Ministério Público Federal (MPF) ofereceu, na manhã desta terça-feira (2), uma nova denúncia contra o ex-ministro José Dirceu na Operação Lava Jato. Segundo o MPF, ele recebeu propina antes, durante e depois do julgamento do Mensalão.
O MPF também denunciou outras quatro pessoas: o irmão do ex-ministro, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva; o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto; o ex-executivo da Engevix Gerson de Melo Almada, e o ex-executivo da UTC Walmir Pinheiro Santana.
De acordo com o MPF, Dirceu recebeu mais de R$ 2,4 milhões entre 2011 e 2014 das empreiteiras Engevix e da UTC a partir de contratos com a Petrobras – R$ 900 mil partiram da primeira e foram usados para arcar com custos de assessoria de imprensa para o ex-ministro.
O restante – de R$ 1,5 milhão – foi repassado, conforme os procuradores da República, pela UTC para a JD Assessoria, que é de José Dirceu.
"O dinheiro foi usado para tentar limpar a imagem de José Dirceu durante o Mensalão", disse o procurador Júlio Motta Noronha durante uma coletiva de imprensa sobre a nova denúncia, na manhã desta terça-feira.
Ainda conforme o MPF, os serviços incluíram a emissão de relatórios sobre a imagem de José Dirceu perante a sociedade, o gerenciamento de entrevistas, a elaboração de artigos e até a organização do livro assinado pelo ex-ministro, “Tempos de Planície”.
R$ 900 mil partiram da Engevix e foram usados para arcar com custos de assessoria de imprensa para o ex-ministro. O restante – de R$ 1,5 milhão – foi repassado, conforme a denúncia, pela UTC para a JD Assessoria que é de José Dirceu.
"É chocante que o ex-ministro-chefe da Casa Civil tenha usado dinheiro da corrupção na Petrobras para contornar os efeitos negativos da descoberta de seus crimes. É o crime sendo usado para reduzir os prejuízos do crime descoberto”, acrescentou Noronha.
Essa é a terceira denúncia da Lava Jato contra o ex-ministro no Paraná. As outras duas resultaram em condenações que somam mais de 32 anos de prisão.
Nesta terça, o Supremo Tribunal Federal (STF) coloca em julgamento um habeas corpus de José Dirceu, preso em agosto de 2015. Por conta disso, a denúncia, que "já estava sendo elaborada e amadurecida", segundo o procurador Deltan Dallagnol, foi antecipada.
Para o procurador, "a liberdade de Dirceu representa um grande risco à sociedade".







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