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ARTIGO Do interior para a tela: o papel da imprensa regional nos festejos e na alma nordestina

Junho chegou. E, com ele, o cheiro de milho cozido, as bandeirinhas no céu, os arrasta-pés nas praças e os corações aquecidos pelas tradições que nos formam. Para quem nasceu ou vive no interior do Ceará, os festejos juninos não são apenas eventos culturais — são expressões de identidade, resistência e orgulho. Como jornalista que vive a comunicação regional há muitos anos, e sendo nascido na cidade de Tauá, no interior do Ceará, não há período do ano que me agrade mais. E é justamente por isso que a imprensa regional tem, nesse momento, uma das suas missões mais nobres: valorizar quem somos, de onde viemos e para onde vamos.

Muito além das grandes coberturas nacionais, é no interior que pulsa uma força criativa, econômica e simbólica que precisa ser enxergada com o respeito que merece. Cada grupo folclórico como as bandas cabaçais, penitentes, quadrilhas juninas que se apresentam em Barbalha, na tradicional Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio; cada sanfoneiro que sobe ao palco do Juaforró, cada fogueira acesa nas ruas de Juazeiro do Norte; cada vaqueiro que se arrisca na pega do boi na Vaquejada de Missão Velha, cada expositor que vibra e apresenta os seus produtos e animais que produz no campo carrega uma história de luta, superação e pertencimento. E cabe a nós, veículos regionais, contar essas histórias — com profundidade, com paixão e com verdade.

A comunicação regional não deve ser vista como um “braço menor” da grande mídia. Ao contrário: ela é o coração pulsante da informação que se aproxima da realidade do povo. Enquanto muitos ainda enxergam o Cariri, o Sertão Central, a Região dos Inhamuns, as Chapadas do Araripe, Apodi e Ubajara ou o Vale do Jaguaribe como “periferias do Brasil”, nós sabemos que essas regiões são centros vivos de cultura, economia e desenvolvimento.

E isso se reflete nos festejos. Os eventos juninos movimentam turismo, geram renda, empregam milhares de pessoas direta e indiretamente. Desde o vendedor ambulante ao técnico de som, do costureiro de figurino ao pequeno produtor rural. Quando a imprensa decide mostrar esse lado da festa, ela cumpre um papel que vai além da reportagem: ela reconhece o valor do povo.

Nas últimas décadas, vi muitas histórias que nasceram pequeninas em comunidades do interior ganharem o mundo através da tela da TV. Vi também como um olhar atento da reportagem pode mudar a realidade de famílias inteiras. E é por isso que, especialmente em momentos como este, reafirmo esse compromisso — e convido meus colegas de profissão a fazerem o mesmo: vamos olhar para dentro. Vamos iluminar o que é nosso.

Em tempos de tanta polarização e distanciamento das raízes, os festejos juninos são um lembrete poderoso de união, fé e alegria. E a imprensa regional tem o privilégio e a responsabilidade de amplificar essas vozes. Mais do que cobrir o São João, vamos celebrar o Ceará que dança, canta, cria e resiste. Porque, no fim das contas, somos todos parte dessa grande fogueira que aquece a alma nordestina.

Hermann Hesse
Diretor de Jornalismo da Band Ceará

O Dia Internacional da Mulher e a Luta por Igualdade: Reflexões e Compromissos

O Dia Internacional da Mulher, celebrado anualmente em 8 de março, não é apenas uma data comemorativa, mas um símbolo da luta histórica das mulheres por direitos, equidade e respeito. Essa data tem suas raízes em movimentos trabalhistas e feministas do final do século XIX e início do século XX, quando mulheres começaram a se mobilizar para reivindicar melhores condições de trabalho, direito ao voto e igualdade de oportunidades.

Apesar das inúmeras conquistas ao longo das décadas, a luta por igualdade de gênero ainda é um desafio global. Mulheres continuam enfrentando desigualdade salarial, barreiras no mercado de trabalho, sub-representação em cargos de liderança, além de altos índices de violência de gênero.

Neste artigo, exploraremos a origem do Dia Internacional da Mulher, os desafios enfrentados atualmente e as ações necessárias para promover um mundo mais justo e igualitário para todas.

1. A Origem do Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher, celebrado mundialmente em 8 de março, tem suas raízes nos movimentos feministas e trabalhistas do final do século XIX e início do século XX. Sua origem está diretamente relacionada às lutas das mulheres por direitos trabalhistas, igualdade salarial, condições dignas de trabalho e participação política.

1.1. Movimentos Internacionais e Consolidação da Data

Um dos eventos marcantes que impulsionaram a luta das mulheres ocorreu em 1908, quando cerca de 15 mil trabalhadoras marcharam pelas ruas de Nova York, nos Estados Unidos, reivindicando redução da jornada de trabalho, melhores salários e direito ao voto. O impacto dessa mobilização foi tão grande que, no ano seguinte, o Partido Socialista da América instituiu o primeiro Dia Nacional da Mulher, celebrado em 28 de fevereiro de 1909.

Em 1910, durante a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, Dinamarca, a ativista Clara Zetkin, uma das grandes vozes do feminismo da época, propôs a criação de um dia internacional para dar visibilidade à luta feminina por direitos. A proposta foi aceita por mais de 100 mulheres de 17 países, embora a data oficial ainda não estivesse definida.

O movimento ganhou força em 1917, quando trabalhadoras russas organizaram uma greve histórica em 8 de março, protestando contra a fome, a Primeira Guerra Mundial e o regime czarista. Esse evento ficou conhecido como a "Marcha das Mulheres de Petrogrado" e marcou o início da Revolução Russa de 1917. Em reconhecimento ao protagonismo feminino, o governo soviético oficializou o 8 de março como feriado nacional em homenagem às mulheres.

A data foi oficialmente reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, quando o ano foi declarado como o Ano Internacional da Mulher. Desde então, o 8 de março passou a ser um marco global de reflexão sobre os direitos das mulheres, celebrando conquistas e reforçando a luta por igualdade de gênero.

1.2. O Dia Internacional da Mulher no Brasil

No Brasil, a luta das mulheres por direitos também tem uma trajetória marcante e está diretamente ligada à conquista de espaços na sociedade. Durante grande parte da história, as mulheres foram excluídas da política, do mercado de trabalho e dos estudos formais, sendo restritas ao papel de donas de casa e cuidadoras.

Um dos primeiros marcos da luta feminina no Brasil ocorreu em 1932, quando as mulheres conquistaram o direito ao voto, durante o governo de Getúlio Vargas. Essa foi uma vitória histórica que garantiu às mulheres o direito de participar ativamente da política nacional.

Outro momento crucial foi a redemocratização do país, com a Constituição de 1988, que trouxe avanços significativos na garantia de direitos trabalhistas e civis para as mulheres, incluindo a igualdade de gênero perante a lei.

Além disso, a luta contra a violência doméstica ganhou força com a criação da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, que passou a punir com mais rigor os agressores de mulheres e estabelecer medidas protetivas para as vítimas.

Nos últimos anos, o Dia Internacional da Mulher no Brasil tem sido marcado por manifestações, debates e ações voltadas para a promoção da igualdade de gênero. Movimentos como a Marcha das Mulheres e campanhas contra o feminicídio, a desigualdade salarial e o assédio têm ganhado cada vez mais visibilidade.

2. Os Desafios Contemporâneos das Mulheres

Embora o Dia Internacional da Mulher seja uma celebração das conquistas femininas ao longo da história, ele também serve como um momento de reflexão sobre os desafios que ainda persistem. Apesar dos avanços legais e sociais, as mulheres enfrentam desigualdade estrutural em diversas áreas, como no mercado de trabalho, na política, na segurança e na divisão de responsabilidades domésticas.

A seguir, apresentamos os principais desafios enfrentados pelas mulheres na atualidade, com dados e reflexões sobre cada um deles.

2.1. Desigualdade Salarial e Mercado de Trabalho

A disparidade salarial entre homens e mulheres continua sendo uma das maiores barreiras à equidade de gênero. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres ganham, em média, 22% a menos do que os homens no Brasil, mesmo quando ocupam cargos e funções semelhantes.

Essa desigualdade se torna mais grave para mulheres negras e indígenas, que enfrentam um duplo preconceito: racial e de gênero. Além disso, setores como tecnologia, engenharia e ciência ainda têm uma representatividade feminina muito baixa, sendo dominados majoritariamente por homens.

Principais barreiras no mercado de trabalho:Diferença salarial entre homens e mulheres.
Dificuldade de ascensão a cargos de liderança.
Preconceito em áreas historicamente masculinas.
Falta de políticas de inclusão e equidade de gênero nas empresas.

Soluções possíveis:Implementação de políticas de igualdade salarial.
Maior incentivo à presença feminina em áreas como STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
Criação de programas de mentoria e capacitação profissional para mulheres.

2.2. Violência de Gênero e Feminicídio

A violência contra a mulher segue sendo uma das maiores crises sociais do Brasil e do mundo. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é vítima de feminicídio a cada sete horas no país.

A violência de gênero ocorre em diversas formas, incluindo violência doméstica, assédio moral e sexual, estupro, feminicídio e violência psicológica. Muitas mulheres enfrentam dificuldades para denunciar seus agressores devido à falta de apoio institucional e medo de retaliação.

Principais formas de violência de gênero:Violência doméstica: Agressões físicas, psicológicas e patrimoniais dentro de casa.
Assédio moral e sexual: No trabalho, transporte público e outros espaços.
Feminicídio: O assassinato de mulheres por sua condição de gênero.

Soluções possíveis:Fortalecimento da Lei Maria da Penha e criação de mais delegacias especializadas.
Campanhas educativas para combater a cultura do machismo e da impunidade.
Ampliar o acesso a centros de acolhimento e apoio psicológico para vítimas.

2.3. Sub-representação Feminina na Política e em Cargos de Liderança

Mesmo representando mais da metade da população brasileira, as mulheres ainda ocupam um número reduzido de cargos políticos e de liderança. No Congresso Nacional, apenas 17,7% das cadeiras são ocupadas por mulheres, um número muito inferior ao ideal para garantir uma representatividade equilibrada.

Nas empresas, a realidade não é diferente: apenas 5% das presidências das 500 maiores empresas do mundo são ocupadas por mulheres. O chamado "teto de vidro" ainda impede muitas mulheres de avançarem na hierarquia corporativa, seja por preconceito ou pela ausência de redes de apoio.

Principais barreiras:Falta de apoio para mulheres na política.
Menor acesso a cargos de liderança no setor público e privado.
Cultura empresarial que prioriza homens para posições estratégicas.

Lavanderia de fichas-sujas

(*) Correio Braziliense

Severino Francisco

O projeto da Ficha Limpa, uma das mais importantes conquistas da sociedade civil, corre sério risco de ser desfigurado. Excelências fazem uma articulação para reverter e abrandar as punições e favorecer parlamentares ou candidatos com currículos que se confundem com folhas corridas. Consideram que 8 anos de inelegibilidade para quem distribuiu notícias falsas sobre as eleições, tem ligações com as milícias, tentou um golpe de Estado ou desviou dinheiro público é muito tempo. Pretendem reduzir o prazo de punição para dois anos.

A lógica é a seguinte: se as excelências cometem delitos, a culpa não é delas, mas da lei que as flagrou em deslize ético. Então, é só mudar a lei que o problema se resolve. Esse parece ser o espírito que anima a nova tentativa de parlamentares no sentido de autoblindar-se das infrações cometidas e das que porventura cometerão do futuro.

Não existe nenhuma justificativa razoável para a estratégia disparatada. Pelo contrário: há fortes razões para endurecer a lei ante a investida do crime organizado no território da política partidária. Existem sinais desse perigo para a vida pública. É uma proposta que vai na contramão da postura do Tribunal Superior Eleitoral que indicou a tendência de ser mais rigoroso nas eleições de 2026 precisamente pela ameaça de infiltração das orcrims nos parlamentos .

A Lei da Ficha Limpa estabelece a inelegibilidade depois da sentença promulgada em segunda instância. No entanto, ela não exclui a possibilidade de a Justiça Eleitoral barrar o candidato se constatar indícios de fatos ilícitos que são incompatíveis com a moralidade pública. E foi o que aconteceu em Belfort Roxo, informa matéria do site da CNB, onde o TSE indeferiu a candidatura de um postulante ao cargo de vereador.

Antonio Carlos Ferreira, ministro relator do caso, afirmou que o candidato “ostenta contra si diversos elementos denotativos de sua participação em milícia armada, na prática de extorsões e no porte ilegal de armas”. Se o TSE e outras instituições não zelarem pela decência dos parlamentos, o receio é de que, em breve, teremos bancadas do crime agindo descaradamente.

Afrouxar as punições da Lei da Ficha Limpa só beneficiará os que se apropriam do voto popular democrático para fins escusos. É algo que fere o decoro parlamentar e estimula o crime. As excelências já são blindadas pela imunidade parlamentar para o exercício de suas atividades. Os políticos pretendem ser semideuses inimputáveis. Mas o fato de ser votado por milhões de eleitores não confere a nenhum parlamentar o direito de pairar acima das leis e incidir em crimes. A soberania do voto é um requisito essencial, mas não absoluto.

Essa pretensão de flanar acima da lei é abuso de poder e precisa ser repelida com veemência, pois é imoral e antirrepublicana. Não foi para isso que suas excelências receberam um mandato popular. O Brasil quer respeito à democracia, decência, transparência, dignidade, justiça, trabalho, educação, ciência, saúde, cultura e compromisso do parlamento com o país.

Só cuidam dos interesses pessoais, transgridem a lei e ainda desejam ser condecorados. Almejam um processo sem investigação e sem punição. Usurpam o mandato popular para criar leis no sentido de descriminalizar o crime e lavar a ficha-suja.

18º Batalhão: erros e ensinamentos de uma greve


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02 DE MARÇO, 2020 . SEGUNDA-FEIRA
O governo do Ceará foi surpreendido com uma greve construída por meio de WhatsApp, que ganhou proporções jamais imaginadas pelos policiais internautas. A ideia era apenas colocar crianças e mulheres na porta dos quartéis, com cartazes pedindo que o aumento do piso do soldado de R$ 4,5 mil fosse pago ainda em 2020. No processo, começaram a surgir os erros. Colocaram máscaras, enxotaram oficiais de dentro dos batalhões, arrombaram depósitos de armas e tomaram o patrimônio público de assalto. Jovens policiais acabaram construindo uma greve sem precedentes, que viralizou e contaminou policiais e outras unidades. Se tivessem planejado, não daria tão certo. 
O mais grave: a mistura com a política nacionalizou a greve, a partir do momento que balearam o senador da República, Cid Gomes, uma liderança política de grande expressão. Os tiros foram disparados por mascarados comandados por um sargento que é vereador em Sobral e adversário do senador. O episódio fez despertar autoridades de todas instâncias de poder, que, por unanimidade, consideraram a ilegalidade da greve, impondo uma derrota ao movimento. A greve, então, passou a se agarrar na rendição sem punição, até agora, rechaçada pelos oficiais e o governador Camilo Santana. 
Os maiores derrotados dessa greve não serão os soldados, mas as entidades que agregam policiais e os políticos que penetraram nas tropas para tirar proveito eleitoral. A sociedade, aprisionada, não tolera ver tanques, metralhadoras e cadáveres espalhados, como se não existissem leis, apenas tiranos. 
Por Roberto Moreira

Em artigo, presidente do Sindiágua critica MP do Saneamento que teve Tasso como relator



Com o título “Por um futuro melhor para quem?”, eis artigo de Jadson Sarto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Ceará (Sindiágua). Ele bate duro na MP do saneamento, que teve como relator o senador cearense Tasso Jereissati (PSDB). Diz conter inseguranças jurídicas e com objetivo de violar a titularidade do saneamento. Confira:
A eleição de Bolsonaro não deu ao Brasil somente um governo envolvido em trapalhadas e posições polêmicas (muitas vezes próximas ao bizarro). Estamos vivendo os riscos de uma guinada ultraliberal que exige vigilância. Entre as ameaças, está a sede pela privatização da água, materializada na Medida Provisória 868, que altera o marco legal do saneamento.

A bancada federal cearense e a Reforma da Previdência


Com o título “Quem sabe faz a hora”, eis artigo de Antonio Mourão Cavalcante, médico, antropólogo e professor universitário. Ele cobra posição da bancada federal cearense sobre o tema da Reforma da Previdência. Confira:
A Reforma da Previdência avança no Congresso Nacional. Quem, com um mínimo de isenção e cuidado analisou a proposta, logo se convenceu que o termo é inadequado. Não se trata de reforma, mas de destruição do sistema de Seguridade Social. Na histórica luta entre Trabalho x Capital, a falência da força laboral fica muito evidente. Ela vai custar 1, 3 trilhões de prejuízo para a classe trabalhadora.
A falácia de “cortar privilégios” não se sustenta. O Poder Legislativo e o Poder Judiciário ficaram de fora. E, justamente nesses dois estão as maiores distorções. Essa história de capitalização, além de obscura, protege o patrão. O capital não deverá mais contribuir. Se você quiser, a capitalização será unicamente sua. E por aí vão as perdas da classe trabalhadora. Dezenas de anos de lutas e conquistas, simplesmente anuladas por uma proposta indecente e oportunista.
Entretanto, o grande desafio agora é convencer e pressionar nossos deputados federais e senadores. Eles vão decidir o assunto. E, obviamente, todo esforço deve ser dirigido no convencimento de nossos legisladores. Precisam ser pressionados. Precisam dar explicações a seus eleitores.
Todos os fins de semana eles estão por aqui. Temos transmitido nossa inquietação? Temos buscado um diálogo mais produtivo? Ou eles estão calados e escondidos?
Como votará o deputado que você mandou como seu representante para Brasília? Ele tem dado alguma declaração? Ou está naquele grupo que busca “pactuar” o apoio? Está buscando algum cargo federal de segundo escalão para se “convencer” que a reforma é boa?
Por que a imprensa não promove um debate com estes deputados e senadores? Eles precisam mostrar – claramente – aos seus eleitores, como vão votar e por quê? Não é uma cobrança inoportuna, mas algo essencial à democracia. Não pode ser uma coisa escondida. Nosso futuro não pode estar sujeito a uma circunstância de leilão ou um balcão de troca. “Toma lá, dá cá.”
A essência da democracia é o exercício da cidadania. Se uma medida do governo vai claramente nos prejudicar – caso em análise – não podemos ficar calados. Mas pressionar. Agora! “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer…”
*Antonio Mourão Cavalcante,
Médico, antropólogo e professor universitário.
(Foto – Divulgação)

Reforma da Previdência – Na marra, não!

Com o título “Na marra, não!”, eis artigo de Antonio Mourão Cavalcante, médico, antropólogo e professor universitário. Ele comenta perdas e danos da reforma da Previdência do governo Bollsonaro. Confira:
Com grande ênfase o ministro da Economia, Sr. Paulo Guedes, afirma que, sendo a Reforma da Previdência aprovada, o Governo terá um lucro de 1,4 trilhões de reais. Ora, como dinheiro não cai do céu, cabe uma pergunta bem inocente: se um lado vai ganhar isso tudo, qual será o lado que vai perder tudo isso? Nem precisa pensar muito. Serão aqueles que sempre perdem. No caso, a grande massa trabalhadora do país…
Se as vantagens vão diminuir, se o tempo de contribuição vai aumentar, é justo que a contribuição continue a mesma? Se seremos empurrados a realizar uma poupança privada – via bancos particulares – por que continuar contribuindo com a Previdência do Governo? Qual a vantagem concreta? Perdendo vantagens, a porcentagem de participação será a mesma, para obter menos benefícios?
O Governo Bolsonaro insiste que essa reforma quebrará privilégios de alguns setores da sociedade. Aqueles que ganham mais, pagarão mais e ganharão menos. Pois bem, não seria didático nos informar quais são estes grupos e quais benesses serão cortadas?
Tendo contribuído ao longo de todos estes anos, é justo pensar que foi gerada uma grande capitalização. Em termos de poupança, teria sido uma grande bola de neve crescendo na virada de cada mês. Feito um cálculo atuarial, com certeza, o rendimento fixo obtido seria maior do que hoje – em média – paga o Governo como aposentadoria. Não faz sentido afirmar que sejam as contribuições de trabalhadores da ativa hoje, que garantem minha aposentadoria. Se temos o direito a uma aposentadoria é porque ao longo de muitos anos, pagamos compulsoriamente nossa cotização. Se o Governo foi perdulário com o que arrecadou, ele é o responsável. É injusto e irresponsável exigir múltiplas contribuições para um único e pífio benefício. Será que somos otários?
O afogadilho em aprovar a reforma, dizendo que o Brasil tem pressa e pode quebrar, é papo furado. Na realidade, o Governo foge da discussão mais responsável do assunto. Empurra uma reforma goela abaixo. Impõe um projeto urdido nos conchavos do Planalto. A força do trabalho – a consciência e a história da sociedade brasileira – não pode permitir esse afogadilho… Calma senhores! Essa é uma questão muito séria, que envolve muitos atores e conseqüências. Não pode ser tangida pela pressa e pela força. Na marra!…
*Antonio Murão Cavalcante,
Médico, antropólogo e professor universitário
[a_mourao@hotmail.com]

Por que Bolsonaro demite seu ministro?



Da Colina Política, no O POVO deste sábado (16), pelo jornalista Érico Firmo:

O governo acaba de completar um mês e meio e acumula quantidade considerável de problemas a serem resolvidos pelo presidente convalescente. Jair Bolsonaro (PSL) administra a mais difícil das crises: aquela que envolve as pessoas mais próximas. Um filho e um (ex?) amigo estão em rota de colisão há tempos. Problema que cresce em meio a escândalo de candidaturas laranjas. Pelas notícias da noite de ontem, Gustavo Bebianno está demitido da secretaria-geral. O primeiro ministro a cair é logo um dos mais próximos do presidente.
Para entender: 1) Um dos braços direitos do presidente e dirigente do partido dele durante a última campanha, Bebianno está enrolado até o pescoço com suposto esquema de candidaturas laranjas para repasses irregulares de recursos de campanha. 2) Bebbiano foi chamado de mentiroso no Twitter, pelo filho do presidente, depois que o ministro disse que falou seguidas vezes com Bolsonaro. O presidente retuitou a acusação do filho, dando aval. 3) Em entrevista à revista Crusoé, Bebbiano deu resposta atravessada: “Eu não sou moleque para ficar batendo boca em rede social”. Entendi que ele chamou o filho do presidente de moleque.
O filho chamou o ministro de mentiroso, o pai deu chancela e o ministro chamou o filho do presidente de moleque. O ministro parece cair mais pela briga com o filho que pelo escândalo. Do outro lado, há pressão contra a influência doméstica. “Tenho certeza que o presidente, em momento aprazado e correto, vai botar ordem na rapaziada dele”, disse o vice-presidente, Hamilton Mourão.
Pelas informações de ontem, Bolsonaro não só demitirá o ministro como afastará o filho das decisões de governo. Se assim agir, Bolsonaro fará bem. Transformar governo em negócio familiar e de amigos nunca levou ao sucesso de administração nenhuma.

A oportunidade perdida de passar a Justiça a limpo


Ministros Dias Toffoli, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello em outubro de 2018.rn
Foi arquivado nesta segunda-feira o pedido de criação da CPI da Justiça — a “Lava Toga”, proposta pelo senador Alessandro Vieira (PPS/SE) na última quinta. O pedido havia conseguido o apoio de 27 senadores, o quórum básico para instalação da CPI.
Mas a retirada da assinatura de dois senadores, aos 47 do segundo tempo, sacramentou o fim do louvável esforço de passar a Justiça brasileira à limpo. A corporação venceu.
Poucas contribuições poderiam ser mais valiosas para o país neste momento histórico do que trazer o combate à corrupção para dentro do Judiciário brasileiro.

Editorial do O POVO – “Mariana, Brumadinho e o País das tragédias anunciadas”


Com o título “Mariana, Brumadinho e o País das tragédias anunciadas”, eis o Editorial do O POVO desta segunda-feira:

Até quando? A palavra se impõe diante do registro de mais uma tragédia no Brasil que determina prejuízos ambientais de dimensão incalculável e perdas humanas no campo do irreparável. O dramático episódio que agora faz o País chorar em torno de Brumadinho, em Minas Gerais, choca, com especialidade, até dói, ao se perceber que estamos diante de um quadro absolutamente previsível e que poderia ser evitado, houvesse um pouco mais de responsabilidade e compromisso da parte dos envolvidos, tanto os da área pública como aqueles que operam pelo setor privado.
Há apenas três anos vivíamos o mesmo cenário, na mesma região, pelos mesmos motivos, praticamente, fruto de um quadro muito evidente de negligência e omissão que se repete. Portanto, reforçamos, o que acontece em Minas, a partir do rompimento de uma barragem administrada por uma empresa de mineração de grande porte, como a Vale do Rio Doce, insere-se na categoria do inaceitável e exige uma exemplar identificação e punição dos responsáveis, inclusive quando se percebe que o prejuízo calculado em termos de perda de vidas apresenta-se expressivamente maior. Mais gente morreu em Brumadinho, lembre-se.

ACOPIARA:CE: UM FIM DE ANO SEM EVOLUÇÃO NA TERRA DO LAVRADOR


31 DE DEZEMBRO, SEGUNDA-FEIRA

Hoje, no último dia de 2018 poderíamos estar comemorando números, realizações, comportamentos, ações sociais, e festejando o vinho do avanço. A árvore de natal morta pela decência do ilimitado artigo, sobrevoa com os corvos nos muros das casas de minha terra procurando nos muros os restos da indecência, das bebidas e das comidas deixadas por quem de direito usurpou ao longo do ano, o proletariado, as classes sociais, os enfermos, a educação, e todo item obrigatório do desenvolvimento humano. A neve que ao longo do ano, joga o trem da soberba, da ignorância, do atraso, vai dissecando as vértebras dos indigentes que teimam em surrupiar o dinheiro público, e aznamente relincha sobre uma publicidade repudiante que só foi vista ao longo dos anos em países que fizeram da propaganda o meio de conseguir o poder, através dos "cala" dos "deixa" ou dos acordos ferozmente estampados na cara das classes miseravelmente pobre. Necessário se faz colocar uma cadeira de dentista e um dentista imensamente voltado para a opinião pública, para que ele arranque os dentes podres dos três poderes de Acopiara e jogando no lixo da história todo aquele que sentou a nádega fraudulenta do poder. É, inadmissível a ferocidade das ancas e das proezas íntimas com que se travam os acordos que nocauteiam as pessoas deixando-os sem ação par suprimir a vergonha colocadas a cloro pelo miserável odor dos que maltratam nosso povo, tão simples, tão ordeiro e trabalhador. Não consigo entender por que as dentaduras da velha política, ainda teima em querer ganhar e não assimilar nada do humanismo, da lucidez política, encravando no vácuo da história como uma lebre, correndo pelos ventos do norte sem assobiar os do sul. O novo sempre virá, e com ele a magnitude nos ombros de pessoas que farão desta terra uma promissora cidade, é sonho? Talvez, mas, sem sonhar, todo o diagnóstico e a leitura do falso e do verdadeiro, poderá transpor a suavidade da vida ou da morte. Um fim de ano, pobre, sem perspectiva, com sinceridade, é assim que pinto sem máscara a arvore de natal de minha adorada Acopiara, se quiser pintar de outra forma, o pincel é seu. Por Carlos Dehon.     

Votar pela democracia

Com o título “Votar pela democracia”, eis artigo de Marcelo Uchoa, advogado e professor da Unifor. Ele lança apelo contra o voto nulo e em favor de Fernando Haddad (PT). Confira:

O pior adversário de uma democracia é aquele que tem plenas condições de assimilar o cenário político, mas se acovarda em conjecturar além do senso comum.
As eleições presidenciais brasileiras deste ano chegaram a um momento crítico. Estão em disputa dois projetos amplamente antagônicos, um predisposto a dialogar, construir pontes entre os diversos campos, pondo-se como via alternativa em prol de algum futuro para o país; e outro deliberadamente tentando escapar do debate, justificando-se por terrorismos de fake news associados a discursos levianos como o da negação da política e o apelo ao uso e abuso da violência, acintosamente colados à palavra de Deus, para sustentação de sua estratégia de obtenção de poder.
À medida que se aproxima o dia D do segundo turno a truculência desse discurso vem apresentando nas ruas suas nefastas consequências: multiplicam-se denúncias de uso de constrangimentos morais e violências físicas perpetrados contra eleitores do campo adversário. Até mesmo apologia a símbolos nazistas, o que em outros países seria motivo de prisão, está se convertendo em algo corriqueiro no país.
Num quadro arriscado assim não há como negligenciar a responsabilidade. Pessoas de boa índole precisam reconhecer que sem participação cívica a democracia não suplantará o fascismo. Diante de dois projetos tão antagônicos para a nação, quem peca por omissão não peca menos gravemente do que quem peca por ação.
Ordinariamente, votos nulos são admissíveis quando a repulsa ao processo não representa um perigo para a democracia. Se existe, porém, algum risco à perenidade democrática anular o voto se converte em opção pela anti-política, pela barbárie. Que a consciência cívica de cada um prevaleça sobre rancores e divergências pontuais.
*Marcelo Uchôa
Professor Doutor de Direito da Universidade de Fortaleza (Unifor).

A SUBMISSÃO HIPÓCRITA E JORNALÍSTICA DA GLOBO



29 DE AGOSTO, QUARTA-FEIRA

A Globo, mais uma vez deixou a desejar em sua entrevista com um candidato à presidência da república. Deixou de lado perguntas que interessa ao clero e foi direta em nominar por opiniões particulares do candidato do PSL Bolsonaro, segundo entrevistado da semana. Horrível o atacadismo barato e vulgar dos dois repórteres, William Bonner e Renata Vasconcellos que banalizaram o conceito jornalístico preponderantemente atual. Não sabemos ainda qual a intenção da Globo, se é a audiência ou se é pelo momento atual, e pelo seu vetor de referência denegrir e acabar de vez com alguma candidatura que não lhe interessa. Assim como ela construiu a imagem de figuras políticas durante sua trajetória, também soube destruí-las perante a massificação de sua audiência no horário nobre da aberta TV. Dois pavios curtos foram entrevistados e os repórteres se deram mal, sendo massacrados nas redes sociais. Ciro Gomes percebeu logo a intenção dos dois e se posicionou de soslaio em sua cadeira giratória como que esperando o lobo atacar e inteligentemente esperou a matilha de perguntas voltadas às suas atitudes e pensamentos e sua postura diante da cartilha de planejamento para o Brasil. Foi um bate boca de esquina que deixou os dois "jornalistas" sem direção. O consumo vulgar de perguntas dirigidas a Ciro, deu a entender que mais uma vez a Globo está tendenciosa, e quer por que quer acabar com sua imagem, não deu certo. Ontem, mesmo sabendo da deficiência de Bolsonaro, em muitas áreas, os jornalista apontaram para o nariz do candidato, que se acuou mas mesmo assim, "metralhou" certeiramente em seus pontos fracos, em suas particularidades, e na defesa do seu eterno ídolo mor, e criador Roberto Marinho. Foi um desastre jornalístico.

- Em tempo: 

Amigos



21 DE JULHO, SÁBADO
Em artigo sobre o Dia da Amizade, o sociólogo e jornalista Demétrio Andrade avalia os diversos conceito de amigo. Confira:
Costumo dizer que tenho poucos amigos. É uma palavra que costumo tratar com muito cuidado, diria até com certa reverência. Mas, com o tempo, descobri que isso é muito relativo. O conceito “amigo” ganhou diversas facetas, cada uma delas com suas idiossincrasias próprias. Roberto Carlos, por exemplo, quando fala em ter “um milhão de amigos” o faz dentro de uma realidade tipicamente romântica: uma utopia que fez a alegria, lembro bem, de vários políticos que usaram este verso como slogan.
Aliás, o mundo do poder tem muito isso. Algumas pessoas adoram dizer que são amigos do fulano ou do sicrano mais ou menos influente. É o chamado amigo oportunista: aquele que apertará sua mão enquanto você detiver algum rasgo de superioridade sobre os demais. Como também cantava Nélson Cavaquinho, “Você tendo vida, saúde e dinheiro/Todos lhe querem muito bem/Mas se você fracassar/Pode ter a certeza/Que ninguém vem lhe procurar”. Mas não quero tratar de falsidade aqui, mas de tipologias cordiais.

Vossa Majestade… o Supremo Tribunal Federal



Com o título “O diálogo do Diálogo com o Monólogo, Vossa Majestade, o Supremo Tribunal Federal”, eis artigo do sindicalista Antonio Ibiapino da Silva, filiado ao PT. Confira:
Vossa Majestade, talvez tenha sido bom, mas também pode ter sido uma ilusão tê-lo conhecido e acreditado em vossa sabedoria e, sobretudo, no espírito de justiça que se lhe imputam.
Sempre me esforcei para acreditar que Vossa Majestade estaria acima de qualquer interesse que fosse além da justiça em si. Em minha ingenuidade acreditei que a política, os negócios, as classes sociais e seus interesses específicos não faziam parte do eixo central de atuação de Vossa Majestade, e, que o vosso papel era o de promover a justiça para todos; porque a justiça por sua própria natureza só tem razão de ser, se for na forma de um bem supremo.

A Batalha de Porto Alegre

Com o título “A Batalha de Porto Alegre”, eis artigo de Rui Martinho Rodrigues, historiador. Ele aborda o !Fla-Flu” em que se tornou o julgamento do ex-presidente Lula, que ocorrerá na próxima quarta-feira, no TRF-4, na Capital gaúcha Confira: 

Aparecido Fernando de Brinkerhoff Torelly (1895 – 1971), o Barão de Itararé”, ridicularizava o resultado do confronto entre rebeldes e legalistas que se posicionaram em Itararé, na divisa entre São Paulo e Paraná. Contingentes numerosos lutariam ali, em 1930. Seria a maior batalha da América do Sul, segundo se anunciava. Um acordo entre os comandantes garantindo o emprego e as patentes selou a vitória dos rebeldes. A batalha incruenta ganhou o barão autonomeado, na pessoa do jornalista crítico.
Porto Alegre, a semelhança de Itararé, segundo se anuncia, será palco de importante batalha no dia vinte e quatro próximo vindouro. Militantes importados do Paraguai, Uruguai e Argentina virão reforçar os ativistas nacionais, seguindo o exemplo da importação de índios do Paraguai, para fortalecer a causa dos seus pares do Paraná; e trazidos do Pará, para ajudar em luta da mesma espécie no Ceará. O outro lado também se mobiliza desfraldando o verde e amarelo. O confronto se anuncia para depois do fato consumado. Os votos dos desembargadores já estão prontos, a ação judicial não irá terminar na data marcada, seja qual for a decisão da câmara criminal que julgará o ex-presidente Lula no TRF-4.

Até suplente do senador Eunício Oliveira é contra a reaproximação dele com Camilo Santana

05 DE DEZEMBRO, TERÇA-FEIRA
Com o título “O PT acertou”, eis artigo de Waldemir Catanho, jornalista e assessor da deputada federal Luizianne Lins. Ele bate duro na possível aliança Camilo-Eunício e lembra que união do gênero seria grande contradição. Confira:


Nas últimas semanas, a imprensa tem falado com insistência da possibilidade de aliança do PT Ceará com o PMDB e o consequente apoio à reeleição do senador Eunício Oliveira. Em troca haveria o apoio de Eunício à reeleição do nosso governador Camilo Santana (PT). O próprio senador Eunício chegou a dar declarações abrindo essa possibilidade e se dizendo, inclusive, possível eleitor do Lula.
Essa discussão colocada apenas nesses termos é espantosa pelo seu grau de despolitização. Transparece uma discussão rasa, que ignora solene e irresponsavelmente os impasses que o golpe parlamentar-jurídico-midiático jogou nosso país à partir da destituição da presidenta Dilma Roussef. Uma tentativa de se fazer acordos políticos de “toma lá, dá cá” que passam ao largo da discussão sobre o futuro da país.
Desde o golpe, as elites capitalistas brasileira e internacional têm aprovado medidas que desmancham as conquistas construídas ao longo dos governos Lula e Dilma e desenham um verdadeiro apartheid social, com um país ainda mais injusto e mais desigual. São medidas tomadas em seu exclusivo benefício, que aumentam suas margens de lucro, como são exemplos a reforma trabalhista, a entrega das reservas do pré-sal, a permissão para venda de terras brasileiras para estrangeiros, o ataque aos direitos indígenas e quilombolas. O congelamento de todos os investimentos públicos e gastos sociais pelos próximos 20 anos, vai afetar praticamente todas as esferas de vida de 90% da população, congelando gastos com saúde, segurança pública, educação, cultura, saneamento, moradia popular, infraestrutura, crédito, assistência social, agricultura familiar, ciência e tecnologia, etc. Em contrapartida ficou mantida a liberalidade dos gastos com o pagamento de juros e amortização da dívida pública. Um presente para banqueiros, financistas e operadores do mercado financeiro que ganharam, a ser mantida essa regra, a garantia de seus lucros com o mercado financeiro pelas próximas duas décadas.

Portaria de Temer envergonha o País, diz presidente da CUT do Ceará

20 DE OUTUBRO, SEXTA-FEIRA
Com o título “Escravidão completa circo de horrores do golpe”, eis artigo do presidente da CUT do Ceará, Will Pereira. Ele bate duro na portaria do Ministério do Trabalho que flexibiliza relações de trabalho e impede a divulgação do ranking de empresas que exploram trabalhadores. Confira:
O circo de horrores parece não ter fim. Sem pudor algum, o governo golpista segue, dia a dia, comandando o País sob a égide de uma troca de favores mesquinha e injusta em benefício não de uma nação inteira, mas de um governante. O mesmo que alcançou o poder de forma ilegítima e que segue afogado em sua própria impopularidade e por denúncias de crimes de toda sorte. No mais recente ataque dos inúmeros que nos assolam cotidianamente, foi divulgada, na última segunda-feira (16), a portaria nº 1129/2017 do Ministério do Trabalho. Ela modifica o conceito de trabalho escravo e traz novas regras sobre a publicação da “Lista Suja”.
Para nós, que fazemos a Central Única dos Trabalhadores, a referida portaria é mais um benefício concedido à bancada ruralista e a setores como o têxtil e da construção civil, que têm forte incidência de trabalho análogo à escravidão no País. Pela legislação vigente, uma situação de trabalho forçado, ou servidão por dívida, ou condições degradantes, ou jornada exaustiva já é o bastante para que se identifique o conceito de escravidão contemporânea. Essa medida, repugnante, nada mais é que a tentativa de se reduzir esse conceito.
A precarização das condições de trabalho no Brasil segue veloz desde que o golpe parlamentar se consolidou em 2016. Modificar o conceito de trabalho escravo hoje fere gravemente os direitos respaldados pela legislação brasileira e pelas Convenções 29 e 105 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificadas pelo Brasil. Tanto que o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Ministério Público Federal (MPF) já anunciaram que vão recomendar a revogação imediata da portaria.
Não bastasse a imagem vexatória que o ilegítimo Michel Temer representa do nosso País a cada aparição fora de nossas fronteiras, segue nos envergonhando e atacando diante de organismos internacionais. A própria Organização das Nações Unidas (ONU) já defendeu, oficialmente, a manutenção do atual conceito de trabalho escravo vigente no Brasil – apontado por ela como referência no combate ao trabalho escravo para a comunidade internacional. E até isso Michel Temer nos quer usurpar. Logo ele, que é referência para quem?
*Wil Pereira
presidencia@cutceara.org.br

A geração que lutou pela redemocratização e um perverso legado

Com o título “Geração irresponsável”, eis artigo do advogado Vanilo Guimarães. Numa espécie de meta culpa, indaga> o que deixará a geração que lutou pela redemocratização do País para as próximas gerações. Confira:
Nunca na história deste país uma geração foi tão irresponsável quanto esta a que pertenço. A geração dos meus pais lutou pela liberdade e, cumprindo sua missão, encerrou o período da ditadura militar, redemocratizando o País e promulgou uma nova Constituição. As gerações de outrora conquistaram avanços no reconhecimento dos Direitos Humanos, de forma gradativa, desde a libertação dos escravos.
Primeiramente perguntamos: o que fizemos nós, protagonistas do tempo presente? A quem delegamos tanto poder (nosso poder)? Como e por que não cobramos, não fiscalizamos nem tomamos nenhuma atitude neste sentido? Qual tipo de sociedade vamos deixar como herança?
Demos todo poder institucional para um grupo de achacadores e ficamos irresponsavelmente aplaudindo cenas, nomes e caras como plateia comprada de um programa de auditório de televisão. O murmúrio comum de espanto pelo que tomamos conhecimento de forma expressa pela Operação Lava Jato não combina com nossa atitude de passividade irresponsável. Situação, de certa forma, previsível. Crônica de uma morte anunciada.
Muito provavelmente deixaremos o País em condições mais difíceis do que recebemos. Somos responsáveis pelas nossas ações, seja isso coletivamente, seja individualmente entendido, nunca vítimas. E tal discurso vitimizador desses tempos nada mais é do que uma tentativa de esconder o procedimento de atitudes, ou a falta delas, inconsequentes que essa geração se determinou a ter.
Todavia, teremos um castigo maior: não seremos nós mesmos os únicos a receber os desastrosos castigos por nossas culpas coletivas. Não somente nós padeceremos no inferno dos hospitais sem médicos e medicamentos, das escolas sem professores e aos pedaços, das estradas e pontes inacabadas e do desemprego avassalador. Estarão junto conosco os jovens e futuros atores da sociedade, os idosos e enfermos, os profissionais trabalhadores nas cidades sem colocações e todo o conjunto social, principalmente o urbano, cercado de violência desmedida que matam literalmente muitos a cada dia.
É essa a realidade, nada tem de surpresa, somos os responsáveis, ou melhor, a geração irresponsável. “Os atos de uma pessoa tornam-se a sua vida, tornam-se o seu destino. Tal é a lei da nossa vida”, já dizia o grande Leon Tolstoi. Seja essa pessoa vista individualmente, seja essa pessoa um único ser social.
*Vanilo de Carvalho
vanilof@uol.com.br
Advogado

É preciso interromper a matança!

Com o título “É preciso interromper a matança”, eis o Editorial do O POVO desta terça-feira. Aborda tantos homicídios registrados no Estado nos últimos meses. Confira:
A que níveis a violência no Ceará poderá alcançar não se sabe, mas tem sido preocupante cada vez mais falar a respeito disso em 2017, quando se atualizam as estatísticas mês a mês dos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs). Que é como são nominados em registro os casos de homicídios no Estado. Acompanhando a escalada dos números apresentados desde janeiro, o que se imagina, de fato, é que poderá piorar.
Não é aceitável, em nenhum grau de razoabilidade, que o total de pessoas assassinadas em Fortaleza tenha crescido 217,7% no último mês de junho, comparando com junho do ano passado. Foram 197 casos este ano; haviam sido 62 no mesmo mês de 2016. É um cenário bastante preocupante.
E não parece ser pontual. Os homicídios crescem mensalmente desde janeiro, e entre os junhos de 2016 e 2017 tiveram alta em todas as outras regiões de segurança do Estado: +132,7% na Região Metropolitana, +27,4% no Interior Norte, +6,9% no Interior Sul. Na totalização de CVLIs do Ceará do último mês, foram mais 91,1% de assassinatos.
Nada sinaliza que haverá alguma mudança, pelo menos por enquanto.
Talvez as facções surpreendam com um novo pacto de paz? Mesmo que isso aconteça, não se deve esperar nada desse submundo que não sugira reveses mais adiante. Em algum momento anterior, foi isso que falseou a contagem de casos e a violência mais próxima nos parecia amenizada. Na tradução dos números, os assassinados, em maioria, são jovens. O crime ampara jovens na periferia porque sabe das ausências do Estado.
Se “o que falta é reduzir a sensação de impunidade”, como disse o secretário da Segurança Pública André Costa, em entrevista ao O POVO no último sábado, dia 8, então agora são pelo menos dois grandes problemas para resolver. (Agora não, já se fala disso há mais tempo – mas nunca em cenário tão grave.) Porque a sensação de insegurança, que todos como cidadãos percebemos, essa, até agora, não tem nos aliviado. É a partir dessa aflição individual que a estratégia da Segurança Pública poderia ser mais bem pensada. E de fato executada.
Chega em boa hora a entrega, feita ontem pelo governador Camilo Santana, de mais de 300 novas viaturas que serão postas na estratégia de enfrentamento ao crime. Urgentemente, é preciso estancar essa matança.
O POVO

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