
A dor foi aguda, indescritível e tão repentina quanto a colisão entre dois veículos no trânsito, quando a professora aposentada Marilena Menezes, 53, recebeu a notícia da morte do esposo, Carlos Alberto da Silva. O cérebro se foi primeiro do que o resto do corpo, fator que permitiu que seis órgãos dele fossem doados a pacientes que necessitavam de transplantes. No Ceará, 845 pessoas doaram órgãos de 2015 a 2018, e cerca de 70% delas foram "doadoras múltiplas".
Os dados são da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), divulgados nessa segunda-feira (25). De acordo com o levantamento, foram registradas 603 doações múltiplas de órgãos em todo o Estado nos quatro anos anteriores, uma média superior a 150 por ano. Em 2019, entre janeiro e setembro, 116 pessoas entraram para as estatísticas como doadoras múltiplas, apenas cinco a menos do que no mesmo período de 2018, que registrou 121 casos deste tipo no Ceará.






