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Antes que a noite se estenda



Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (14):

Enquanto o contraditório não for considerado crime de lesa-pátria, é preciso aproveitar os últimos raios de luz da democracia para deixar o testemunho às futuras gerações sobre os prenúncios dos tempos bárbaros que se aproximam. Caso se confirmem, elas já estarão, certamente, experimentando seu amargor.
Em primeiro lugar, deixar claro que o resultado destas eleições foi pré-fabricado, como entende grande parte dos analistas. Ele seria outro, com todas as probabilidades, se a candidatura Lula não tivesse sido indeferida ilegalmente (à custa de uma farsa jurídica, segundo a denúncia de mais de uma centena de juristas nacionais e estrangeiros) e o entendimento da própria ONU. O ex-presidente era líder inconteste das pesquisas eleitorais, até enquanto elas não foram impedidas, arbitrariamente, de mencioná-lo. Lula, assim, terá todo o direito – Continue lendo

Eleição: não haverá substituto



Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (29):
O cenário político brasileiro sofreu um “freio de arrumação” com a decisão tomada pelo ex-presidente Lula de levar sua candidatura até o fim, seja qual for o resultado do seu registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no próximo dia 15 de agosto. O pedido de registro será testemunhado por milhares de apoiadores em Brasília.
Se vetado, ele lançará mão de todos os recursos legais a que tem direito, inclusive depois de 17 de setembro, último prazo dado pela Justiça Eleitoral para mudar o candidato de uma chapa eleitoral. Isso significa que não haverá mais a estratégia ambígua, defendida por alguns, de indicar um substituto de última hora para receber eventual transferência de votos do dirigente petista.

Frente única antifascista



Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (1º):
A reação da opinião pública democrática aos atentados contra a caravana do ex-presidente Lula à Região Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) acendeu a luz amarela para quem vinha ignorando o perigo fascista no Brasil.
De repente, o monstro tirou a máscara e se revelou em toda sua hediondez e selvageria. Os liberais e certos segmentos da elite econômica e seus porta-vozes (que imaginaram manipular o “gênio do mal” e, depois, fazê-lo voltar para a garrafa, após o serviço sujo do impeachment fajuto) já se deram conta de que não será nada fácil.

Bolsonaro já propôs matar FHC e mais 30 mil brasileiros



Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (19):
Na última quinta-feira, em palestra nos EUA, FHC reconheceu a possibilidade de o Brasil repetir a experiência italiana depois da Operação Mãos Limpas e eleger um presidente de direita similar a Silvio Berlusconi, na esteira da Lava Jato. Na verdade, seria muito pior, pois reconheceu que a direita a que se refere é formada por “pessoas perigosas”.
FHC prosseguiu: “Um dos candidatos propôs me matar quando eu estava na Presidência. Na época, eu não prestei atenção. Mas hoje eu tenho medo, porque agora ele tem poder, ainda não, ele tem a possibilidade do poder”.
De fato, em entrevista à TV Bandeirantes, em 1999, Bolsonaro afirmou que seria impossível realizar mudanças no Brasil por meio do voto. “Você só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez. Matando 30 mil, e começando por FHC”.
O candidato extremista já teria sido flagrado, outras vezes, repetindo essa possibilidade de correr sangue, se houver resistências às suas medidas autoritárias – segundo apontam observadores nacionais e estrangeiros. As manifestações que o acompanham têm sido comparadas às da ascensão dos nazistas.
O lema de sua campanha é: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. É o mesmo dístico dos nazistas: “Alemanha acima de tudo” (Deutschland über alles), só que acrescido da referência a Deus para atrair setores conservadores evangélicos. Sabemos em que deu isso.

Confissão tardia

Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (23):
Um ano depois do golpe promovido pela aliança entre o capital financeiro (interessado na mudança do modelo sociodesenvolvimentista e nacional) e segmentos políticos golpistas, interessados em barrar a Operação Lava Jato para se livrarem da cadeia, o País assiste à confissão pública do principal beneficiário da armação: Michel Temer.Ele confirmou o que já se sabia: o impeachment foi pura obra de vingança do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, irritado com o fracasso da chantagem sobre Dilma para que ela obtivesse do PT os três votos necessários para livrá-lo da condenação no Conselho de Ética. A entrevista de Temer foi dada ao SBT, no último dia 15. Ou seja: toda aquela conversa fiada de “pedaladas fiscais” foi um engodo para justificar o assalto ao poder, de forma fraudulenta.A defesa de Dilma já entrou com recurso no STF para anular o impeachment farsesco. O senso de justiça exige não só que o impeachment seja desfeito, mas, os autores da fraude processados.As principais forças interessadas na derrubada do governo brasileiro – Departamento de Estado americano; capital financeiro e rentistas brasileiros – agiam há muito tempo. Os EUA, movidos por razões geopolíticas, estavam interessados em fragilizar o Brics (do qual fazem parte Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) para isolar a Rússia.Ora, desestabilizar o Brasil – aliado russo nesse projeto – era essencial. O País, por seu grande potencial econômico e sua política externa independente (desenvolvida por Lula e fortalecida pelo pré-sal) contrariava os americanos, em termos de mercado e de protagonismo diplomático (remember acordo atômico com a Turquia). Sobretudo, na América Latina, África e países árabes (indústria de armas).Urgia aos americanos, também, desbancar os governos progressistas (e insubmissos) do continente. Nessa brecha entrou o capital financeiro, articulado mundialmente, para impor o modelo neoliberal, favorecer o rentismo e a especulação, em detrimento da produção. Sempre em aliança com segmentos rentistas brasileiros, que nunca se interessaram por um projeto de nação para o Brasil. Querem apenas ganhar dinheiro: essa questão de “pátria”, “nação” é considerada por eles “atraso”. Pouco se lixam para isso.Os grandes financistas nativos sempre foram contra a Petrobras, a formação de empresas estratégicas nacionais e o fortalecimento do mercado interno – elementos essenciais para garantir a soberania nacional e espaço próprio no cenário internacional. Querem um País “cucaracha”, como o desenhado pelas elites do México (não por seu bravo povo). Isto é: submisso a Washington.

Lula ressurge mais forte



Da Coluna Valdemar Menezes, no O POVO deste domingo (20):
A última pesquisa CNT/MDA, divulgada na quarta-feira, 15, coloca Lula como o nome mais forte para as eleições presidenciais de 2018. Sua liderança nos seis cenários desenhados pela pesquisa, no primeiro e segundo turnos não deixa dúvidas.
Quando os candidatos são nominados, o ex-presidente fica em primeiro lugar com 30,5%. No voto espontâneo, lidera com 16,6%. O resultado deixou o establishment apavorado. O candidato mais próximo, Jair Bolsonaro, está muito distante dele, com 11,3% (tecnicamente empatado com Marina, 11,8%), e, na espontânea, com 6,5%. Ademais, Bolsonaro é um nome da extrema direita troglodita, sem nenhuma experiência administrativa e que, provavelmente, iria afundar ainda mais o Brasil, seja economicamente, pois seu modelo de economia, pelo que se prenuncia, não se diferenciaria do mesmo neoliberalismo que desgraça o Brasil atualmente; e o seu modelo político teria tudo para atirar o País na convulsão social e na ditadura (da qual ele é defensor).
As pessoas que apoiaram o impeachment fajuto estão descobrindo que caíram num logro. Anseiam pela volta dos tempos felizes de crescimento de renda e emprego. Convencem-se, cada vez mais, de que o único nome capaz de tirar o País do buraco e fazê-lo progredir novamente é Lula.
O proponente presidencial mais próximo do programa do ex-presidente é Ciro Gomes – que já lançou pré-candidatura pelo PDT, semana passada. Ele também é contrário ao modelo recessivo e antinacional implantado pelo golpe. O que se espera, daqui para frente, é o encarniçamento da campanha de perseguição a Lula, procurando condená-lo, mesmo sem provas convincentes. É a forma de impedir uma candidatura imbatível.

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