Morre o cantor Benito di Paula, vítima de câncer, aos 84 anos O cantor, compositor e pianista estava internado no Hospital 9 de Julho; informações sobre o velório e sepultamento ainda serão divulgadas

O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu neste domingo (18), aos 84 anos, na cidade de São Paulo. O artista estava internado no Hospital 9 de Julho e tratava um câncer de próstata há cerca de um ano, complicação que causou sua morte.

A informação da morte de Benito foi confirmada à CNN Brasil pela assessoria do cantor, que disse que as informações sobre o velório e o sepultamento serão divulgadas mais adiante.

O cantor era reconhecido por unir o samba a elementos românticos e construiu uma linguagem própria na música popular brasileira. Benito di Paula construiu uma trajetória marcante na música popular brasileira, conquistando gerações de admiradores com sua voz inconfundível, seu piano e um repertório que atravessou décadas.

Autor de clássicos da música popular brasileira como “Retalhos de Cetim”, “Meu Amigo Charlie Brown”, “Mulher Brasileira” e “Do Jeito Que a Vida Quer”, ele passou muitos anos sem lançar canções, mas em 2021 lançou o disco "O Infalível Zen", junto com o filho, Rodrigo Vellozo. Na época, o cantor disse à CNN Brasil que havia revisitado clássicos e recuperado rascunhos de canções.

“Eu nunca estive na mídia, quem esteve na mídia foi a minha música”, comemorou o compositor carioca à época. "Sofri muita censura da minha própria gravadora”, reclamou.

Benito aproximou o samba de elementos da música romântica e popular, e tornou-se um dos artistas de maior identificação com o público brasileiro.

Ao longo da carreira, emplacou canções que se tornaram clássicos populares e consolidou uma obra reconhecida por sua personalidade artística, sua interpretação intensa e sua capacidade de estabelecer uma conexão direta com o público.

A partida dele deixa uma lacuna na música brasileira e encerra a trajetória de um artista que marcou a história do samba e da canção popular no país.

Política Eleições: quem não votou no primeiro turno pode participar do segundo

O eleitor que não votou no primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, em 4 de outubro, pode participar normalmente do segundo turno, marcado para o próximo domingo, 25 de outubro.

A ausência na primeira etapa não impede a participação na segunda fase, desde que a situação eleitoral esteja regular. Isto porque cada turno é considerado uma eleição independente.

O eleitor tem até 60 dias, após cada turno, para apresentar a justificativa de ausência no dia de cada pleito. Clique aqui e saiba como justificar.

O primeiro turno das Eleições de 2026 registrou um recorde de 33,4 milhões de eleitores ausentes, o que representa 21,08% do eleitorado.
Cargos em disputa

Os eleitores de todo o país escolherão o próximo presidente da República e os governadores de cinco estados, mais o Distrito Federal, onde também haverá segundo turno, pois nenhum dos candidatos obteve 50% dos votos mais 1. Haverá segundo turno no Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins.

Vale lembrar que o trabalhador que deixou de votar porque está escalado ou cumprirá expediente não pode ser impedido de exercer seu direito ao voto no próximo domingo (25).

O empregador deverá organizar a jornada para permitir que o trabalhador tenha tempo para o deslocamento até a seção eleitoral, entre 8h e 17h, no horário de Brasília.
Voto em trânsito

Mais de 314,5 mil pessoas solicitaram à Justiça Eleitoral para votar no segundo turno das eleições, ou seja, poderão votar fora do domicílio eleitoral em locais definidos pelos tribunais regionais eleitorais (TREs).

A modalidade estará disponível nas capitais e nos municípios com eleitorado superior a 100 mil pessoas, em seções destinadas para esse fim.  

Quem estiver em trânsito dentro da mesma unidade da Federação do domicílio eleitoral poderá votar para os dois cargos (presidente e governador).

A consulta ao local de votação deve ser feita pelo aplicativo e-Título ou pela internet, via Autoatendimento Eleitoral.
Ausência justificada

Nas eleições de 2026, o prazo para justificar a ausência no primeiro turno termina no dia 3 de dezembro. Se o eleitor não votar no 2º turno, terá até 8 de janeiro de 2027 para apresentar a justificativa.

O procedimento pode ser feito pelo aplicativo e-Título, disponível para smartphone e tablets, pelo Autoatendimento Eleitoral, disponível nos portais da Justiça Eleitoral, ou presencialmente, em um cartório eleitoral.

Após a eleição, o requerimento deve ser acompanhado de documentos que comprovem o motivo da ausência, para análise da justiça eleitoral.


Política Eleições: mais de 4 mil seções tiveram locais alterados; confira


Os tribunais regionais eleitorais (TREs) alteraram o local de votação de 4.352 seções eleitorais neste 2º turno. Isso corresponde a apenas 0,87% das seções do país.

Mesmo assim, os TREs alertam os eleitores para que confiram com antecedência se a sua seção está entre as que mudaram de endereço.

A consulta pode ser feita no aplicativo e-título ou nos portais do TREs, no menu “autoatendimento eleitoral”.

De acordo com a Justiça Eleitoral, as mudanças ocorreram por motivos práticos, como reforma de última hora em locais de votação e melhoria de acessibilidade em algumas seções. Houve também casos em que o local de votação sofreu danos por causa das fortes chuvas e ventos.

A maior parte das mudanças de endereço de seções foram nos estados de São Paulo (982 seções), Minas Gerais (514), Rio de Janeiro (431) e Bahia (312).
Primeiro turno

Segundo dados da Justiça Eleitoral, no 1º turno das eleições, 1.904 urnas foram substituídas, o que corresponde a 0,35% das urna. Em nenhum local foi necessário fazer votação manual.

O 2º turno das eleições ocorre no próximo dia 25 de 8h às 17h.

Desta vez os eleitores votam apenas para presidente da República. No Distrito Federal e mais cinco estados também terá disputa para governador: Acre, Amazonas, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins.


EVANGELHO DESTA SEGUNDA-FEIRA, 19 DE OUTUBRO DE 2026, 07h39


Evangelho — Lc 12, 13-21
℣. O Senhor esteja convosco.
℟. Ele está no meio de nós.

℣. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo ✠ segundo Lucas
℟. Glória a vós, Senhor.

Naquele tempo, 13alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”. 14Jesus respondeu: “Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?” 15E disse-lhes: “Atenção! Tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens”.
16E contou-lhes uma parábola: “A terra de um homem rico deu uma grande colheita. 17Ele pensava consigo mesmo: ʽO que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheitaʼ. 18Então resolveu: ʽJá sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. 19Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!ʼ
20Mas Deus lhe disse: ʽLouco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?ʼ 21Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a vós, Senhor.


MAIOR PARTE DO DINHEIRO ESTÁ ESQUECIDA EM BANCOS DOMINGO 18/10, 16h05

MAIOR PARTE DO DINHEIRO ESTÁ ESQUECIDA EM BANCOS
Cerca de R$ 5,79 bilhões ainda aguardavam resgate em bancos e outras instituições financeiras em agosto, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (13). Desse total, R$ 4,31 bilhões pertencem a pessoas físicas, enquanto R$ 1,48 bilhão são de empresas.

O valor representa um aumento de 2,6% em relação a julho, quando havia R$ 5,65 bilhões disponíveis para resgate.

Os bancos concentram a maior parte dos recursos esquecidos, com R$ 2,46 bilhões. Em seguida, aparecem as administradoras de consórcios, com R$ 1,97 bilhão.

Entre as pessoas físicas com valores a receber, quase 20 milhões de brasileiros têm quantias entre R$ 0 e R$ 10 disponíveis para resgate. Por outro lado, pouco mais de 600 mil pessoas têm direito a valores superiores a R$ 1 mil, o equivalente a cerca de 2% dos beneficiários.

Em agosto, mais de R$ 300 milhões foram devolvidos aos beneficiários. O valor, no entanto, foi inferior ao registrado em julho, quando os resgates somaram R$ 327 milhões.

COMO CONSULTAR

É possível verificar se há dinheiro disponível para resgate por meio do Sistema Valores a Receber (https://www.bcb.gov.br/meubc/valores-a-receber), do Banco Central. Para fazer a consulta, pessoas físicas devem informar o CPF e a data de nascimento. No caso de empresas, é necessário fornecer os dados da pessoa jurídica.

(Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

HOJE: Lula e Flávio Bolsonaro se enfrentam em debate presidencial na Band, a partir das 20h.


 

ANIVERSÁRIO DO TRICOLOR! O Fortaleza Esporte Clube completa 108 anos de história e conquistas neste domingo (18). Parabéns, Fortaleza Esporte Clube! 🔴🔵 E aí, torcedor, qual momento mais marcou você nessa história? Conta pra gente nos comentários! 🦁

<> BATISMO TRICOLOR, É UMA OBRA DO ACOPIARENSE RÔMULO GALDINO, FILHO DO SAUDOSO AMIGO SÉRVULO GALDINO DE OLIVEIRA. UM ERA A ALMA TRICOLOR, O OUTRO A SEGUNDA PELE DO TIME. CONHEÇO O ESPÍRITO DE CADA HINO DOS CUBES BRASILEIROS, INCLUSIVE O MEU VASCO DA GAMA, MAS, NENHUM TEM TANTA POESIA, MOVIMENTO, RITMO E FORÇA COMO "BATISMO TRICOLOR" A LETRA FALA DO AMOR DE PAI PARA FILHO, ESTAMPA O AMOR DOS DOIS PELO FORTALEZA. RÔMULO&SÉRVULO. O PRÓPRIO HINO DO TRICOLOR DEVERIA SER COLOCADO EM SEGUNDO PLANO, TÃO RICA É A FORÇA DESTA OBRA MUSICAL DO ACOPIARENS.SAUDADES DESTE NOBRE, DE NOSSAS "CONTENDAS" REGADAS À BOA MÚSICA, PAPO NÃO LÁ MUITO SÓBRIO, MAS SEMPRE ACOMETIDO DE CONHECIMENTO SARCÁSTICO, SEJA ELE DENTRO DA HISTÓRIA, OU DA POLÍTICA, COMO DAS ENEBRIANTES GARGALHADAS EM CIMA DE NOSSOS PERSONAGENS LOCAL. ABRAÇO ONDE ESTEJA GRANDE AMIGO. EU POR AQUI FICO DESENHANDO PARTITURAS DE NOSSA TERRA.

PADRE MORRE APÓS CRUZ DE MADEIRA CAIR SOBRE SUA CABEÇA EM MISSA NO EQUADOR

VOTAÇÃO DE DEPUTADOS ELEITOS EM 2026 SUPERA A DE PREFEITOS EM SEIS CIDADES DO INTERIOR

Quatro deputados cearenses eleitos em 2026 obtiveram percentuais de votos válidos superiores aos registrados por prefeitos eleitos em 2024 em seis municípios do Ceará.
A situação ocorreu em Poranga, Brejo Santo, Porteiras, Penaforte, Camocim e Baixio. Em Poranga, dois deputados conseguiram esse desempenho no pleito deste ano.

Embora as disputas tenham características diferentes, os resultados chamam atenção pela concentração de votos nos municípios em uma candidatura.

Enquanto a eleição para prefeito é majoritária, a de deputados é proporcional, com diversos candidatos concorrendo simultaneamente.

A comparação considera os percentuais obtidos em cada município nas respectivas disputas. O PontoPoder optou por não comparar os números absolutos de votos, uma vez que o comparecimento às urnas e o total de votos válidos podem variar entre as eleições.

“A Ditadura e a opção pelo Suicídio Coletivo” – Por Vanilo de Carvalho



“O ditador em potencial compreende esse sentimento e o transforma em capital"

“O ditador em potencial compreende esse sentimento e o transforma em capital o político. Apresenta-se como alguém diferente dos demais, capaz de romper com o sistema, enfrentar os poderosos e devolver ao povo aquilo que supostamente lhe foi retirado: dignidade, segurança e esperança”, aponta o professor Vanilo de Carvalho
Notícias Políticas

Confira:

Ao longo da história, diferentes sociedades testemunharam a ascensão de ditadores e autocratas que chegaram ao poder contando com o apoio de parcelas significativas da população. Esse fenômeno, que à primeira vista pode parecer contraditório, revela uma das questões mais complexas da ciência política: como povos que aspiram à liberdade, à justiça e à prosperidade podem apoiar lideranças que, posteriormente, restringem direitos, enfraquecem instituições democráticas e concentram o poder em suas próprias mãos?

A resposta não está em uma única causa, mas na combinação de crises econômicas, insegurança social, manipulação das emoções coletivas, propaganda política, fragilidade institucional e descrédito nas lideranças tradicionais. Historicamente, os autocratas raramente se apresentam ao povo como inimigos da democracia. Ao contrário, muitos chegam ao poder prometendo restaurar a ordem, combater a corrupção, recuperar a grandeza nacional e defender os interesses dos cidadãos comuns.

Uma das principais condições que favorecem a ascensão de regimes autoritários é a existência de uma crise profunda de confiança nas instituições. Quando a população enfrenta desemprego, inflação, violência, desigualdade social ou corrupção, cresce a percepção de que os mecanismos tradicionais da democracia são incapazes de oferecer soluções.
Cobertura política local

Nesse ambiente, o debate democrático, com suas negociações, divergências e decisões demoradas, pode ser interpretado como sinal de fraqueza. Surge, então, o desejo por uma liderança que prometa agir rapidamente, impor autoridade e resolver os problemas sem os obstáculos da política convencional.

O ditador em potencial compreende esse sentimento e o transforma em capital político. Apresenta-se como alguém diferente dos demais, capaz de romper com o sistema, enfrentar os poderosos e devolver ao povo aquilo que supostamente lhe foi retirado: dignidade, segurança e esperança.

A Alemanha do período entre guerras constitui um exemplo histórico emblemático. Após a derrota na Primeira Guerra Mundial, as dificuldades econômicas, a instabilidade política e o ressentimento nacional criaram condições favoráveis ao crescimento do nazismo. Adolf Hitler explorou essas circunstâncias, prometendo reconstruir a Alemanha, restaurar seu orgulho e superar a crise. O apoio que conquistou, entretanto, não pode ser explicado apenas pela economia: o nacionalismo extremista, o antissemitismo, a propaganda e a violência política também desempenharam papéis fundamentais.

É importante lembrar que Hitler não conquistou uma maioria absoluta em eleições nacionais livres antes de ser nomeado chanceler, em janeiro de 1933. Sua ascensão resultou de uma combinação de apoio eleitoral expressivo, alianças entre elites conservadoras e decisões institucionais que abriram caminho para a destruição da democracia.

Outra característica recorrente na ascensão dos autocratas é a construção de inimigos reais ou imaginários. O líder autoritário divide a sociedade entre aqueles que considera integrantes legítimos da nação e aqueles que apresenta como responsáveis por seus problemas.

Esses inimigos podem ser grupos étnicos, minorias religiosas, imigrantes, adversários políticos, intelectuais, jornalistas, instituições judiciais ou organizações da sociedade civil. Ao atribuir a eles a responsabilidade pelas dificuldades coletivas, o governante oferece explicações simples para problemas complexos.

A política deixa de ser um espaço de debate entre diferentes projetos de sociedade e passa a ser apresentada como uma luta entre o bem e o mal. Nesse cenário, o adversário não é apenas alguém que pensa diferente: torna-se uma ameaça que precisa ser eliminada da vida pública.

O medo desempenha papel decisivo nesse processo. Pessoas inseguras tendem a valorizar promessas de proteção e ordem, especialmente quando acreditam que sua identidade, sua família ou seu modo de vida estão ameaçados. O autocrata transforma essa insegurança em instrumento de mobilização política, apresentando a obediência ao líder como condição para a sobrevivência coletiva.

A história demonstra, porém, que a promessa de proteção pode converter-se em justificativa para a perseguição, a censura e a violência estatal. Quando uma parcela da população aceita que determinados grupos sejam privados de direitos, abre-se um precedente perigoso para a redução das liberdades.

Os regimes autoritários também se beneficiam da capacidade de controlar narrativas e explorar emoções. A propaganda política não se limita à divulgação de informações favoráveis ao governante. Ela procura estabelecer uma interpretação da realidade na qual o líder aparece como salvador da pátria, defensor do povo e única alternativa diante do caos.

O culto à personalidade transforma a figura do governante em símbolo de unidade nacional. Suas qualidades são exageradas, seus erros são minimizados e os resultados negativos de suas políticas são atribuídos a adversários, sabotadores ou circunstâncias externas.

Na Itália fascista, Benito Mussolini cultivou a imagem de um dirigente enérgico, capaz de restaurar a grandeza nacional. Na Alemanha nazista, a propaganda dirigida por Joseph Goebbels contribuiu para disseminar o culto a Hitler, promover o antissemitismo e subordinar a informação aos objetivos do regime.

Na contemporaneidade, as redes sociais ampliaram a velocidade de circulação de mensagens políticas, inclusive conteúdos falsos ou manipulados. A repetição de informações enganosas, a exploração de indignações e a formação de ambientes digitais fechados podem reforçar convicções e dificultar o contato com perspectivas divergentes.

Entretanto, é necessário evitar uma interpretação simplista: nem toda propaganda convence, nem todo eleitor de um candidato autoritário deseja uma ditadura. O apoio popular pode reunir motivações distintas, como insatisfação econômica, identificação ideológica, rejeição aos adversários, expectativas de segurança ou desconfiança das instituições. É justamente essa diversidade de motivações que torna o fenômeno politicamente complexo.

Um dos aspectos mais preocupantes da experiência histórica é que a ascensão autoritária nem sempre ocorre por meio de um golpe militar. Em determinadas circunstâncias, líderes com tendências autocráticas chegam ao governo por eleições, aproveitando-se das próprias instituições democráticas para, posteriormente, enfraquecê-las.

O processo costuma ser gradual. Inicialmente, o governante questiona a legitimidade dos adversários, ataca a imprensa, desqualifica órgãos de fiscalização e procura apresentar os limites constitucionais como obstáculos à vontade popular. Em seguida, tenta enfraquecer a independência do Judiciário, restringir a atuação dos órgãos de controle e alterar as regras eleitorais em benefício de seu grupo político.
Notícias Políticas



A justificativa é frequentemente a mesma: o líder afirma representar diretamente a vontade do povo e, por isso, não deveria encontrar limites impostos por tribunais, parlamentos ou outras instituições.

Essa concepção distorce o próprio significado da democracia. Em um regime democrático, a soberania popular não significa poder ilimitado para quem vence uma eleição. O exercício legítimo do poder depende do respeito à Constituição, à separação dos Poderes, aos direitos fundamentais, ao pluralismo político e à possibilidade de alternância no governo.

A experiência de Adolf Hitler evidencia essa dinâmica: depois de nomeado chanceler, em 1933, ele aproveitou a crise política e o incêndio do Reichstag para promover medidas repressivas e consolidar poderes extraordinários. A Lei de Plenos Poderes, aprovada naquele ano em condições de intimidação e perseguição, permitiu ao governo legislar sem a participação efetiva do Parlamento, contribuindo para a rápida destruição da ordem democrática alemã.

Portanto, a existência de apoio popular em determinado momento não legitima a supressão das liberdades nem transforma a vontade de uma maioria em autorização para eliminar os direitos das minorias.
Notícias Eleições



A prevenção do autoritarismo exige mais do que a defesa abstrata da democracia. É necessário enfrentar as condições sociais que tornam sedutoras as promessas de soluções autoritárias. Isso inclui combater a desigualdade, ampliar oportunidades, melhorar os serviços públicos, fortalecer a transparência e recuperar a confiança nas instituições.

Também é fundamental investir na educação política e no pensamento crítico. Uma sociedade capaz de distinguir fatos de manipulações, avaliar propostas e compreender o funcionamento das instituições torna-se menos vulnerável à propaganda que explora o medo e o ressentimento.

A imprensa livre, a independência judicial, o Parlamento atuante, as eleições competitivas e a proteção dos direitos humanos constituem barreiras indispensáveis à concentração do poder. Nenhuma dessas instituições, isoladamente, é suficiente. Sua eficácia depende de autonomia, responsabilidade pública e respeito às regras constitucionais.

Por fim, os partidos políticos e as lideranças democráticas precisam compreender que a defesa das instituições não pode ser dissociada da capacidade de responder aos problemas concretos da população. Quando a democracia não oferece perspectivas de melhoria das condições de vida, os discursos que prometem soluções imediatas e poderes ilimitados encontram terreno mais favorável.

Historicamente, ditadores e autocratas conseguiram chegar ao poder com apoio popular porque souberam transformar crises em oportunidades, inseguranças em medo, ressentimentos em divisões e esperanças em instrumentos de mobilização. Apresentaram-se como salvadores nacionais, prometeram restaurar a ordem e convenceram parte da sociedade de que a concentração do poder seria necessária para alcançar o bem comum.
Cobertura política local



A grande lição da história é que o autoritarismo não depende exclusivamente da força das armas. Pode também alimentar-se da indiferença, da desinformação, do enfraquecimento das instituições e da disposição de setores da sociedade para sacrificar liberdades em troca de promessas de segurança e prosperidade.

A democracia, por sua vez, não se resume ao ato de votar. Ela exige respeito às diferenças, proteção dos direitos fundamentais, fiscalização dos governantes e aceitação dos limites constitucionais ao exercício do poder.

É preciso, portanto, permanecer vigilante diante de qualquer liderança que se proclame a única representante legítima do povo, considere dispensáveis as instituições de controle e trate a discordância como inimiga da nação. A história ensina que o caminho para o autoritarismo pode começar com aplausos, desenvolver-se sob a aparência da legalidade e terminar com a perda de direitos que, uma vez suprimidos, se tornam muito difíceis de recuperar.

Vanilo de Carvalho
Professor e Mestre em Negócios Internacionais

Votos brancos e nulos: tudo que você precisa saber

 


Os votos brancos e nulos são um dos pontos mais cercados de mitos no sistema eleitoral brasileiro. Muito eleitores acreditam que essas opções têm algum peso no resultado final da votação ou que ambos possuem efeitos diferentes. Pois aqui você verá que não. Votos brancos e nulos não possuem diferença de efeito entre si e têm pouco efeito na definição dos vencedores. Vamos lá?


Votos brancos e nulos: para que servem?


O voto em branco ainda é considerado um voto conformista. Ou seja, o eleitor que utiliza essa forma de voto é considerado um sujeito satisfeito com qualquer um dos candidatos. A ideia por trás disso é que todos os votos em branco vão para o vencedor.

Já o voto nulo é tido como uma forma de protesto. Muita gente incentiva as pessoas a votarem em nulo porque isso mostraria a indignação coletiva com o estado da política no nosso país. Forçando, assim, a realização de novas eleições, com novos candidatos.O fato é que, desde 1997, os votos brancos são considerados inválidos e não favorecem nenhum candidato. Já os votos nulos apenas diminuem o total de votos válidos. Assim, os dois votos praticamente se equivalem em seus efeitos.
Mas então os votos brancos e nulos não fazem nenhuma diferença?

Pode-se dizer que sim, mesmo inválidos, os votos brancos e nulos interferem nas eleições. Mas apenas de maneira indireta. Isso porque, como são inválidos, os brancos e nulos diminuem o número total de votos válidos. Ou seja, o universo de votos que serão realmente considerados na contagem final.

Isso sempre favorece o candidato mais votado – especialmente em eleições de dois turnos. O motivo é simples. Com menos votos válidos, fica mais fácil alcançar os mais de 50% de votos necessários para a eleição.

Veja este exemplo: suponha que em um município com 10 mil votos válidos, o candidato mais bem votado tenha alcançado 4,6 mil votos. Isso quer dizer que ele conseguiu 46% dos votos, o que, no caso dos municípios com mais de 200 mil habitantes, significa segundo turno.

Agora suponha que desses 10 mil votos, 1.000 foram votos brancos e nulos. O universo de votos válidos cai para apenas 9 mil. Assim, o mesmo candidato, com os mesmos 4,6 mil votos, garante sua eleição sem precisar de segundo turno – pois 4,6 mil é mais de 50% de 9 mil.

A mesma lógica serve para as eleições para vereador. O cálculo que ocorre nessas eleições depende do quociente eleitoral. Esse quociente representa uma certa proporção dos votos válidos e o partido, para conseguir eleger seus candidatos, precisa possuir uma quantidade de votos maior ou igual a esse quociente. Sendo assim, os votos em branco e nulos interferem, pois eles diminuem o quociente eleitoral, o que facilita a conquista das vagas pelos partidos.
Vamos fazer mais um exemplo, para ficar mais fácil:

Mais uma vez, estamos em um município com 10 mil eleitores. Vamos supor que todos eles fizeram votos válidos. Para que um candidato a vereador seja eleito, seu partido precisaria atingir o quociente eleitoral. Suponha que haja 10 cadeiras na Câmara. Portanto, o quociente é de 1.000 votos. Assim, ele precisaria alcançar 1.000 votos (ou então contar com votos do partido, da federação partidária a que pertença, e de outros candidatos dessa mesma estrutura).

Agora, vamos supor que nessa mesma eleição, ocorreram 1.000 votos brancos e nulos. O número total de votos válidos reduziria para 9 mil. Logo, o quociente eleitoral também diminui – para 900 votos por cadeira. Ou seja, o candidato precisará de 100 votos a menos para tornar-se vereador.

Agora, vamos supor que nessa mesma eleição, ocorreram 1.000 votos brancos e nulos. O número total de votos válidos reduziria para 9 mil. Logo, o quociente eleitoral também diminui – para 900 votos por cadeira. Ou seja, o candidato precisará de 100 votos a menos para tornar-se vereador.
Como se vota nulo ou branco?

Para votar em branco, basta o eleitor pressionar o botão “branco” da urna e depois confirmar a escolha. Por sua vez, o voto nulo requer que o eleitor digite uma sequência de números que não sejam correspondentes a nenhum candidato ou partido, confirmando em seguida.

Ou seja, a diferença entre o voto nulo e o voto em branco consiste na forma de invalidar o voto, enquanto na prática apresentam função semelhante.

Além disso, esses votos podem refletir no que diz respeito a diminuição da quantidade de votos que um candidato precisa para se eleger, visto que apenas os votos válidos serão considerados.

Durante as campanhas e debates eleitorais, os candidatos procuram conquistar esses eleitores para que mudem de ideia sobre como vão fazer uso do papel cidadão na urna.



A legenda é beneficiada quando o eleitor vota em branco?

O voto de legenda é aquele em que o eleitor digita na urna os números que identificam o partido, sem manifestar sua vontade por um candidato específico. Nesse caso, o eleitor atesta que estará satisfeito com qualquer candidato do partido em que votou.

Mas, atenção! Esse voto só é possível em eleições proporcionais, ou seja, para vereador e deputado. Com isso, o eleitor contribui para que o partido de sua preferência possa ocupar cadeiras no legislativo.

A legenda não obtém benefício algum com o voto em branco, uma vez que o cálculo eleitoral é baseado apenas nos votos válidos: aqueles destinados a um candidato ou legenda.



“Empate técnico também nas narrativas” – A Charge do João Spacca


 

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