A escalada contínua do dólar, somada à inflação nacional, cuja estimativa para este ano subiu de 3,35% para 3,5%, vem pressionando cada vez mais para cima os preços de diversos itens consumidos diariamente pelo brasileiro, desde alimentos e medicamentos a produtos eletroeletrônicos e combustíveis.
Na última quinta-feira (17), a moeda norte-americana fechou a R$ 3,70, atingindo o maior valor registrado desde março de 2016. Do dia 2 a 18 de maio, acumulou alta de 5,6% ou R$ 0,20, saltando de R$ 3,54 para R$ 3,74.
Em decorrência da valorização da moeda norte-americana, desde o início deste mês, o preço do pão francês nas padarias do Ceará aumentou 10%, em média. Hoje, o preço do quilo do pão carioquinha tem variado de R$ 9 a R$ 15, sendo R$ 12 o valor médio.
O reajuste, segundo o presidente do Sindicato das Indústria de Panificação e Confeitaria do Ceará (SindPan), Ângelo Nunes, se deve à instabilidade do dólar e especialmente à quebra da safra do trigo na Argentina, um dos principais fornecedores do insumo para o Brasil. "Devido a problemas climáticos, a Argentina perdeu quase metade da safra de trigo dela. E, como o trigo para fazer a farinha aqui no Brasil é importado, é cotado em dólar".
Com a baixa na quantidade de trigo fornecido pela Argentina, é necessário buscar o produto a preços mais elevados no Canadá e nos EUA. "Tem a questão do frete, devido a distância e as taxas de importação", contabiliza Nunes.
Sobre a diferença de preços do pão francês praticados no Ceará, ele diz que se deve à composição de custos arcados por cada estabelecimento. "O preço depende muito da localização de cada loja. Existem algumas climatizadas, com atendimento diferenciado e outras padarias em periferias, onde o trabalhador mora perto, vai almoçar em casa e não recebe vale transporte", diz. Todos estes fatores, arremata, impactam diretamente no preço final dos produtos.