O cenário político no Ceará volta a ficar tenso dentro do PDT. Movimentos articulados por Cid Gomes têm provocado um esvaziamento significativo da sigla no estado, atingindo diretamente o compromisso público assumido pelo prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, de apoiar a reeleição do deputado federal André Figueiredo.Nos bastidores, a leitura é de que Cid trabalha para retirar quadros estratégicos do partido. Entre os nomes que devem deixar o PDT estão os deputados federais Idilvan Alencar, Robério Monteiro e Eduardo Bismarck. Além deles, o prefeito de Cariré, Antônio Martins, também é apontado como nome em rota de saída, com destino ao PSB, onde pretende disputar uma vaga na Câmara Federal.
A movimentação tem efeito direto sobre a estratégia eleitoral do PDT. Com a saída dessas lideranças, a legenda pode ficar praticamente sem musculatura para formar uma chapa competitiva à Câmara dos Deputados, deixando André Figueiredo isolado como único nome de peso na disputa — um cenário que, na prática, pode inviabilizar sua reeleição por falta de quociente eleitoral.
Nos corredores da política, a interpretação é de que o gesto de Cid não demonstra reconhecimento ao posicionamento de André, que, em momentos de crise interna, manteve-se ao lado do senador, inclusive em desacordo com Ciro Gomes e Roberto Cláudio.
A situação também coloca pressão sobre Evandro Leitão. O prefeito havia sinalizado apoio à reeleição de André, mas, com o redesenho partidário em curso, essa promessa passa a depender de fatores que fogem ao seu controle direto.
O que se desenha é um novo capítulo na disputa de influência dentro do campo governista no Ceará, onde as articulações partidárias começam a redesenhar o tabuleiro de 2026 antes mesmo da largada oficial da campanha.