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Editorial do O POVO – “Reformas no Estado”

Com o título “Reformas no Estado”, eis o Editorial do O POVO desta quinta-feira. Aborda o pacote de reforma administrativa que o governador Camilo Santana (PT) já mandou para a Assembleia Legislativa. Confira:
Tornou-se padrão repetir que o segundo mandato de um governante tende a ser pior do que o primeiro. O governador Camilo Santana parece estar ciente disso e quer manter, ou melhorar, a forma de administrar o Ceará, que o levou a ser reeleito no primeiro turno com mais de 70% dos votos. A partir do estudo de uma assessoria contratada, ele pretende ajustar a máquina administrativa de forma a reduzir o gasto público. Entre as medidas propostas está a extinção de seis secretarias, das 27 existentes, e a supressão de 997 cargos comissionados, economizando cerca de R$ 27 milhões por ano, segundo cálculos do governo. A mensagem propondo a mudança já foi enviada à Assembleia Legislativa.

Editorial do O POVO: “Faltam explicações”


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Com o titulo “Faltam explicações”, eis o Editorial do O POVO desta terça-feira. Aborda o nebuloso caso envolvendo um ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro. Confira:
Jair Bolsonaro recebeu ontem, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o diploma de Presidente da República. A diplomação é uma cerimônia atestando que o candidato foi efetivamente eleito pelo povo e está apto a ser empossado no cargo, o que ocorrerá no dia 1º de janeiro de 2019. Com 57,7 milhões de votos, ele derrotou os adversários em uma campanha orientada pelo conservadorismo nos costumes e pelo combate à corrupção.
No entanto, uma sombra paira sobre o futuro presidente, desde que se viu envolvido em um caso até agora sem explicações convincentes. Como já é de conhecimento público, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encontrou movimentações “atípicas” na conta de Fabrício José Carlos de Queiroz, motorista e assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), até outubro deste ano, quando foi afastado de suas funções.

A vitória de Bolsonaro


Com o título “A vitória de Bolsonaro”, eis o Editorial do O POVO desta segunda-feira:

Os eleitores deram o seu veredicto, e Jair Bolsonaro (PSL) é o novo presidente do Brasil, assumindo o cargo no dia 1º de janeiro de 2019. Foram 57,7 milhões de votos contra 47 milhões de seu adversário, Fernando Haddad (PT). É uma vitória que expressa o desejo da população brasileira por uma mudança nos rumos do País.
O resultado da eleição reflete a polarização à qual o País está submetido, que se aprofundou durante a campanha, provocando conflitos nunca antes vistos desde a redemocratização. É esta nação conflagrada que aguarda o presidente eleito Jair Bolsonaro.
Nunca é demais repetir: ele precisará ser o presidente de todos os brasileiros. Essa questão, de aparente obviedade, precisa ser ressaltada quando, por exemplo, se analisa o desempenho dos candidatos e se percebe que o Nordeste votou majoritariamente a favor de seu concorrente. Estabelecer uma relação republicana, portanto, é uma tarefa urgente para o novo governo.

Eleições : Governo Estadual



As eleições para o governo do Ceará levaram o governador Camilo Santana (PT) à reeleição, como estava desenhado, há muito, pelas pesquisas que antecederam as eleições. Estas sempre o colocaram em ampla vantagem em relação ao segundo colocado, General Theophilo (PSDB). A ampla aliança construída dá-lhe uma base de sustentação aparentemente tranquila, mas, só a definição do quadro nacional é que dará a noção do quanto isso será modulado, ou não.
O fato é que o índice de 79,95% de aprovação o coloca, como o governador, proporcionalmente, mais votado do País no primeiro turno. Isso dá ideia do nível de confiança que sua liderança obteve no seio da sociedade. Administrar esse capital de modo a manter os liames com os atuais pontos de apoio é o desafio em meio a uma conjuntura nacional desafiadora, independentemente de qual lado será o vencedor na disputa pelo governo central. Evidentemente, isso poderá transcorrer com maior facilidade se o Planalto estiver na mesma sintonia política. Mas, o sistema democrático foi feito para conviver com o pluralismo de visões políticas e administrativas, inclusive de visões de mundo.
No caso do Ceará, o sucesso da gestão do governo Camilo Santana parece ser o equilíbrio que vem mantendo entre o capital e o trabalho, que poderia (para a maior compreensão do processo) ser classificada como próxima do modelo socialdemocrático europeu – apenas para se ter um referencial que ajude a elucidar o fenômeno. Evidentemente, aumentarão, daqui para frente, as pressões para que a dinâmica econômica ganhe mais velocidade em relação à pauta social. Aí a habilidade e a flexibilidade para incorporar esses elementos dinâmicos, sem descaracterizar a faceta que dá características próprias à administração, serão o grande desafio.

O novo nem sempre vem

11 DE JUNHO, SEGUNDA-FEIRA
Com o título “O Novo nem sempre vem”, eis o Editorial do O POVO desta segunda-feira.Uma boa reflexão sobre resultados da última pesquisa do Datafolha para presidente Confira:
Uma das lições extraídas da nova rodada de pesquisa de intenção de voto do Datafolha é que, ao menos na política, o novo nem sempre vem. Ou, se vem, talvez não chegue a tempo. A depender da sondagem divulgada ontem, as eleições presidenciais de 2018 devem ser decididas entre políticos experimentados, com trajetória consolidada e currículo variado.
É o caso de Lula (ou alguém indicado por ele), do PT, Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB). A bons quatro meses da votação, são os nomes que surgem mais bem colocados na pesquisa, que mostra liderança do ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro (PSL) na hipótese cada vez mais provável de o ex-presidente petista ser barrado pela Justiça Eleitoral.
Os demais, entre os quais se encontram empresários e políticos de primeira viagem cuja postulação é tentativa de capitalizar esse sentimento difuso de busca pela mudança após a Lava Jato, pulverizam-se entre zero e 1% das intenções.
O retrato da pesquisa parece frustrar essa parcela do eleitorado que esperava uma novidade desde os protestos de junho de 2013, passando pelo impeachment e chegando à paralisação dos caminhoneiros. De lá para cá, nenhuma liderança, à direita e à esquerda, demonstrou acúmulo de capital político. Não à toa o alto índice de brancos e nulos revelado pelo Datafolha – algo perto de 25% na pesquisa espontânea. Até houve esse momento no qual um outsider atravessou fulgurante os céus de Brasília, mas foi passageiro e logo se extinguiu. Uma a uma, as estrelas foram sucessivamente se apagando na corrida eleitoral. Primeiro, o apresentador de TV Luciano Huck, que negou por duas vezes que seria pré-candidato ao Planalto. Depois, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, cuja filiação ao PSB provocou certa comoção no xadrez político e causou um rearranjo nas alianças antes que ele mesmo cuidasse em dizer que não entraria na peleja.

São Camilo e sua Arca de Noé



Da Coluna Política desta quarta-feira, assinada no O POVO pelo jornalista Henrique Araújo Confira:
O governador Camilo Santana (PT) repete agora o que, futuramente, pode se mostrar um grande erro: um arco de alianças tão amplo cuja acomodação de interesses se inviabilize no curto prazo, despedaçando-se em seguida. Já aconteceu antes, e não faz tanto tempo assim.
Corria 2006, e o leque de partidos que apoiavam a candidatura de Cid Gomes (então no PSB) ao Governo do Estado tinha representantes de todos os grandes grupos políticos do Ceará: do tucanato ao petismo, com José Guimarães e Luizianne Lins, passando ainda por Eunício Oliveira e Moroni Torgan, além do hoje senador Tasso Jereissati. A chapa que disputava a corrida eleitoral contra o governador tucano Lúcio Alcântara era, então, um grande coração de mãe.

E por falar em sucessão governamental…



Com o título “A cinco meses das urnas”, eis o Editorial do O POVO desta sexta-feira. Aborda as pré-candidaturas já expostas na rua e de olho no voto do eleitorado cearense. Confira:
Contados de hoje, serão agora 149 dias pela frente até a votação de 7 de outubro, data do primeiro turno das Eleições 2018. Arredondando a contagem, cinco meses de expectativa, incertezas, acirramentos, movimentações intensas – as públicas e, principalmente, as de bastidores.
A disputa nacional puxou os debates até então. Agora, na ambiência local, as pré-candidaturas no Ceará já se põem ao teste das ruas. Passaram a se expor, tentar aparições que possam render apoios, além de apenas a agenda de encontros reservados nos gabinetes. O eleitor começa a (re)conhecer quais serão os concorrentes ao Palácio da Abolição.

O Estado precisa organizar sua resposta à gripe

Com o título “O Estado precisa organizar sua resposta à gripe”, eis o Editorial do O POVO desta segunda-feira. Critica as estratégias de vacinação contra a gripe H1N1. Confira:


A gripe H1N1 avança sobre a população cearense, deixando um lamentável rastro de doenças e mortes, e as autoridades demonstram-se despreparadas para lidar com a situação. Os relatos sobre o que acontece nos postos de vacinação em Fortaleza demonstram a reafirmação de um quadro de deficiência nas estruturas da área de saúde que, sem dúvida, concorre de maneira decisiva para o clima próximo ao pânico que tem sido observado. O caso, porém, requer uma imediata ação pública em função de sua emergência evidente.
Muito mais do que a inexistência de vacinas na quantidade que o momento parece exigir, o que até se pode admitir como natural diante dos sinais de que a crise apresenta caráter de anormalidade, o que realmente deixa indignado o cidadão ou a cidadã que busca os postos de atendimento é a falta de organização. Sequer uma informação confiável há disponível, muitas vezes, o que só aumenta a aflição das pessoas com o quadro, muito decorrente de uma carência de confiança da sociedade em relação à capacidade geral dos governos de apresentarem soluções.
Filas se formam, pessoas, idosas e crianças entre elas, chegam cedo às unidades de saúde e enfrentam um cenário de desinformação revoltante. Muitas vezes, até, dali saindo frustradas por falta de atendimento. Enfim, acaba-se entregue a um quadro de absoluta insegurança sobre a assistência prestada e à capacidade real que existe de atender à demanda, que é crescente também como resultado de um vazio de informes oficiais realmente confiáveis, como já ressaltado. Os relatos, nesse aspecto, indicam uma falha gritante do poder público em sua tarefa institucional de tranquilizar a população.
Até porque, os números disponíveis bastam como fator de apreensão coletiva. O último boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) sobre a situação parcial no ano de 2018 registra um aumento de 320% nos óbitos decorrentes de contaminação pelo vírus Influenza, causador da gripe H1N1, quando comparados a 2017. Foram 21 mortes, até agora, quando em todo o ano passado registraram-se cinco. Portanto, trata-se de um contexto que realmente exige uma atenção no nível alarmante em que o problema se manifesta.

Facções criminosas já expulsaram de suas casas 66 famílias em Fortaleza

Com o título “Expulsão de moradores”, eis o Editorial do O POVO desta quinta-feira:

A expulsão de moradores de comunidades dominadas por organizações criminosas é um fenômeno crescente, em Fortaleza. Segundo levantamento realizado pelo Núcleo de Habitação e Moradia (Nuham), da Defensoria Pública do Ceará, um total de 66 famílias (abrangendo, pelo menos 264 pessoas) já foram submetidas a essa violência. A estimativa é que o número de expulsos seja maior, pois muita gente deixaria de fazer a notificação por temor a represálias.
Os traficantes não se restringem a ameaçar os proprietários residentes, obrigando-os a abandonar seu patrimônio, mas passaram também a controlar os imóveis alugados, cobrando aluguéis, em lugar dos legítimos locadores, que ficam, assim, prejudicados. Têm a ousadia até de emitir “recibos” e de enviar “notificações” para quem está em débito com a facção espoliadora. ´

Ousadia criminosa e sem freios

Com o título “Ousadia criminosa sem freios”, eis o Editorial do O POVO desta terça-feira. Aborda o caso de quatro adolescentes que foram retirados de centro socioeducativo e, em seguida, executados. Confira:

A execução de quatro jovens que cumpriam medidas socioeducativas, retirados, na madrugada desta segunda-feira, 13, do Centro de Semiliberdade Mártir Francisca, no bairro de Sapiranga, por um grupo de homens armados, é mais uma afronta do crime organizado ao governo do Estado e ao povo do Ceará. O atentado ultrapassa todos os limites de insulto à ordem legal vigente e tem de ser esclarecido bem como seus autores presos e punidos o mais rápido possível.
Os jovens foram tirados à força dos dormitórios, sem que pudessem ser protegidos pelos que tinham o dever de lhes dar custódia, como determina a lei. Não importa se eram infratores ou não: a partir do momento em que são postos sob a responsabilidade do Estado, este passa a responder por sua integridade física.
A erupção da guerra entre facções criminosas, que recrutam seus membros nessa faixa da juventude sem horizonte social e humano, extrapola todas as medidas. É um desconcerto descobrir que as autoridades não tenham tomado medidas prévias de segurança para estabelecimentos desse tipo, já que o confronto entre tais grupos é uma realidade presente em todas as grandes cidades do País, sem respeitar nenhum espaço. Sobretudo, por não ter havido empecilho à sua expansão. Ao contrário: ela avança no rastro à crise social que se aprofunda no País.
Os criminosos chegaram ao entendimento de que o poder público está sem meios suficientes para os enfrentar. Assim, a ousadia com que agem é cada vez maior. Não basta apenas assegurar o controle de territórios e criar um poder paralelo, mas buscam extirpar qualquer rival para provocar medo nas fileiras concorrentes ou adversas. Assim, cadeias, unidades socioeducativas, casas de detenção ou mesmo penitenciárias podem facilitar esses planos de vingança ou de extermínio, já que o adversário está ali confinado e sem meios para reagir. Quanto mais desguarnecidas essas unidades, mais se tornam alvos fáceis de ataques: seja para resgate de parceiros de crime, seja para eliminar concorrentes e insubmissos à imposição da vassalagem.
Quando se trata de jovens, o prejuízo para a sociedade é bem maior, pois perde um capital inestimável, em termos de cérebros e força de trabalho, indispensáveis à construção do próprio projeto de nação.
Eliomar de Lima

Editorial do O POVO destaca redução do analfabetismo no Ceará

Com o título “Redução do analfabetismo no Ceará: muito a celular”, eis o Editorial do O POVO desta sexta-feira. Confira:
Celebrar resultados positivos na educação do Estado é sempre animador. Fala-se de um valor cujos efeitos não podem ser sentidos, muitas vezes, a curto prazo, mas suas consequências são poderosas. Por isso, é alentador comemorar a queda do índice de analfabetismo no Ceará. Em dez anos, o número de analfabetos caiu de 32% para 0,7% – mesmo com as crianças estando nas escolas, o que deixa a situação mais caótica.
O Programa de Aprendizagem na Idade Certa (Paic), que completa uma década, é o grande propulsor da conquista. O projeto inspirou o Governo Federal, há cinco anos, a lançar o Pacto Nacional de Alfabetização na Idade Certa, o Pnaic. O mote é o mesmo: transformar a educação básica, fazendo com que as crianças brasileiras saibam ler e escrever na idade adequada.
No Ceará, as comemorações de 10 anos do Paic vieram com os resultados bem-sucedidos da queda do analfabetismo. Isso não é pouco. Significa assumir a responsabilidade de gerações que não cumpriram metas de uma função também social. Significa dar a toda uma gente a oportunidade de cidadania ao estimular suas competências. Significa estimular em cada um que ora pode ler e escrever mais do que decodificar símbolos da língua, mas exercer sua autonomia dignamente.
Um Estado com bons índices de educação é capaz de fornecer melhores perspectivas de desenvolvimento para sua população, que, educada e instruída, passa a entender melhor até como eleger seus representantes. Priorizar a educação deve ser meta cumprida – com recursos bem investidos. Não só materiais, mas também humanos, haja vista que números desse tipo encorajam educadores em sua missão.
É preciso lembrar que o Plano Nacional de Educação (PNE) previu a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) – um instrumento específico para medir o domínio da leitura, da escrita e da matemática. Os dados mais recentes são de 2014. Segundo a ANA, 77,8% das crianças do 3º ano do Ensino Fundamental do País apresentam aprendizado adequado em leitura e 65,5% estão no mesmo patamar em relação à escrita. Na matemática, 42,9% têm aprendizado adequado. Os dados estão no Anuário Brasileiro da Educação Básica 2017, editado pelo Movimento Todos pela Educação.
É hora de o Ceará celebrar, mas não há desafios. Ainda há analfabetos a descobrirem o mundo. Enquanto, em alguns lugares, discute-se a alfabetização digital, ainda se combate por aqui o iletrismo, o analfabetismo e o analfabetismo funcional. Que haja disposição para fazer uma educação que se destaque também de forma qualitativa. Parabéns ao Estado pela conquista!

Caso Dandara – A Barbárie homofóbica no Ceará

Com o título “Barbárie homofóbica no Ceará”, eis o Editorial do O POVO desta segunda-feira. Aborda e pede punição para o assassinato da travesti Dandara dos Santos, fato registrado no Bom Jardim. Confira:


Nos últimos dias, o Ceará atraiu os olhares da comunidade internacional pelas cenas de horror proporcionadas pelo bárbaro assassinato de uma travesti, num dos bairros de Fortaleza. As imagens (de uma crueldade inaudita) correram o mundo, através das redes sociais, provocando uma reação, em cadeia, de indignação e protestos, que agravaram ainda mais a péssima reputação desfrutada pelo Brasil na área dos direitos humanos.
O crime ocorreu no Bairro Bom Jardim, sendo a vítima a travesti Dandara dos Santos, de 42 anos, que foi massacrada até a morte por um grupo de adultos e adolescentes, movidos por homofobia. Uma saraivada de pontapés pelo corpo, chutes no rosto e pauladas na cabeça, sucedem-se, ininterruptamente, nas cenas de um vídeo publicado na internet, sem que os agressores se deixassem comover, um instante sequer, pelos gritos da vítima indefesa e seu terrível sofrimento.
Nem o fato de ela ser bastante conhecida no bairro, ser pacata e participar da vida comunitária inibiu a ação dos criminosos. E o fizeram de rosto a descoberto como se não temessem qualquer punição. Fiaram-se na invisibilidade que encobre geralmente agressões contra homossexuais, em nossa sociedade, sob o beneplácito da omissão silenciosa, que abre espaço para a intolerância de cunho fascista. Tanto isso é verdade que o crime, perpetrado em 15 de fevereiro, só obteve visibilidade mais de duas semanas depois da ocorrência, quando o vídeo com imagens da barbaridade começou a circular nas redes sociais, ensejando protestos imediatos, no Brasil e no Exterior.
Com alguns dos autores já identificados, não é cabível nenhuma demora na ação do braço do Estado para puni-los, exemplarmente, como exige a hediondez do crime. Também, é imperativo que as autoridades públicas – estaduais e federais – façam a leitura integral do fato e entendam que é preciso desarmar o gatilho que vem insuflando os crimes de ódio no Brasil e se manifesta, particularmente, contra gays, negros, índios, e militantes da causa social, afetando, inclusive, a liberdade de expressão e a pluralidade ideológica. Isso é fascismo puro, e precisa ser barrado antes que nos engula a todos.

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