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Celular de Isabelle Caracristi foi recuperado e será periciado pela Polícia

O celular da estudante de direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, que foi encontrada morta na noite do último domingo (13), em Fortaleza, foi recuperado e já está sob posse da Polícia para ser periciado. A informação foi confirmada por uma das advogadas da família Caracristi, Patrícia Viana, em entrevista ao Diário do Nordeste, neste domingo (20).

Após uma semana, a morte de Isabelle ainda está envolta em dúvidas. A jovem foi encontrada na noite do último domingo, na área externa do Residencial La Piazza, momentos após vizinhos ouvirem barulhos de forte impacto no solo.

Até o momento, as últimas imagens conhecidas da jovem mostram Isabelle no elevador, às 19h11, apertando o botão para ir ao 23º andar, onde fica localizado o rooftop do residencial.

No vídeo, obtido com exclusividade pela reportagem, ela mexe no celular enquanto aguarda chegar ao topo do edifício. O impacto foi ouvido mais de uma hora após a jovem sair do elevador, às 20h40.

Na manhã deste domingo, a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) realizou novas diligências no edifício onde Isabelle foi encontrada morta. Segundo Patrícia, há várias diligências em andamento, e a família entregou novas provas para colaborar com a investigação.

"Muita coisa a gente ainda não está podendo falar, até que para que a gente não atrapalhe a investigação da Polícia, que está sendo, nesse momento, célere", afirmou a advogada.

Viana ainda destacou que a família ainda não pode afirmar que o namorado de Isabelle teve participação na morte da jovem, mas que o fato de haver provas de que Isabelle vivia em um relacionamento abusivo e a família de seu namorado ter desaparecido após sua morte causa "muita estranheza".
O que diz Isorlanda Caracristi, mãe da estudante

A mãe de Isabelle Caracristi afirmou que o relacionamento era abusivo e que o homem era "extremamente controlador, fora do normal e obsessivo". Em vídeo de desabafo nas redes sociais, a professora Isorlanda Caracristi comentou que alertou a filha sobre a relação.

Isorlanda chegou a classificar o comportamento do então genro como "muito louco". Ela relembrou uma consulta ginecológica à qual Isabelle foi acompanhada da mãe e do namorado, e contou que ele tentou tomar a frente e entrar na sala com a jovem.

"Quando eu vou entrar com a minha filha na sala, ele aparece já querendo entrar na minha frente. Gente, o que é isso? A médica também estranhou, tanto que perguntou: 'É o marido dela?' Eu disse: 'Não. Ele é só um recém-namorado'. Ali já acendeu todos os meus alertas como mãe. Um comportamento muito louco", disse no vídeo. Isabelle passava muitos dias dormindo na casa do namorado, que também era um dos chefes dela no estágio. Segundo Isorlanda, o homem era 10 anos mais velho, dizia ser um dos sócios da empresa e afirmava ter ficado ‘encantado’ com ela. Quem era Isabelle Caracristi? O Diário do Nordeste conversou com o irmão da universitária, Rafael Magalhães, que falou sobre os "sonhos interrompidos e a tragédia que a família vive agora". "Desde muito pequena ela sempre quis ser advogada, defensora dos direitos, ela brigava pelos direitos, pelas suas questões. Ela queria ser advogada criminalista, uma juíza, queria defender os direitos de crianças e mulheres", contou Rafael. A Isabelle, minha irmã, sempre teve muitos sonhos, somos de uma família batalhadora, filhos de professora, filhos de quem sempre lutou". Rafael Magalhães. O irmão lembra da jovem como uma menina alegre e que cuidava da mãe e da avó: "ela gostava de estar presente, de estar junta". "Todo mês a Isabelle ia pintar o cabelo da minha avó e agora ela pergunta: 'quem vai pintar meu cabelo?'. Ela era comunicadora, divertida, não tinha tempo ruim para a minha irmã".

Isabelle Caracristi chegou ao IML sem documentos, afirma advogada


Após ser encontrada morta na área externa um edifício residencial na Aldeota, em Fortaleza, na noite do último domingo (13), a estudante de direito Isabelle Caracristi, 22, foi levada ao Instituto Médico Legal (IML) sem documentos e sem ter seu paradeiro informado à família.

Segundo a advogada Patrícia Viana, que acompanha a família Caracristi, no momento em que o corpo de Isabelle foi encontrado na área externa do edifício, nem o namorado dela, João Munhoz Neto, nem a mãe dele, que residiam no local, estavam no local. Conforme ela informou ao Diário do Nordeste, não se sabe se havia alguém no apartamento da família nos momentos que antecederam a morte da estudante.

O corpo de Isabelle foi encontrado por volta das 20h40 do último dia 13 de setembro. De acordo com imagens de câmeras de segurança obtidas pela reportagem, o namorado dela e a mãe dele teriam se ausentado entre às 18h31 e às 22h47. No entanto, mesmo após retornarem ao edifício, eles não teriam avisado a professora Isorlanda Caracristi, mãe de Isabelle, sobre a morte da jovem.

De acordo com a advogada da família Caracristi, Isorlanda só foi informada do falecimento da filha no dia seguinte, quando foi ao local procurar a filha com um irmão. "Quando a mãe da Isabelle e o tio dela estavam lá e informaram que era da família da Isabelle, o porteiro, altamente nervoso, foi chamar a síndica", relata a advogada.

"Ficaram os dois muito nervosos e foi quando o tio da Isabelle disse: 'Se vocês não me disserem o paradeiro da minha sobrinha, eu vou chamar a polícia'. Foi aí que ela [síndica] disse: 'Sua filha faleceu'", completa.

A advogada Patrícia Viana ressalta que, até o momento, nem o namorado de Isabelle nem a mãe dele tentaram nenhum tipo de contato com a família e as advogadas do caso.

"Até agora ninguém entrou em contato com a família e isso é o mais desesperador para a família. Por que que um namorado se apresentou pra família dizendo que amava e que ia cuidar da filha dela? Por que que o namorado não entrou em contato? E por que que a mãe do namorado também não entrou em contato, de mãe para mãe, ou então para falar com a gente, profissionais, para que ela explique a versão dela ou a versão dele do que aconteceu?", questiona.
Perícia aponta politraumatismo como causa da morte

A secretaria ainda informa que o laudo cadavérico apontou politraumatismo como causa da morte de Isabelle. As lesões encontradas no corpo seriam compatíveis com impacto contra o solo.

Exames laboratoriais não identificaram substâncias de interesse toxicológico.

A conclusão sobre a causa da morte, contudo, não esclarece como ocorreu a queda. Segundo a SSPDS, somente após a conclusão de todos os trabalhos será possível estabelecer a dinâmica dos fatos que influenciaram a morte da estudante.

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