O presidente Lula (PT) trabalha para ampliar a vantagem na campanha de segundo turno no Ceará com a adesão de eleitores ausentes ou que optaram por anular o voto no primeiro turno. Essa é a estratégia da base do mandatário a nível estadual, conforme relatos de aliados próximos à cúpula petista.
No Ceará, o presidente obteve 63,29% do apoio do eleitorado, com 3.555.263 votos, enquanto o principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), alcançou 1.756.850 eleitores (31,27%). Em compensação, houve 103.295 votos brancos e 189.362 nulos, totalizando 4,95% dos cearenses que compareceram às urnas nesse domingo (4).
Já a abstenção alcançou o patamar de 15,52% do eleitorado apto ao voto, com 1.086.074 pessoas faltantes. Ainda que o volume seja inferior ao registrado em 2022 (1.190.122 pessoas não foram votar, equivalente a 17,45% dos eleitores), a vantagem de Lula também reduziu no Estado nesse quadriênio. No primeiro turno daquele ano, ele conseguiu 65,91% dos votos no Estado, enquanto o pai de Flávio, Jair, recebeu apenas 25,38%. 40,53 pp a 32,02 pp
Foi a queda da vantagem de Lula sobre os Bolsonaros no Ceará, entre 2022 e 2026.
“Tirar aí um ou dois ponto das abstenções, ampliar (a vantagem) no Nordeste – que é estratégico –, mantendo um percentual (mais próximo) ao que foi em eleições passadas e garantindo um percentual de 70% a 75%, e ter como centralidade a disputa de São Paulo e Minas Gerais”, detalhou.
O senador reeleito, Cid Gomes (PSB), aprofundou a análise sobre o caso cearense e apontou que o eleitor de menor renda, que mora mais afastado dos centros urbanos, é o potencial eleitor de Lula, mas o mais suscetível a se abster.
“Uma informação importante – não pela questão eleitoral, mas pela legitimação do processo – é de que o voto serve como prova de vida para todos aqueles que têm benefícios dos programas sociais de aposentadoria e de BPC. Em vez de você ficar naquela humilhação de ir às vezes em uma agência do INSS na cidade vizinha, você pode ir muito mais perto de casa, em uma seção, e votar para servir como prova de vida”, destacou o político do PSB.
Para ele, a virada no segundo turno é possível devido ao afunilamento de opções para votar diante da urna. Cid lembra que o índice de anulação é maior em eleições de primeiro turno do que em segundo turno devido ao número de dígitos necessários na votação, que também retarda as filas nas seções eleitorais.
“Nesta eleição, você tinha que digitar quatro (números para deputado) federal, cinco para estadual – já são nove –, com mais seis dos dois senadores são 15, com mais quatro (de presidente e governador) já são 19 números. E seis vezes a tecla confirma. Agora vão ser só dois números e a tecla confirma”, ressalta.
Em outra frente, segundo De Assis, o partido deve reforçar o elo com “os influencers e as redes sociais, trazer a intelectualidade e o campo progressista e fazer o quadro comparativo de quem é quem nesse processo”, complementa.
Está marcada para esta quinta-feira, às 17h, uma Marcha das Juventudes em Fortaleza, com concentração na Avenida da Universidade, ao lado da Concha Acústica.
Reunião de alinhamento no Alvorada
A expectativa, em termos absolutos, é conseguir mais 500 mil votos, segundo Chagas Vieira (PDT), em postagem nas redes sociais. Ele é suplente da senadora eleita Luizianne Lins (Rede) e coordenador da campanha de Lula no Ceará.