CREPÚSCULO
O pássaro preto que me acorda sonolentoGritando com saudade da liberdade
As quatro da manhã
Todos os dias...
Me lanço por entre os lençóis
Com o batido da chuva no telhado
E os pingos d'água caindo nas folhas do pé de caju.
A janela que abre espaço para o lamento do pássaro
É a mesma que me acorda com chuvas e ventos
É uma travessia dolorosa
De agonia que transmite o pássaro preto
Sua sequencia de assobios agudos
Estremeados de notas altas e baixas
Ficam mais forte com o sol que se esquenta
Para brilhar
A minha lucidez me levanta
Diante da vontade de voar
Parece que o pássaro tem vergonha de voar
Vergonha de abrir a porta e partir
Já não tem mais força
E não pode deixar a água e a comida...
A prisão é eterna
Os palitos da gaiola são correntes
A comida se torna amarga
A água ácida
E os "puleiros" afiados
São navalhas que cortam seus pés, unhas compridas
Cansadas do vai e vem na gaiola.
Não posso soltá-la!
Mas, não posso ouvir seu lamento
É como ouvir uma canção de exílio
É como estacar o coração







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