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CE inaugura vara contra crimes ambientais com mais de 2 mil processos tramitando

A partir desta quinta-feira (26), a Justiça do Ceará deixa de tratar crimes e conflitos ambientais como demandas secundárias de varas comuns. Com a instalação da Vara Estadual do Meio Ambiente (Vema), processos sobre desmatamento, poluição e licenciamentos irregulares – que antes tramitavam de forma dispersa – passam a ser concentrados em uma estrutura única e especializada.

A nova unidade, cuja aprovação ocorreu em outubro de 2025, é fruto de um estudo de reestruturação do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), o qual identificou que a fragmentação dessas ações em diversas comarcas prejudicava a celeridade das decisões.

A cerimônia de instalação da Vema ocorre nesta quinta-feira (26), às 9h30, no Fórum Clóvis Beviláqua (FCB), em Fortaleza. Para o órgão, a unidade reforça a atenção às questões ambientais e fortalece a atuação do Poder Judiciário na proteção dos recursos naturais.

A Vema assume a responsabilidade por todo o território estadual, buscando responder aos desafios da área de Direito Ambiental. Ela poderá analisar, entre outros assuntos:Dano Ambiental e Dano Moral Coletivo Ambiental
Mudanças Climáticas
Licenciamento e Multa Ambiental
Inspeção Fitossanitária
Flora e Fauna
Transgênicos, Agrotóxicos e Produtos Controlados/Perigosos
Reserva Legal, Unidade de Conservação e Área de Preservação Permanente
Recursos Hídricos, Saneamento e Mineração
Zoneamento Ecológico-Econômico e Zona Costeira
Patrimônio Cultural



O acervo inicial da unidade já é robusto, reunindo cerca de 2.229 processos, de matérias simples a temas de alta complexidade. Desse total, segundo o TJCE, 873 casos (cerca de 40%) já foram catalogados por temas específicos, abrangendo questões para o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação.

MEIO AMBIENTE: Centenas de macacos foram avistados entre Piquet Carneiro e Acopiara no centro-sul do Ceará

MEIO AMBIENTE: Nas últimas semanas Acopiara no centro-sul do Ceará foi impactada com vários indícios de incêndios, as queimadas continuam prejudicando a população tanto da zona rural como da cidade.


GRAVE: Nas últimas semanas, Acopiara tem enfrentado um aumento preocupante de queimadas, trazendo prejuízos ao meio ambiente e impactando diretamente a qualidade do ar e a sensação de calor na região. É essencial que a população s

e conscientize sobre os riscos e consequências dessas práticas, adotando atitudes responsáveis e colaborando para a preservação ambiental. Cada ação conta, e somente com o esforço coletivo poderemos proteger nossa cidade, reduzir danos e garantir um futuro mais equilibrado para todos.

BHP, acionista da Samarco, é condenada pela Justiça inglesa em processo sobre rompimento de barragem em Mariana Ação tem cerca de 620 mil autores, incluindo pessoas, comunidades, municípios, igrejas e empresas, que reivindicam aproximadamente R$ 230 bilhões em indenizações. A tragédia de Mariana é o maior desastre socioambiental registrado no Brasil.

A Justiça inglesa considerou a BHP, uma das acionistas da Samarco, responsável pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, o maior desastre socioambiental já registrado no Brasil.

A decisão que condenou a mineradora anglo-australiana pela tragédia foi divulgada pelo Tribunal Superior de Londres na manhã desta sexta-feira (13). O valor das indenizações que a empresa terá de pagar ainda será definido em outro julgamento, previsto terminar em outubro de 2026.

A mineradora informou que pretende recorrer da decisão (saiba mais abaixo). A Vale, também acionista da Samarco junto com a BHP, responde a processos no Brasil pelo desastre, mas não faz parte da ação julgada no Reino Unido.

A decisão do tribunal britânico concluiu que a BHP tem responsabilidade direta pelo desastre de Mariana. A empresa foi considerada responsável objetiva, ou seja, deve responder pelos danos ambientais e sociais causados pelo rompimento da barragem, independentemente de culpa, por estar ligada à atividade poluidora.

Além disso, foi apontada negligência grave, pois ignorou alertas técnicos, não realizou estudos essenciais e permitiu que a barragem continuasse sendo elevada mesmo diante de sinais claros de risco.

Em resumo, a Justiça entendeu que a BHP tinha controle e influência sobre a operação e falhou em prevenir um colapso que poderia ter sido evitado.

Atualmente, a ação tem cerca de 620 mil autores, incluindo pessoas, comunidades, municípios, igrejas e empresas, que reivindicam aproximadamente R$ 230 bilhões em indenizações.

O que diz a mineradora

Em nota, a BHP informou que vai recorrer da decisão da Justiça britânica e reafirmou seu compromisso com a reparação no Brasil.

Desde 2015, BHP, Vale e Samarco já destinaram cerca de US$ 13,4 bilhões para reparação e compensação no Brasil, incluindo um acordo firmado em 2024 com autoridades brasileiras no valor de R$ 170 bilhões (US$ 32 bilhões). Mais de 610 mil pessoas foram indenizadas, entre elas cerca de 240 mil que também participam da ação no Reino Unido.

(*) G1

Meio Ambiente Fazendas ilegais de gado devastam áreas protegidas na Amazônia


A pecuária em fazendas ilegais devastou áreas da Amazônia, localizadas no estado do Pará, que deveriam ser protegidas para garantir a subsistência de pequenos agricultores e dos povos indígenas. É o que revela o relatório Gado Sujo, lançado neste mês de outubro pela Human Rights Watch (HRW). A análise de documentos oficiais mostrou ainda que as fazendas conseguiram comercializar o gado ilegal, colocando-o na cadeia produtiva de carne no país.

O documento detalha ainda como fazendeiros se apropriaram ilegalmente de terras, segundo a legislação brasileira, e devastaram os meios de subsistência dos agricultores do projeto Terra Nossa e da Terra Indígena Cachoeira Seca, afetando seus direitos à moradia, à terra e à cultura. De acordo com a entidade, o resultado é uma enorme pressão da pecuária ilegal sobre as comunidades locais.


“Por meio da análise de diversos documentos oficiais, descobrimos que as fazendas ilegais no Terra Nossa e na TI Cachoeira Seca estão vendendo gado para fazendas intermediárias”, relatou Luciana Téllez Chávez, pesquisadora da HRW.

As intermediárias, por sua vez, vendem para grandes frigoríficos.

Quando foi criado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em 2006, o PDS Terra Nossa tinha uma vasta floresta tropical, onde os pequenos agricultores colhiam castanhas e frutas para vender nos mercados locais.


“Agora, quase metade do projeto foi transformado em área de pastagem por grileiros. No total, três quartos da área do assentamento são ocupados ilegalmente.”


Os pequenos agricultores tentaram resistir, mas sofreram retaliações violentas por parte dos grileiros denunciados pelas atividades ilegais. “Desde 2019, quatro pessoas foram mortas, logo depois de se expressarem contra as invasões e uma liderança comunitária sobreviveu a uma tentativa de assassinato”, contou Luciana, afirmando que o governo federal está ciente das fazendas ilegais dentro do território de Terra Nossa, mas ainda não as removeu.

O Incra informou, em nota, que está realizando uma “supervisão ocupacional no assentamento Terra Nossa”. Segundo o órgão, há mais de 50 ações na Justiça Federal visando à retomada de áreas ocupadas irregularmente, sendo a maioria com liminar a favor da autarquia.

As comunidades tradicionais da Terra Indígena (TI) Cachoeira Seca caçam na floresta, pescam nos rios e coletam produtos florestais para vender nos mercados locais. No entanto, as atividades foram prejudicadas pelo aumento de invasões e das fazendas de gado ilegais instaladas naquele território.


“Vários residentes indígenas nos disseram que não vão muito longe de suas aldeias, porque são superados em números pelos grileiros. Isso está dificultando sua capacidade de transmitir seu conhecimento tradicional sobre a floresta às gerações mais jovens e colocando em risco os seus meios de subsistência”, disse a pesquisadora.

O governo federal, apontou Luciana, tem a obrigação legal de remover os ocupantes não indígenas da TI Cachoeira Seca. “Mas quase 10 anos desde sua homologação ainda não o fez. As histórias [dessas comunidades] mostram que, sem combater a impunidade por essas ilegalidades, é extremamente desafiador criar espaço para que uma bioeconomia prospere na Amazônia”, disse a pesquisadora.
Desmatamento

Os dados reunidos no relatório apontam a necessidade e a urgência de zerar o desmatamento na região amazônica, com estratégias equitativas e que considerem o saber das pessoas que vivem ali milenarmente. A avaliação é da diretora adjunta de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Patrícia Pinho.

“O relatório da Human Rights Watch traz a evidência de que o [PDS] Terra Nossa e a [TI] Cachoeira Seca não são uma exceção. Infelizmente, é uma realidade que permeia todo o tecido social e ecológico da floresta”, disse, sobre as violações de direitos e ilegalidades presentes nos territórios amazônicos.

Ela ressaltou que a ciência já tem mostrado que, na ausência de ações de mitigação de impactos e de adaptação global, o que se esperava para acontecer na Amazônia, a partir de 2040 e 2050, já está sendo materializado na região nos dias atuais.


“De uma perspectiva indígena e da população tradicional, um ponto de não retorno ecológico e social já está acontecendo”, disse Patrícia.

Diretor da HRW no Brasil, César Muñoz destacou a importância da COP30, que ocorrerá no Pará, para discussão sobre os combustíveis fósseis e uma transição energética justa que proteja os direitos humanos. “O aumento da temperatura e as mudanças do clima estão afetando os direitos à vida, à saúde e à alimentação da população na Amazônia, no Brasil e no mundo”, disse.

“Precisamos de ação. Na COP29, não houve acordo sobre a eliminação gradual de combustíveis fósseis e não houve progresso significativo em direção à limitação do aumento da temperatura em 1,5° C, que foi a meta estabelecida em Paris”, lembrou. Para ele, os planos climáticos nacionais apresentados na cúpula climática precisam ser concretos, com cronogramas para que atinjam suas metas.
Recomendações

O mecanismo de rastreabilidade para o gado é uma medida fundamental no país, recomenda a organização. “Isso tornaria muito mais difícil para fazendas ilegais, como as do Terras Rurais e da TI Cachoeira Seca, cometerem fraudes”, avaliou Luciana, pesquisadora da organização internacional. Ela ressalta a importância de que todos os estados adotem a medida, porque “a lavagem de gado não é limitada por fronteiras estaduais e precisa de uma solução federal.”

O Ministério da Agricultura anunciou, em 2024, que exigiria de todos os estados brasileiros a implementação de sistemas de rastreabilidade, mas eles teriam até 2032 para isso. “Considerando os alertas de que estamos próximos de atingir o ponto de não retorno, é preciso perguntar se a Amazônia brasileira pode esperar até lá”, alertou a pesquisadora.

Outra recomendação da entidade é que o governo federal tome medidas rápidas para retomar as áreas ocupadas ilegalmente dentro do PDS Terra Nossa e da TI Cachoeira Seca, entre com ações judiciais contra os responsáveis pelas ocupações e uso ilegais das terras para que reparem o dano causado. Além disso, que desenvolva projetos para restaurar as florestas e apoiar seus meios de subsistência sustentáveis.

Além do Incra, a Agência Brasil solicitou posicionamento da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Ministério da Agricultura e Pecuária, do Ministério dos Povos Indígenas e do Ministério do Meio Ambiente, mas ainda aguarda retorno.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, informou que a demanda deveria ser direcionada a outras pastas.

(*) (*) Agência Brasil

Meio Ambiente Mortes causadas pelo calor podem dobrar e afetar principalmente idosos


O calor é responsável por cerca de 1 em cada 100 mortes na América Latina atualmente, e esse número pode chegar a mais do que o dobro em 20 anos, considerando o ritmo normal de envelhecimento da população e cenários moderados de aquecimento global, entre 1º C e 3º C de aumento para o período de 2045 a 2054. A conclusão é de uma análise de cenários feita em 326 cidades da Argentina, do Brasil, Chile, da Costa Rica, de El Salvador, da Guatemala, do México, Panamá e Peru por uma rede de pesquisadores.

Estimadas hoje em 0,87% do total, as mortes por calor podem chegar a 2,06% no pior cenário.


“As pessoas idosas e as mais pobres são as que mais sofrem. Quem vive em áreas periféricas, em moradias precárias e sem acesso a ar-condicionado ou a espaços verdes terá mais dificuldade para enfrentar ondas de calor cada vez mais intensas. As mortes são apenas a ponta do iceberg. O calor extremo aumenta o risco de infartos, insuficiência cardíaca e outras complicações, especialmente em pessoas com doenças crônicas”, explica Nelson Gouveia, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), um dos autores do estudo.

No Brasil, a participação considerou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do DataSUS e do Censo Demográfico, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim como nos demais países da América Latina analisados, as mortes causadas por eventos climáticos envolvendo temperaturas extremas devem aumentar consideravelmente, tanto para situações envolvendo calor quanto frio. Um fator decisivo é o aumento da população acima de 65 anos na década estimada (2045-2054), que aumenta a população mais afetada por essas doenças.

Os pesquisadores concluíram ainda que é possível impedir parte considerável dessas mortes desde que se inicie a construção e aplicação de políticas de adaptação climática voltadas para o aumento de populações vulneráveis a temperaturas extremas, como planos de ação para períodos de calor intenso e adaptações nas cidades para diminuir a exposição a temperaturas elevadas e mitigar seus efeitos na saúde, de forma acessível aos idosos e a pessoas com deficiências.

Outras medidas apontadas como eficazes são a adoção de sistemas de alerta precoce, com comunicação clara e acessível à população, a expansão de áreas verdes e criação de corredores de ventilação urbana para reduzir ilhas de calor, a educação comunitária sobre os riscos de altas temperaturas e formas de proteção individual e coletiva, além da adoção de protocolos de saúde pública para atendimento prioritário a pessoas idosas e com doenças crônicas, como já implementado no Rio de Janeiro.

O estudo faz parte do projeto Mudanças Climáticas e Saúde Urbana na América Latina (Salurbal-Clima) e reúne pesquisadores de instituições de nove países latino-americanos e dos Estados Unidos. Com duração de cinco anos (2023-2028), o Salurbal busca evidências que relacionam as mudanças climáticas aos impactos na saúde da região.

O estudo completo está disponível na revista eletrônica Environment International (clique aqui).



Economia Brasil reciclou 97,3% das latinhas de alumínio em 2024

Em dia de jogo no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, é comum perceber um sem-número de torcedores que aproveitam os últimos metros antes dos pontos de revista para consumir bebidas nas latinhas de cerveja e refrigerante, itens proibidos de entrar no estádio. Antes mesmo de as pessoas se darem o trabalho de jogar a lata nas lixeiras, praticamente um exército de catadores já recolhe o resíduo.

Esse esforço concentrado dos catadores, muitos deles em situação de vulnerabilidade socioeconômica, faz com que o país alcance, por anos seguidos, nível altíssimo de reciclagem de latinhas. Em 2024, o patamar foi de 97,3%, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (14).

O balanço é da Recicla Latas, associação sem fins lucrativos criada e mantida pelos fabricantes e recicladores de latas de alumínio, que busca aperfeiçoar a indústria de reciclagem. Segundo a instituição, o Brasil alcançou 16 anos seguidos com taxa de reaproveitamento acima de 96%.

Em 2022, o índice chegou a 100,1%, ou seja, no ano foram recicladas mais latinhas do que o número comercializado. Em 2023, o patamar ficou em 99,6%.

No ano passado, foram reutilizadas 33,9 bilhões das 34,8 bilhões de latinhas comercializadas. Depois que vão para o lixo, esses recipientes estão de volta às prateleiras em 60 dias.
Logística reversa

De acordo com o secretário-executivo da Recicla Latas, Renato Paquet, o sistema de logística reversa brasileiro se destaca por sua consistência.


“Mesmo em anos desafiadores, conseguimos manter índices elevados, o que demonstra a força da articulação entre os diversos elos da cadeia”, diz.

A logística reversa, ou seja, fabricantes se responsabilizarem pelo retorno de resíduos gerados por seus produtos, está prevista na Lei 12.305/2010, também chamada de Política Nacional de Resíduos Sólidos.

A Recicla Latas atua em parceria com a Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e a Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas).

A presidente da Abal, Janaina Donas, afirma que o Brasil é referência global em economia circular e que as fabricantes enxergam na reciclagem mais que uma solução apenas ambiental, “mas uma estratégia de competitividade, segurança de suprimento e um caminho essencial para a descarbonização do nosso setor”.

Para o presidente da Abralatas, Cátilo Cândido, trata-se também “de uma cadeia estruturada que gera renda e oportunidades em todas as regiões do país”.
Catadores

O Movimento Nacional dos Catadores estima que o país tenha cerca de 800 mil catadores de materiais recicláveis.

Em 2020, foi firmado um termo de compromissos entre a Abralatas, a Abal e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Além de iniciativas para manter o patamar elevado de reciclagem, o documento determina investimento dos produtores para melhorar a renda e condição de vida dos catadores.

(*) Agência Brasil

Meio Ambiente Pesquisador da Amazônia, brasileiro conquista Nobel do meio ambiente



O antropólogo e professor Eduardo Brondízio, que leciona a disciplina de antropologia ambiental na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e é associado no Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Sociedade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), receberá o Prêmio Tyler 2025, um mais importantes na área ambiental, em nível mundial, conhecido como o Nobel do meio ambiente. A honraria será compartilhada com a ecologista argentina Sandra Díaz.

Brondízio realiza pesquisas sobre a Amazônia há 35 anos e atua como uma voz internacional sobre a importância da valorização das comunidades ribeirinhas e dos povos tradicionais na conservação ambiental e nas políticas de sustentabilidade. Díaz e Brondízio são reconhecidos ainda pela sua atuação na promoção de políticas e ações que integrem a justiça socioambiental.

A cerimônia de premiação está marcada para o dia 10 de abril de 2025, em Los Angeles. O brasileiro e a argentina são os primeiros sul-americanos reconhecidos com o prêmio.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Eduardo Brondízio destaca a importância da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) para a definição de ações concretas para a redução de emissões de gases de efeito estufa. O encontro será realizado em novembro, em Belém.

"As últimas duas COPs não deram o avanço esperado, e os impactos climáticos estão ficando mais aparentes e inegáveis. Internacionalmente, há uma expectativa muito grande nessa COP em poder gerar um acordo mais efetivo para mudar o cenário atual de emissões de gases de efeito estufa, mas, também, de constituir um plano mais amplo para investimentos em adaptações às mudanças climáticas, priorizando as populações mais afetadas", disse.

Mina de urânio em Santa Quitéria pode trazer riscos à água, à biodiversidade e à saúde humana, diz parecer da UFC//QUINTA-FEIRA, 1303, 10H43//


Um estudo técnico de 128 páginas, liderado por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), questiona a segurança do Projeto Santa Quitéria (PSQ), empreendimento que busca explorar uma jazida de urânio e fosfato entre as cidades cearenses de Santa Quitéria e Itatira, nos Sertões de Crateús e de Canindé, respectivamente. O posicionamento contraria a empresa responsável pelo projeto, que divulgou, na última terça-feira (11), que o plano seria “viável”.

A possibilidade da exploração de uma mina de urânio e fosfato nesses municípios do Ceará é avaliada desde 2004, com vários desdobramentos e negativas anteriores ao projeto. Dessa vez, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que o prazo do parecer técnico referente à análise dos estudos ambientais vai até o fim do 1º semestre de 2025.

Um dos documentos avaliados para isso será este parecer que foi elaborado a pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público Estadual (MPCE), após ofício encaminhado à UFC em janeiro deste ano. O trabalho foi entregue em fevereiro por meio do Painel Acadêmico sobre a Mineração de Urânio e Fosfato em Santa Quitéria, com pesquisadores das áreas de Medicina, Biologia, Física, Direito, Serviço Social, Psicologia e Geografia, entre outras.

(*) DN

Governo sanciona lei que autoriza pulverização de agrotóxicos por drones no Ceará

O Governo do Ceará sancionou, nesta quinta-feira (19), o projeto de lei que autoriza o uso de drones para a pulverização de agrotóxicos no estado. O projeto é de autoria do deputado Felipe Mota (União Brasil). A sanção foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta, após aprovação do projeto na Assembleia Legislativa.

O projeto de lei altera a Lei Zé Maria do Tomé, aprovada em 2018 (e sancionada em janeiro de 2019) que proibia a pulverização aérea de agrotóxicos em todo o território cearense. A lei foi sugestão do deputado Renato Roseno (Psol) e co-autoria do atual governador do Ceará, Elmano de Freitas, que era deputado à época.

Apesar de proposto pela oposição, o projeto de lei teve apoio da base aliada do Governo do Estado. A proposta teve 22 votos favoráveis, nove contrários e uma abstenção.

Lei Zé Maria do Tomé

Após a aprovação da Lei Zé Maria do Tomé, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) chegou a ajuizar uma ação contra lei, alegando que seria responsabilidade da União, e não do estado do Ceará, legislar sobre o tema, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a validade da lei.

Com a confirmação, o Ceará se tornou o primeiro estado do Brasil a proibir a prática da pulverização aérea. Desde então, projetos semelhantes foram apresentados em outras unidades da federação, como Pará e Maranhão.

(*) g1 Ceará

Luta de Chico Mendes permanece viva nos 80 anos de seu nascimento

Chico Mendes
Ambientalista

Neste 15 de dezembro, Chico Mendes completaria 80 anos, se em 22 de dezembro de 1988, uma semana depois de fazer 44 anos de idade, não tivesse sido assassinado a tiros de escopeta nos fundos da própria casa, em Xapuri, no Acre (AC), município cravado na Amazônia, região onde o sindicalista e ativista transformou a vida de muitas pessoas, que, como ele, nasceram e viveram na e da floresta.

“Se a gente for olhar pela trajetória de vida do meu pai, com seus 44 anos, jovem e atravessado por tantos desafios, tendo tantas ideias e liderando processos tão complexos e ousados para a época. Se estivesse vivo, eu veria hoje uma Amazônia um pouco melhor de se viver, uma Amazônia mais preservada”, diz Ângela Mendes, a filha de Chico Mendes com a primeira esposa, Eunice Feitosa Mendes.

Nascido no mesmo local de sua morte, Francisco Alves Mendes Filho traçou uma trajetória de vida curta e intensa. Com início duro e de poucas oportunidades no Seringal Porto Rico, onde trabalhou desde os 11 anos de idade, em vez de frequentar a escola.

Só viu oportunidade de transformar a própria realidade nos seringais de condições análogas à escravidão. Até castigos físicos sofreu. Aos 16 anos, foi alfabetizado por Euclides Távora, um militante comunista cearense, refugiado político do governo Getúlio Vargas. Com o conhecimento que o letramento lhe possibilitou, Chico Mendes foi muito além, como recorda o amigo e também militante, Gumercindo Rodrigues, o Guma.

“O próprio Chico dizia, eu pensei primeiro que eu estava defendendo a seringueira, depois eu pensei que eu estava defendendo os seringueiros, que estava defendendo a floresta, de repente eu descobri que eu estava defendendo o planeta, estava lutando pelo planeta”, diz.

Uma luta marcada por inúmeros ‘empates’, uma das primeiras ferramentas usadas por Chico Mendes em suas batalhas diante das constantes ameaças de expulsão. A estratégia, criada pelo também seringueiro, Wilson Pinheiro, garantia a proteção da floresta e das seringueiras, de forma pacífica, por meio da reunião da maior quantidade possível de trabalhadores e suas famílias para ‘empatar’ em número e argumento com os desmatadores e, dessa forma, ‘empatar’, no sentido de impedir, o cumprimento da ordem dada pelos latifundiários.

“Essa prática se tornou bastante forte na região de Brasileia (AC) e foi conduzida com bastante maestria pelo Wilson Pinheiro, a primeira grande liderança de trabalhadores rurais, assassinado dia 21 de julho de 1980. Exatamente por causa de sua grande capacidade de mobilização e de resistência, ele fez parte dessa criação do empate lá atrás”, conta Guma.

Golfinhos em Fortaleza moram na Enseada do Mucuripe e estão ‘em perigo’ de extinção; saiba onde ver

Na Enseada do Mucuripe, em Fortaleza, uma espécie de animal marinho encanta olhares toda vez que dá um tchibum na água: o boto-cinza (sotalia guianensis), ou simplesmente, golfinho. A espécie está presente em todo o litoral cearense, sendo considerada “em perigo” de extinção no Estado, e exige certa distância para a preservação.

Enxergar os golfinhos pode ser algo mais fácil com a reinauguração da Ponte dos Ingleses, que aconteceu na última semana, onde há uma torre de observação para o mar. Foi lá que, recentemente, uma equipe do Diário do Nordeste conseguiu ver os animais durante uma manhã e onde um grupo de pesquisadores, na década de 1990, criou a ONG Aquasis.

O boto-cinza vive por volta de 30 anos e a população permanece na mesma região onde se alimenta e reproduz. A estimativa dos pesquisadores é de que cerca de 60 animais vivam na Enseada do Mucuripe. Por lá, o melhor momento para flagrar os golfinhos é no início da manhã, entre 5h e 7h ou entre 8h e 10h.

Na publicação "Avistagens de boto-cinza (sotalia guianensis) na Enseada do Mucuripe", produzida para os Encontros Universitários da Universidade Federal do Ceará (UFC), há uma lista dos pontos onde é mais fácil ver os golfinhos em Fortaleza: Beira Mar, Praia de Iracema e Píer do Marina Park Hotel.

O estudo é da bióloga Maria Vitória Rocha Alves e do professor universitário Vicente Vieira Faria. Para a elaboração, foi feito um esforço de visualização de 60 horas, registros fotográficos e um levantamento bibliográfico.

A análise foi feita em cinco pontos ao todo, mas deles não foram vistos golfinhos na Praia do Náutico e o Porto do Mucuripe não tem livre circulação. O tempo de efetiva permanência do boto-ci

EDUCAÇÃO ZERO <>>>>> Bombeiros recolhem 23 kg de lixo no mar durante 1 hora de mergulho na Praia do Náutico, em Fortaleza


Mergulhadores do Corpo de Bombeiros recolheram 23,4 quilos de lixo no mar durante uma hora de mergulho no entorno do espigão do Náutico, no Bairro Meireles, em Fortaleza, na tarde de ontem, segunda-feira (1º).

Segundo o Corpo de Bombeiros, 14 mergulhadores participaram da ação. Oito deles foram divididos em duplas e realizaram a busca e recolhimento do material nas proximidades do espigão, com profundidade do paredão que variaram de 2,5 a 6 metros. A operação começou às 14h15, estendo-se até 15h15.

Na ocasião, os agentes recolheram sacos plásticos, garrafas pet, garrafas de vidro, calçados, materiais de natação, pedaços de vestimentas, entre outros objetos. O lixo foi colocado em sacos vazados para serem retirados do ambiente marinho.

A limpeza subaquática faz parte da programação da 60ª Semana de Prevenção do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará, que ocorre até o próximo domingo (7).

(*) g1ce

Fortaleza tem a qualidade de ar mais bem avaliada entre 38 cidades brasileiras <> 09:30 H

Monitor de qualidade do ar instalado na avenida Beira Mar, em Fortaleza Crédito: Yuri Allen/Especial para O Povo

Fortaleza foi a única entre 38 cidades brasileiras a atingiu patamar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) consideram como "boa qualidade" do ar. O resultado consta no 6º Relatório Anual Mundial sobre a Qualidade do Ar, feito pela empresa suíça, IQAir, divulgado no último dia 19. O documento analisou os níveis de poluição do ar em diversos países em 2023.

Entre 38 cidades brasileiras que participaram do estudo, a Capital atingiu a diretriz anual PM2,5 da OMS no ano passado. O levantamento usou a medida PM2,5, que consiste em partículas inaláveis que caracterizam um elemento de poluição atmosférica. O aumento de PM2,5 afeta a qualidade do ar, o meio ambiente e a saúde humana.

A Capital apresentou índice de 3,4 µg/m³ (microgramas/metro cúbico), se enquadrando nas cidades com qualidade do ar ideal, conforme a Organização Mundial de Saúde. Os índices de 0 a 5 µg/m³ são considerados ideais e os índices entre 5.1 e 10 µg/m³ são considerados acima do ideal, mas ainda são aceitáveis por causarem poucos riscos à saúde da população.

De acordo com a coordenadora do Laboratório da Cidade da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma), Raquel do Vale, em Fortaleza é realizado o monitoramento da qualidade do ar desde 2020. O projeto foi ampliado no ano passado a partir de uma nova política de vigilância.

“A gente tem uma estação de monitoramento da qualidade do ar desde 2020, ela é móvel e passa por diversos corredores e terminais de ônibus da cidade. No ano passado, foram desenvolvidos monitores de baixo custo. São equipamentos menores e conseguimos ampliar esse monitoramento. Atualmente, temos 30 monitores, além da estação”, cita Raquel.

Ainda segundo a coordenadora da Seuma, os equipamentos monitoram vários parâmetros, como o da OMS presente no relatório: PM 2,5. “Esse material, que são partículas inaláveis, saem de fuligens dos veículos e estão presentes em queimadas. Esse tipo de material é um dos mais prejudiciais à saúde e por isso há um foco de monitoramento dele”, explica Raquel.

Para o professor Rivelino Cavalcante, do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC), que pesquisa Avaliação em Qualidade do Ar, alguns fatores auxiliam nos resultados da presença da poluição e de uma boa qualidade do ar, como fatores climáticos, população, tipos de atividades e frota veicular.

“Fortaleza tem condições climáticas favoráveis. A cidade tem ventos muito fortes, principalmente no seu segundo semestre, onde temos uma estabilidade que favorece muito a dispersão dos poluentes que diminuem a qualidade do ar, incluindo o parâmetro PM 2,5”, avalia.

O projeto de política de vigilância da qualidade do ar, executado pela Seuma e Fundação de Ciência, Tecnologia e Inovação de Fortaleza (Citinova), é responsável pela instalação de 30 monitores de baixo custo, que foram desenvolvidos em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC).

Tamanduá-mirim é resgatado após invadir banheiro de hotel no interior Ceará



Um tamanduá-mirim foi resgatado por policiais militares após invadir o banheiro de um hotel no distrito de Caldas, em Barbalha, no Cariri cearense, na noite desta sexta-feira (10).Conforme policiais militares do Batalhão de Polícia de Meio Ambiente (BPMA), que atenderam a ocorrência, eles foram acionados por volta das 22h.
Ao chegar no endereço, os militares encontraram o tamanduá nas dependências do hotel e fizeram a captura do animal. Após o resgate, ele foi devolvido à natureza.

Brasil perde 15% de florestas naturais em quase 40 anos, diz MapBiomas Rede atribui perdas ao avanço da agropecuária no país


Em novo levantamento, a rede MapBiomas constatou que, entre 1985 e 2022, houve redução de 15% da área ocupada por florestas naturais no país, passando de 581,6 milhões de hectares para 494,1 milhões de hectares.

O principal fator de devastação foi a apropriação da agropecuária, e os últimos cinco anos aceleraram o processo de desmate, respondendo por 11% dos 87,6 milhões de hectares perdidos, revela a Coleção 8 do Mapeamento Anual da Cobertura e Uso da Terra no Brasil. Segundo o trabalho, os biomas que mais viram florestas sumirem nesse período foram a Amazônia (13%) e o Cerrado (27%).

O mapeamento considera diversos tipos de cobertura arbórea: formações florestais, savanas, florestas alagáveis, mangue e restinga. De acordo com o MapBiomas, esses ecossistemas ocupam 58% do território nacional. Quando todos são considerados, a Amazônia (78%) e a Caatinga (54%) aparecem como os biomas com maior proporção de florestas naturais em 2022.

O MapBiomas observou, ainda, que dois terços da área destruída, ou seja, 58 milhões de hectares, foram de formações florestais, que são áreas de vegetação com predomínio de espécies arbóreas e dossel contínuo como as florestas que prevalecem na Amazônia e na Mata Atlântica. A diminuição das formações florestais foi de 14% nos 38 anos analisados. O Pampa foi o único em que o patamar se manteve estável, mesmo com o passar dos anos.

Pelos cálculos da organização, quase todo o desflorestamento (95%) se deu como consequência do avanço da agropecuária, que implica tanto a transformação de floresta em pastagens como a utilização das áreas para cultivo agrícola. Nas duas primeiras décadas do período sob análise, registrou-se aumento da perda de florestas, seguido de período de redução da área desmatada a partir de 2006.

As florestas alagáveis também fazem parte da paisagem da Amazônia e passaram a ser monitoradas pelo MapBiomas neste ano. Tais florestas são caracterizadas por se formar nas proximidades de cursos d’água. Nesse caso, no intervalo de quase 40 anos, foram perdidos 430 mil hectares de florestas, que ocupavam 18,8 milhões de hectares ou 4,4% do bioma em 2022.

Edição: Nádia Franco

ICMBio vai apurar causas da morte de botos no Amazonas Equipes de veterinários e servidores foram mobilizadas


O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) informou hoje (30) que vai apurar as causas das mortes de botos em Tefé, no Amazonas.

Desde a última segunda-feira (23) até ontem (29), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá registrou a morte de mais de 100 mamíferos aquáticos como o boto vermelho e o tucuxi, que viviam no lago.

Até o momento, as causas não foram confirmadas, mas há indícios de que o calor e a seca histórica dos rios estejam provocando as mortes de peixes e mamíferos na região. O ICMBio disse que já mobilizou para a região equipes de veterinários e servidores do seu Centro de Mamíferos Aquáticos (CMA) e da Divisão de Emergência Ambiental, além de instituições parceiras para apurar as causas dessas mortes.

“Protocolos sanitários foram adotados para a destinação das carcaças. O ICMBio segue reforçando as ações para identificar as causas e, com isso, adotar medidas para proteger as espécies”, informou o ICMBio.

Diante do cenário, ontem (29), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá lançou um alerta à população que mora nas proximidades do Lago Tefé para evitar o contato com as águas do lago e o uso recreativo. Segundo o Mamirauá, em alguns pontos do lago a temperatura está ultrapassando a marca dos 39°.

Neste sábado (30), em entrevista à jornalista Mara Régia no programa Viva Maria, da Rádio Nacional da Amazônia, um dos veículos da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a coordenadora do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Mamirauá, Miriam Marmontel, disse que esses animais acabam atuando como sentinelas da qualidade da água e são os primeiros a ser afetados com mudanças provocadas no ambiente.
"Eles nos deram o alerta e agora a gente tem que ficar atento a isso. A tendência, se não mudarmos os nossos hábitos, esses eventos vão continuar acontecendo, mais aquecimento global, mudança nos parâmetros climáticos e eles estão utilizando um ambiente que utilizamos muito, especialmente no Amazonas. A água para é primordial para os amazônidas e essa água, que atualmente não está propícia para o boto, também não é propícia para o humano. Tanto para nadar, como consumir. Então, que a gente fique muito alerta quanto a isso”, disse a pesquisadora.

(*) Agência Brasil

STF suspende presunção de 'boa-fé' na venda de ouro, em duro golpe na cadeia de comércio ilegal do minério Decisão do ministro Gilmar Mendes determinou que o governo federal adote, em 90 dias, regras para fiscalização do comércio de ouro especialmente na verificação de sua origem



247 - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes suspendeu nesta terça-feira (4) a aplicação da chamada "presunção da boa-fé" na venda de ouro. O ministro também determinou que o governo federal adote, em 90 dias, regras para a fiscalização do comércio do produto especialmente na verificação da origem do material.

A decisão do magistrado representou um duro golpe na cadeia do comércio ilegal de ouro no Brasil. Atualmente basta declarar que o produto vem de uma origem legal para que a venda seja autorizada por órgãos competentes.

Mendes é o relator de uma ação do Partido Verde questionando um trecho da lei que fixou critérios aplicáveis às Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (DTVMS), para a regularização da aquisição de ouro produzido em áreas de garimpo. Segundo a norma, distribuidoras podem comprar o metal com base no princípio da boa-fé, ou seja, utilizando apenas informações prestadas por vendedores. Para o PV, a regra estimula o comércio ilegal de ouro na Amazônia.

De acordo com a decisão do ministro do Supremo, o governo federal deverá colocar em prática "medidas (legislativas, regulatórias e/ou administrativas) que inviabilizem a aquisição de ouro extraído de áreas de proteção ambiental e de Terras Indígenas". "É preciso que esse consórcio espúrio, formado entre garimpo ilegal e organizações criminosas, seja o quanto antes paralisado. O provimento de medida cautelar, pelo Supremo Tribunal Federal, é o meio adequado e necessário para tanto", afirmou.

Para combater o garimpo ilegal, a Receita Federal anunciou no mês passado que vai instituir a obrigatoriedade da emissão de nota fiscal eletrônica para negócios que envolvam ouro como ativo financeiro ou como instrumento cambial. Agentes também investigam a operação de empresas estrangeiras no comércio ilegal de ouro no Brasil.

(*) 247

Crise climática piora, mas deputados dão menos atenção ao tema, diz estudo

MEIO AMBIENTE


Segundo investigadores, Don Francesco Spagnesi, 40, participava dos encontros em que havia uso de entorpecentes como GHB e cocaína (A atual composição da Câmara dos Deputados dedica menos atenção à crise climática do que a anterior, mostra relatório do Observatório do Legislativo Brasileiro. O engajamento dos parlamentares com o tema, que já era baixo no período de 2015 a 2018, diminuiu ainda mais a partir de 2019.
Enquanto isso, novos relatórios sobre o clima mostram que o aumento da temperatura média da Terra provocará cada vez mais eventos extremos em todo o planeta, Brasil incluído. Chuvas torrenciais e secas prolongadas fazem parte mesmo dos prognósticos menos pessimistas.

A análise sobre o desempenho dos deputados foi feita com a participação do projeto Política por Inteiro (responsável, junto com a Folha de S.Paulo, pelo Monitor da Política Ambiental), que faz um ranking dos parlamentares em uma série de assuntos. Nesse caso, mudança do clima.

A maior parte dos parlamentares avaliados pelo Observatório tem avaliação negativa quando o tema é crise climática. A nota média dos deputados federais é de -1,39 e a mediana (o valor "do meio" nas notas), -2,98 (o gradiente vai de -10 a 10).

Na legislatura anterior, a média era de -0,89.

"Uma das formas de ler [o resultado] é que você tem uma legislatura mais desfavorável ao tema das mudanças climáticas, o que é condizente com o que está acontecendo. Pode ser que isso seja decorrente de você ter parlamentares mais extremistas ou pelo fato de o governo ser mais contrário ao tema", diz Leonardo Martins Barbosa, doutor em ciência política pela UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e pesquisador do Observatório do Legislativo Brasileiro.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nunca tratou a área ambiental como uma de suas prioridades. De acordo com especialistas, suas ações têm impacto negativo para as discussões sobre o meio ambiente brasileiro.

Em seus discursos, Bolsonaro se diz crítico de áreas de proteção de biomas, por exemplo e se declara favorável à exploração mineral em terras indígenas, que têm elevado grau de vegetação nativa preservada. Além disso, manteve por mais de dois anos um ministro do Meio Ambiente que atuou para desmontar mecanismos de combate ao desmatamento.

Os autores do relatório sobre os deputados observaram que as notas mais comuns encontradas na legislatura atual foram -4, -3 e 4. Ou seja, ao mesmo tempo em que há parlamentares com atuações negativas, há outros que puxam a avaliação para o lado positivo.

"Temos uma elite que trabalha a favor e uma que trabalha contra", afirma Barbosa.

O relatório mostra que a atuação positiva ou negativa em relação ao tema é determinada, de forma geral, pela posição na linha ideológica que o partido do deputado ocupa. Siglas mais à esquerda, como PSOL, Rede, PCdoB, PT e PV, dão mais atenção à questão climática do que agremiações à direita do espectro político.

"É um tema ainda desconhecido pela maior parte dos parlamentares. Há uma falsa ideia de que essa pauta é de esquerda", diz Olivia Ainbinder, analista de políticas públicas da Política por Inteiro. "Falta conhecimento sobre as oportunidades econômicas com a descarbonização da economia brasileira."

A identificação com a esquerda e a atuação positiva de somente uma fatia dos parlamentares pode prejudicar a evolução das discussões sobre o tema, dizem os especialistas.

"Seria muito interessante termos uma frente parlamentar climática", diz Ainbinder. Ele afirma que, atualmente, os parlamentares que atuam na área o fazem a partir de pautas que tangenciam a crise climática, como energia solar e eólica.

A evolução na discussão não precisaria de um grupo grande. Barbosa afirma que uma bancada temática possibilita uma atuação mais estratégica no Congresso, algo mais difícil quando o grupo se divide em diversos temas.

"O processo legislativo não é simplesmente ter maioria. É controlar como o processo ocorre. Ter uma bancada especializada pode potencializar a ação de um grupo que parece ser minoritário no Congresso brasileiro hoje, que é o ambiental", diz o pesquisador.

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