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Entenda por que não há imagens de padre Cícero nas igrejas de Juazeiro de Norte, onde ele é considerado santo por romeiros



Mais de 60 mil pessoas se reuniram na manhã de 20 de julho de 1934 para se despedir de Cícero Romão Batista, o padre Cícero, em Juazeiro do Norte, após sua morte, aos 90 anos. Quando a estátua do padre foi inaugurada na Colina do Horto, em 1969, estima-se que 200 mil pessoas compareceram. Atualmente, Juazeiro recebe mais de 2 milhões de visitantes por ano. No entanto, quem andar pelas igrejas da cidade, não vai encontrar nenhuma imagem do santo popular nos templos da cidade.

No dia 13 de dezembro de 2015, durante a cerimônia de abertura da Porta Santa na Catedral de Nossa Senhora da Penha, no município do Crato, fiéis puderam ver, pela primeira vez, uma imagem de padre Cícero, um quadro pintado a óleo, sendo carregada dentro de uma igreja da região do Cariri.

A ocasião, no entanto, foi única. Ela marcou a reconciliação da Igreja Católica com o padre após mais de um século de rompimento. Desde então, o “Padim” tem recebido – agora oficialmente – cada vez mais mesuras por parte da Santa Sé. Apesar da mudança de postura, desde 2015 não se vê mais a imagem do padre nos templos da região. Entenda o porquê:
De capelão a prefeito e santo popular: padre teve relação conflituosa com a Igreja
Nascido em 1844 na cidade do Crato, Cícero Romão Batista entrou para o Seminário da Prainha, em Fortaleza, em 1866. Em 1870, foi ordenado padre e voltou à sua terra natal. Em 1872, ele se tornou o capelão da Igreja de Nossa Senhora das Dores, no então povoado de Juazeiro.
Hoje, Juazeiro é a terceira mais populosa e quarta cidade mais rica do Ceará. Mas, na época, era uma vila do município de Crato – embora já fosse a maior vila do município. A região, inclusive, era chamada apenas de Juazeiro – o “do Norte” só veio em 1943 por decreto estadual.
Após se estabelecer no povoado, padre Cícero formou uma massa de fiéis por suas pregações, seu atendimento aos mais pobres castigados pela seca e contínuas visitas às casas da região. Ele fundou e ajudou a popularizar as chamadas casas de caridade e também formou alianças políticas na região, se tornando uma figura com poder político.
Quando o padre começou sua vida sacerdotal, só havia uma diocese no estado, a Diocese do Ceará, que concentrava todas as decisões eclesiásticas das igrejas no território cearense. Até a década de 1880, Romão e a Igreja Católica, representada pela diocese, sediada em Fortaleza, tinham uma relação harmoniosa.
“Era uma relação extremamente amistosa, respeitosa. Inclusive tem cartas de dom Joaquim, que foi o segundo bispo do Ceará, fazendo altos elogios ao padre Cícero, dizendo que ele era uma joia da igreja”, conta a historiadora Fátima Pinho, professora da Universidade Regional do Cariri (Urca).
A situação mudou a partir de 1889, com a repercussão dos chamados fatos extraordinários da beata popular Maria de Araújo. No dia 1º de março daquele ano, durante uma missa, ao colocar a hóstia na boca da religiosa, a hóstia teria se convertido em sangue. Devotos afirmaram se tratava de um milagre – a hóstia havia se convertido no sangue de Cristo. A Igreja discordou.
Na época, a diocese do Ceará formou duas comissões para analisar o suposto milagre. A primeira deu como verdadeiro. A segunda deu como inverídico. Prevaleceu o segundo parecer. Por conta disso, Cícero enfrentou uma série de contendas com a Igreja.
“Ele é suspenso das ordens sacerdotais e começa aí a chamada questão religiosa do Juazeiro, onde ele é proibido de celebrar, é proibido de fazer os sacramentos em Juazeiro, mas ele celebrava em outras localidades, por exemplo, no Crato”, explica Fátima Pinho. Mesmo com a proibição, Juazeiro continuou a ser a morada e sede do trabalho do sacerdote.
Por conta do afluxo de devotos que procuravam os sermões de padre Cícero e suas obras de caridade, a vila de Juazeiro desenvolveu-se tanto que se tornou maior que o município do Crato, ao qual era subordinada. Com os peregrinos, o comércio de Juazeiro cresceu, a cidade se expandiu, e em 1911 se tornou independente do Crato. Padre Cícero foi seu primeiro prefeito.
Em 1914, aliado ao ex-governador do Ceará Nogueira Acioli, Cícero Romão mobilizou fiéis e aliados no episódio conhecido como Sedição de Juazeiro, no qual derrotou as forças policiais do então governador Franco Rabelo que foram ao Cariri subjugá-los. As forças de Cícero e Acioli avançaram pelo interior do Ceará, dominaram outras cidades, chegaram a Fortaleza e derrubaram o governador.
Durante todo este período entre o fim do século XIX até sua morte, em 1934, padre Cícero esteve oficialmente proibido de realizar celebrações em Juazeiro do Norte, a cidade que o ajudou a tornar o que era. O veto, no entanto, tinha suas limitações.
“Era uma proibição que não tinha 100% de cumprimento. Por exemplo, é possível encontrar alguns registros, muito poucos, do padre Cícero fazendo batizados. Mas fora de Juazeiro, ele podia [realizar celebrações]. Ele também fazia a famosa bênção do fim do dia. Todo fim do dia se reuniam na frente da casa dele milhares de romeiros e romeiras e ele fazia uma homilia, dava a bênção”, destaca a professora, especializada na história do padre.
A postura da Igreja quanto ao sacerdote só começa a mudar nos anos de 1970, com pequenos sinais de reconhecimento da sua importância na fé da região. Na década de 2000, um processo oficial aberto pela Diocese do Crato e remitido a Roma recomenda a reabilitação do padre pela Igreja.
A reconciliação só veio em 2015, quando chegou do Vaticano a carta assinada pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do papa Francisco, na qual autoriza a reconciliação do Padim. Somente ali, quase 80 anos depois de sua morte, o padre teve sua imagem vista dentro de uma igreja de Juazeiro do Norte.
Imagem é homenagem reservada aos santos
Quando morreu, padre Cícero estava rompido com a Igreja Católica. Por conta disso, esteve por anos fora do cânone do Vaticano. No entanto, junto à população do Cariri e de outras regiões do Nordeste, cresceu a aclamação popular em torno do legado do sacerdote.
Essa aclamação é chamada fama de santidade, quando se há a crença popular de que aquela pessoa teve uma vida santa. Daí nascem os chamados santos populares, aqueles tidos como santos pelos fiéis, mas não reconhecidos pela Igreja.
Após a reconciliação da Igreja com o padre em 2015, a Diocese do Crato entrou com o pedido da canonização de Cícero Romão Batista, isto é, pediu que a Santa Sé o reconheça como santo.
Dentro do regimento da Igreja Católica, a jornada para obter santidade passa por quatro etapas, que culmina na canonização. O processo é conduzido pelo Dicastério para as Causas dos Santos, uma espécie de departamento do governo da igreja.
Ao longo das quatro etapas da canonização, os postulantes podem receber os seguintes títulos:Servo de Deus, atribuído logo quando o processo é iniciado, isto é, quando já há indícios de virtude suficientes para um processo de canonização ser aberto em nome daquela pessoa
Venerável, quando a investigação sobre a vida do religioso é encerrada e suas virtudes são comprovadas, como Dom Lustosa, arcebispo de Fortaleza considerado venerável no último mês de junho
Beato, título dado a um venerável quando há um milagre atribuído a ele, como no caso da Menina Benigna, a única beata do Ceará
Santo, estágio final da canonização que atribui o título apenas àqueles que tiveram um segundo milagre atribuído à sua intercessão, preferencialmente realizado após sua morte
Há diferenças entre santo e beato. O beato, como no caso da Menina Benigna, pode ser cultuado em público apenas na região onde há sua fama de santidade. O santo, por sua vez, pode ter culto generalizado, em qualquer igreja.
Os beatos também não podem ser representados em ilustrações com halos, não podem ser padroeiros de cidades nem ter igrejas dedicadas ao seu nome – apenas aos santos são permitidas estas homenagens.
Atualmente, padre Cícero possui o título de Servo de Deus, portanto, o pedido foi analisado e foi concluído que suas virtudes foram o bastante para dar início ao processo de canonização. Porém, padre Cícero não é beato nem santo. Portanto, sua imagem não pode estar nas igrejas.
De modo geral, a canonização é um processo demorado, que pode levar décadas. A expectativa, no entanto, é que o processo do padre seja mais rápido – e que, em breve, ele seja reconhecido, pelo menos, como beato. Fátima Pinho acredita que há uma boa vontade da igreja para que o processo de Cícero não demore tanto.
“Até dois anos atrás, no anúncio do processo de beatificação, quando ele se tornou servo de Deus, até antes disso eu acreditava que era algo que teria longa duração. Mas hoje eu acredito que é um processo que vai ser mais rápido, pelo menos a beatificação dele. E eu acho que essa atitude da Igreja se deve à persistência, à fé do romeiro e da romeira que nunca deixou de acreditar na santidade do Padre Cícero”, avalia.
Por G1

Com tráfico e milícia, intolerância religiosa reflete a política no Brasil, dizem pesquisadores


Nesta quinta-feira (21), o Brasil comemora o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Para debater os desdobramentos da questão, a Sputnik Brasil ouviu líderes religiosos, pesquisadores e ativistas que explicaram as ligações da intolerância com a política e o racismo no país.
No Brasil, apesar da laicidade do Estado e dos direitos constitucionais, a intolerância religiosa continua sendo um problema grave e tem como principal alvo as religiões de matriz africana, um fenômeno que se entrelaça com a história da escravidão no país e a presença do racismo. Ao longo dos séculos, essa perseguição mudou de forma e hoje se expressa tanto na política institucional e na atividade de fundamentalistas religiosos, até a ação de grupos armados de traficantes e milícias em favelas.
É o que explica o babalaô Ivanir dos Santos, professor doutor que leciona no Programa de Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O pesquisador ressalta que o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa expressa um quadro grave, sendo comemorado no dia 21 de janeiro, justamente em homenagem a uma vítima fatal da intolerância religiosa. A data foi determinada pela Lei 11.635, em 2007.
"É o dia que morre uma sacerdotisa de candomblé na Bahia, logo após ela ver sua foto estampada na Folha Universal - o jornal da Igreja Universal - a chamando de charlatã. Ela teve um AVC e faleceu neste dia. Isso mostra completamente o quanto a intolerância religiosa cria vítimas de morte", aponta o babalaô Ivanir dos Santos em entrevista à Sputnik Brasil, lembrando a morte da baiana Gildásia dos Santos, a Mãe Gilda, em 1999.
Na quarta-feira (20), o Instituto de Segurança Pública (ISP) do governo do estado do Rio de Janeiro, publicou dados apontando que 1.355 casos que podem estar relacionados à intolerância religiosa foram registrados no território fluminense ao longo de 2020. Do total, 23 casos foram de ultraje a culto religioso, 1.188 casos de injúria por preconceito e 144 casos de preconceito de raça, cor, religião, etnia e procedência nacional. O ISP alerta ainda que esses dados são "muito subnotificados" e estimula a denúncia. O relatório foi lançado em função da data de 21 de janeiro.
"Os dados estão subestimados porque não falam justamente dessas áreas ocupadas. O tráfico em aliança agora com a milícia [...] intimida, inclusive, a prática [religiosa] em si, o que faz com que ninguém vá denunciar. Se levar em conta quantos lugares religiosos ali estão silenciados, são vários", avalia o pesquisador e babalaô Ivanir dos Santos.
(*)Sputniknews > Veja matéria completa)

Réplica de Santo Sudário está em Fortaleza e será exposta em capela



Uma réplica do Santo Sudário ou Santo Manto, lençol que envolveu o corpo de Jesus após sua morte, está em Fortaleza. A obra compõe o conjunto das novas peças que ficarão expostas na Capela das Santas Relíquias, no Shalom da Paz, na Aldeota, a partir da data de reinauguração do local, prevista para o fim deste mês.
A réplica foi doada pelo Santuário de Turim, na Itália, chegou à capital cearense ainda em agosto e desde então passa por cuidados especiais até o dia da exposição. A obra original é exposta de 25 em 25 anos. A última vez foi em 2016, no Jubileu Extraordinário da Misericórdia, na Itália.
Sendo a quinta réplica do Sudário presente no Brasil, de acordo com o padre Antonio Furtado, responsável pela reinauguração da capela, a obra “é uma das relíquias mais preciosas do mundo cristão”. Para o sacerdote, a oportunidade de ter a obra em Fortaleza vai beneficiar, principalmente, os fiéis que não podem viajar à Itália para conferir a obra original. “Estará lá [na Capela] para que os cristãos possam contemplar e estar diante da imagem que remete a ressurreição de Cristo”, aponta.
Além do Santo Manto, outras novas réplicas sagradas também serão expostas na reinauguração, como a de Porciúncula, igreja restaurada por São Francisco e a Capela de Nossa Senhora de Fátima, onde, de acordo com a Bíblia, Maria teria aparecido para os pastores.
O padre deixa aberta a possibilidade de levar a obra para outras igrejas de Fortaleza. "Ainda não firmamos essa questão, mas é muito importante para que todos possam ter a oportunidade de contemplar o Santo Manto", diz.
Santo Sudário
Com quatro metros de comprimento e feito de linho, o Santo Sudário é tido como evidência da ressurreição de Jesus Cristo. A peça mostra a imagem de um homem que aparentemente sofreu traumas físicos de maneira constante, como a crucificação. O Sudário original foi visto pela primeira vez 1898, através de uma chapa inversa feita de maneira amadora pelo fotógrafo Secondo Pia. Desde então, a obra está guardada no Santuário de Turim, na Itália, e raramente é exposta.
Segundo o padre Antonio, a obra passou por um incêndio, ainda na Idade Média, na Catedral de Turim. “É por isso que há alguns espaços mais escuros na tela. São as marcas do fogo”, explica.
Fonte: Diário do Nordeste. 

Milhares de fiéis participam da Caminhada com Maria



Entre as três maiores cerimônias religiosas do Brasil, a 17ª edição do Caminhada com Maria, em Fortaleza, voltou a reunir milhares de fiéis, no bairro Vila Velha. Este ano, o tema apresentado é “Maria caminha conosco na construção da paz”.
A homenagem teve início por volta das 14 horas, com missa no Santuário Nossa Senhora da Assunção, no Vila Velha, e deverá ser encerrada com missa campal na Catedral Metropolitana, no Centro.
A cerimônia religiosa recebeu (MDB) destaque esta semana na Assembleia Legislativa, quando o deputado Walter Cavalcante destacou os 17 anos da procissão e fé. “A expectativa é a participação de dois milhões de fiéis, número que cresce a cada edição”, apontou o parlamentar.
Já a deputada Fernanda Pessoa (PSDB) ressaltou que a família Nunes de Melo passou 157 anos em poder da imagem da Nossa Senhora da Assunção e que a entregou na 10ª Região Militar.
(Colaborou o jornalista Hervelt César / Foto: Divulgação)

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