanto no governo Jair Bolsonaro (PSL) quanto na administração Camilo Santana (PT), há sinalizações nessa direção. O lado ruim é que o discurso não é novo. Precisa virar ação.
Nesse aspecto, Sergio Moro pode se revelar a pessoa certa para momento tão crítico. A experiência no combate à lavagem de dinheiro pode se revelar providencial nesse enfrentamento. O ex-juiz chegou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública como referência – polêmica que seja – de combate à corrupção. Porém, pode usar os conhecimentos nessa trincheira, um tanto improvável.
Sufocar o financiamento das facções é tarefa talvez menos complexa que o segundo passo indispensável para desmontar as facções: evitar o recrutamento de membros, basicamente jovens das periferias. Essa missão está absolutamente atrelada à outra: o fato de as facções terem dinheiro atrai novos membros e o fato de terem integrantes permite que ganhem mais e mais dinheiro.

Eleições 2018 – Candidatos ao Governo devem focar discurso em segurança, saúde, emprego e recursos hídricos



Da Coluna do Eliomar de Lima, no O POVO desta terça-feira:
Os grandes partidos do Ceará já têm em mãos pesquisas que deverão balizar os discursos da futura campanha eleitoral para o Governo. Nenhum revela detalhes, mas vazou um dado significativo, que, sem sombra de dúvida, vira munição para os senhores marqueteiros: o que espera o eleitor cearense do próximo ocupante do Palácio da Abolição e o que lhe causa preocupação.
Bem, quatro temas apareceram em todos os levantamentos na seguinte ordem: segurança pública, saúde, geração de emprego e renda e recursos hídricos. No Estado que registra números elevados de homicídios, com problemas constantes na rede pública hospitalar, sem chance de emprego principalmente para a juventude, tendo que conviver com seca, ninguém se espante se o eleitorado ouvir, mais uma vez, na propaganda gratuita, promessas de correção de rumos nessas áreas.

CNI exclui o PT da apresentação de sua pauta para os presidenciáveis


03 DE JUNHO, TERÇA-FEIRA
Da Coluna do Eliomar de Lima, no O POVO desta terça-feira:
A Confederação Nacional da Indústria promoverá, nesta terça e quarta-feira, em Brasília, o seu XI Encontro Nacional da Indústria. O objetivo é avaliar o cenário político-econômico do País, mas, principalmente, apresentar e entregar uma pauta com 43 itens aos pré-candidatos a presidente da República.
No conteúdo, segundo os representantes da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) nesse evento, Jorge Parente e Roberto Macedo, apelos por reformas tributária, previdenciária e política e uma futura gestão que invista em projetos sociais e estruturantes e que possam fazer o País retomar, nos próximos quatro anos, ao crescimento em todos os sentidos.
A CNI convidou para o encontro Jair Bolsonaro (PSL), Marina da Silva (Rede), Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Henrique Meirelles (MDB) e Álvaro Dias (Podemos). Não, não há convite para o PT. Isso porque o principal nome do partido ao Planalto, Lula, está preso em Curitiba (PR).
(Foto – Reprodução de TV)

Pimentel quer reeleição ao Senado e reage contra “acordão”



06 DE JUNHO, QUARTA-FEIRA
Da Coluna Eliomar de Lima, no O POVO desta quarta-feira (6):
Ele reage diante da possibilidade de um acordo entre o governador Camilo Santana (PT), os Ferreira Gomes e o MDB do senador Eunício Oliveira. “Eu já estou há 24 anos no parlamento e continuo à disposição do nosso partido”, afirma o senador.
Indagado se teria espaço para viabilizar esse objetivo, reage: “Isso é uma discussão daqueles que controlam a política no estado do Ceará. Se eu dependesse deles, não seria nem eleito a síndico de prédio porque a minha primeira campanha, em 1994, quando fui eleito deputado federal, o meu partido apoiou na convenção o nome de Mário Mamede para ser vice de Tasso Jereissati. Isso não é novidade”.
Perguntado se teria votos para o embate, devolve: “Vamos trabalhar”!
Pimentel integra a ala no PT da deputada federal Luizianne Lins que já informou ter a direção nacional da sigla definido que, onde o PT tiver senador, brigará para manter essa vaga.
Camilo vai ter trabalho com sua ceia larga.

MP do Ceará e TCU fecham parceria contra a corrupção



Da Coluna do Eliomar de Lima, no O POVO desta quarta-feira:
Nestes tempos de luta contra a corrupção, um convênio importante acaba de ser fechado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), por meio do Conselho Nacional do Ministério Público, com o Tribunal de Contas da União (TCU), órgão que fiscaliza gestores públicos que recebem verbas federais. O MP cearense terá acesso remoto ao Laboratório de Informações de Controle (LabContas), um banco de dados do TCU.
“Teremos o total acesso às informações que são apuradas pelo tribunal, que serão fontes extraordinárias para a investigação de desvios de dinheiro público. Isso contribuirá diretamente para fortalecer as ações da Procap (Procuradoria dos Crimes contra Administração Pública) e de todos os promotores de Justiça que atuam na área da improbidade administrativa e em crimes contra a gestão pública”, avisa o procurador-geral de Justiça, Plácido Rios.
Esse acordo permitirá, também, que as unidades e ramos do MP forneçam dados de interesse fiscalizatório, notadamente aqueles relativos às ações de investigação de pessoas físicas e jurídicas no âmbito do Ministério Público em razão da prática de improbidades. Ou seja, cada vez mais, o cerco contra quem quer ser eleito para roubar, vai ficar fortalecido

Tasso, o isolamento e o general forasteiro



Atualizado, às 09:57
Da Coluna Política, do jornalista Henrique Araújo, no O POVO desta terça-feira:

Comunicada ontem, a ida de Domingos Filho (PSD) para a base de Camilo Santana (PT) tem dois efeitos práticos – ambos devastadores para a oposição ao petista no Ceará. Um, fortalecer a reeleição do governador, cujo leque de partidos aliados cresce à medida que o pleito se aproxima. O segundo: ofuscar o lançamento do candidato adversário General Theophilo. Foram dois coelhos com uma cajadada só.
Apenas oito meses depois de perder a batalha que travou com o grupo dos Ferreira Gomes contra a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Domingos volta ao seio do governismo. O retorno, cedo mas não inesperado, isola Tasso Jereissati (PSDB), que já havia amargado deserção de Eunício Oliveira (MDB), e cria dificuldades extras para o postulante tucano, que agora tem de se virar sem os ex-parceiros.
Não deve ter sido uma decisão das mais fáceis para Domingos. Em dezembro de 2016, o então presidente do TCM patrocinava uma manobra atabalhoada: o apoio indireto ao deputado estadual Sérgio Aguiar (PDT) na disputa pelo comando da Assembleia Legislativa do Estado. Derrotado, o que se seguiu foi uma blitzkrieg palaciana que não deixaria pedra sobre pedra e cujo desfecho seria o fim do TCM e o ostracismo do próprio Domingos, além da captura de figuras-chave da oposição pelo Abolição, como o deputado Audic Mota (MDB).
A adesão do ex-presidente do TCM ao “cidismo” encerra ainda uma novela cujo enredo se arrastou até outubro do ano passado, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) finalmente pôs fim à querela da extinção do TCM, rejeitando por 8 votos a 2 pedido de liminar que defendia a manutenção da Corte de Contas.
De lá pra cá, a oposição no Ceará acumula derrotas em série. Desidratada, vê-se hoje reduzida a vozes solitárias. A demora na urdidura de uma estratégia eleitoral e no lançamento de um nome, combinada à inexpressividade do candidato finalmente escolhido (um forasteiro, a bem dizer), pressagia cenário de estiagem para o bloco oposicionista.
Tasso, que agora reclama de isolamento, tem parcela de culpa nisso. Houvesse acolhido o desejo de seus aliados de que ele mesmo entrasse na disputa contra Camilo, o cenário talvez fosse outro. O tucano, porém, tinha planos mais ambiciosos, entre os quais a briga pela presidência do PSDB. Ao fim da refrega nacional, porém, acabou destituído por um debilitado Aécio Neves. E agora assiste ao esfacelamento do seu grupo. Definitivamente, 2017 não foi um bom ano para o “galego”. E 2018 se mostra, no mínimo, desafiador.
Coluna O POVO

A condenação de Lula e um País dividido



Coluna do Eliomar de Lima, no O POVO desta quinta-feira:
Independente do resultado de ontem do julgamento do ex-presidente Lula pelos senhores magistrados do Tribunal Regional Federal, da 4ª Região, em Porto Alegre – veio a condenação esperada de Lula – 3X 0, tem-se uma certeza inconteste: o País continua e continuará dividido entre um misto de razão, emoção e paixões.
O que se observou do cenário das últimas horas foi a mesma manifestação pós-condenação do ex-presidente pelo juiz Sergio Moro por crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. De um lado, os defensores intransigentes, ou não, do petista; de outro, aqueles que um dia saíram às ruas em clima de panelaço, mas acabaram intimidados pelo dia seguinte vislumbrado: a Era Temer.
Os desdobramentos jurídicos, sem dúvida, pós-TRF-4, continuarão, sob o mantra petista de que pleito sem Lula é fraude. Espera-se que, mesmo diante desse quadro complexo politicamente onde Lula acabou, pelo resultado, inelegível, o País, como um todo, possa marchar de espírito desarmado em todos os sentidos. Em nome da jovem democracia brasileira.
Aliás, torcer por isso não é pecado. Nem deixa a cara vermelha.

Nem tudo que é legal é moral?



Com o título “A Justiça e a lei”, eis tópico da Coluna Política, do O POVO desta terça-feira, assinada pelo jornalista Érico Firmo. Confira:
O POVO mostrou ontem que 329 magistrados do Ceará recebem acima do teto constitucional. Ou seja, acima de R$ 33,7 mil. Os magistrados consideram que estão dentro da lei. Há controvérsia. Vá lá que estejam.
O Brasil discute hoje reforma da Previdência porque o País está quebrado e a culpa seria dos aposentados. Gente que começou a trabalhar aos 15 anos de idade e se aposenta aos 55 após 40 anos de trabalho estaria inviabilizando a economia.
As aposentadorias, ninguém discute, estão dentro da lei. Mas, devem mudar em função do argumento de equilibrar as finanças públicas. A questão que coloco: é justo? Mesmo que seja legal, é correto?

Deputado diz que PEC de Brasília não vai atrapalhar aprovação da PEC que extingue o TCM do Ceará

O Senado aprovou em primeiro turno a PEC que mantém os tribunais de contas no País. No Ceará, tramita na Assembleia Legislativa uma nova emenda, de autoria do deputado Heitor Férrer (PSB), extinguindo o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). O deputado estadual João Jaime (DEM), comentando a aprovação da PEC, de autoria do senador Eunício Oliveira, disse, nesta quarta-feira, que isso não evitará a aprovação da emenda de Heitor e, consequentemente, a extinção do TCM. Ele diz que aqui a votação da matéria ocorrerá primeiro do que a emenda que tramita no Congresso. João Jaime prevê a aprovação da PEC de Heitor Férrer em junho próximo. Ele lembrou que só quatro Estados no País tem dois tribunais e o Ceará, um estado pobre, precisa promover a fusão do TCM com o TCE em nome da economia, sem problemas para o processo de fiscalização. “O Estado do Ceará não precisa de dois tribunais. Precisa de um tribunal eficiente e que faça seu papel de fiscalização”, reforçou João Jaime.

Abaixo o terror



Da Coluna Vertical, no O POVO desta quinta-feira (20):
Em março de 2016, o então secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Estado, Delci Teixeira, enfrentou o terror provocado por grupos criminosos. Eles incendiaram ônibus, como ocorreu nessa quarta-feira em Fortaleza, mas ousaram: metralharam delegacias, prédio da Sejus, o prédio da Guarda Municipal e tentaram instalar o medo. Na época, veio a Força Nacional.
Pela apuração das autoridades, tudo partia de dentro dos presídios, iniciando-se uma desmobilização das facções.
O quadro, no entanto, reaparece agora sob o mando do secretário André Costa (SSPDS), que apregoa destemor e unidade da tropa. A população, atônita, espera ação enérgica e rápida da parte do governo. Antes que, como no ano passado, haja necessidade de chamar a Força

Modelo de gestão privada nos presídios nasceu no Ceará


Da Coluna Política, no O POVO desta terça-feira (17), pelo jornalista Érico Firmo:
A crise nos presídios se espalha como reação em cadeia pelo Brasil, desencadeada a partir da tragédia em Manaus. Praticamente tudo que se tem tentado como forma de gerir o sistema tem dado errado. Mas nenhum, até agora, deu tão errado, provocou tantos estragos e, ainda mais, a custo tão elevado. O modelo de gestão de presídios que permitiu a tragédia de Manaus já foi adotado no Ceará. O grupo econômico que administrava os presídios amazonenses já respondeu pelas penitenciárias cearenses. Saiu por ordem da Justiça. A mesma concepção gerencial, muitas das mesmas pessoas. As mesmas relações de proximidade com o poder. De certa maneira, o modelo nasceu no Ceará.
Os gestores do Estado, à época, evitavam falar de privatização, de terceirização. Preferiam co-gestão. Presumia divisão de atribuições. Funcionava assim: o governo pagava e as contratadas executavam. O modelo foi adotado na Penitenciária Industrial Regional do Cariri (PIRC), na Penitenciária Industrial Regional de Sobral (PIRS) e no Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira (IPPOO 2).
A gestão privada começou em 2001. Era o último governo de Tasso Jereissati (PSDB). Em 2002, a Companhia Nacional de Administração Prisional Ltda (Conap) entrou na administração. Tasso tinha saído do governo para disputar o Senado. Em seu lugar, assumiu Beni Veras (PSDB). Lúcio Alcântara era o candidato governista à sucessão estadual. Sua ascendência era crescente no Cambeba, então sede do poder no Ceará. A contratação foi sem licitação.

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