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Minhas Poesias ( É CARNAVAL E ...AONDE ESTÃO US CUTRUCUS? )Domingo, 15/02, ás 16h03

Aonde estão US CUTRUCUS? 


Ás nuvens cobrem nosso céu de saudade
Ás andorinhas "rabo de tesoura" voam  ziguezague 
E um tambor é batido ao longe
Com certeza é o amigo MCMILLAN
Usando sua força desproporcional do som do pandeiro
Ou o pierrô Robertinho girando com sua simpatia e sorriso amarelo correndo em busca das nossas princesas
O certo é que não os vejo mais
Não se tem mais notícias dessas figuras
Que por longos anos divertiram esta cidade apagada no mapa do tempo.
E sofro com isso.
Percebo que na mesa ou por onde vagueio estou sozinho
Sem a presença deles
Ando por entre estranhos na minha própria terra
Nem sinal do carro alegórico descendo a ladeira do Banco do Brasil
O avião indo pro "Chapadão"
Ou o boneco sendo levado de rede
Perambulando a avenida principal da folia
Com batidas fortes de tambor
Um uivo estridente de todos vestidos de macacão vermelho
E gritando palavras de ordem
Uma pausa para pensar o que foi aquilo
Uma sombra passa por mim e quando olho
Não é ninguém 
Apenas o sentimento da solidão carnavalesca
De purpurinas metálicas se infiltrando 
Nos poros do sobrevivente da lacuna.
Uma tristeza bate no ego e passo pela esquina morna 
Entre as lágrimas da chuva
E o orvalho da minha fantasia
Que lunático!
Busco em minha imaginação
Meus companheiros de outrora
Não muito distante dos anos
Mas longínquo na distancia do próprio esquecimento
Uma pena que se foram.
Morreram cedo! Uns de acidente outros de acontecimentos inesperados...
Outros perderam o coração
De tanto bater de pulsar de cantar e de gritar
Nos girassóis da vida.
Passamos por alegrias surreais 
Aquilo que termina em sonhos ilógicos e fantásticos
Éramos reis destronados da realeza
Mas tínhamos a alegria como tema principal
O nome US CUTRUCUS soa estranho
Era uma batida de dedos na mesa 
Eram alegorias e fantasias desmioladas
Músicas estrambelhadas 
Máquinas aterrorizantes 
Que fazia o povo acompanhar com estrondoso cântico 
Lunar.
Um uivo dilacerante em pleno sertão.
Tinha tantos!
Só de Robertinhos tinha dois
Os mais velhos Luiz, A. Wilton, Chicão,
Veriga eu papai  e os irmãos 
Cicinho os Alencar canoeiros
Os filhos de Dr. João
A fábrica de construir nossas máquinas
Nossas armas e nossos adereços.
Ali no alto uma forte brisa
Comandada por ela D. Heloísa
Nossa defensora e ainda D. Peta sua companheira inseparável
Tinha os Marques os filhos de Gentil
Velho Dico
Os peixoto com destaque para Neguinho
Até chegar por aqui
Amorim Florentino Manoel Alves 
Filhos do Miguel Galdino
Gilsinho Carlúcio de Nilo
E anda tinha nossos convidados.
Tínhamos sedes próprias
Como a garagem dos Achoas
O Bar do Pedro
E o palco principal do Club Social.
O tempo passou a chuva veio
Uma dor no peito enorme
Que santifica tal proeza
Do abandono dos sobreviventes
Que desapareceram no ar
Sem deixar vestígio
Pegadas ou digitais
Apenas velhos amigos do passado
Registrados nos anais.






  





Minhas Poesias, Domingo, 08/02, 13h37 (Ausência)

Que tristeza!

Minha alma amanheceu morta
Envolta em saudade
Sangrando de dor.

Que faço sem você?
Sua ausência é minha prisão eterna
Minha Fortaleza de aço enferrujado 
Minha jaula úmida, sem saída.

Sou um fantasma que perambula como indigente
Na selva das pessoas desconhecidas
Que passam por você e não veem nada
Apenas uma macabra personagem do faz de conta

Que pena perder você
Quanta frieza tive ao me despedir 
Quantas lágrimas choraram de dor
E eu sai covardemente do teu mundo, da tua vida.

Sinto saudade daqueles olhos castanhos pequenos
Corpo magro cheio de curvas
Estradas que percorri por anos de minha juventude maltrapilha
Sem rumo, sem norte 
Desgovernado pela rebeldia do tempo

Sinto saudade daqueles cabelos longos
Que me envolvia com suas longas mechas acetinadas
Éramos um só corpo
Uma só alma...que saudades.

Dei adeus a você e não juntei os pedacinhos
Sai catando os restos de nossa história
Sem saber que havia perdido tudo na vida
Tudo de mais sublime de mais encantador.

Você era tudo!
Meu alimento, meu ar, minha juventude errante.
Era meu abraço correspondido
Minha liberdade minha felicidade.

Errei ao perder você
Sem luta, sem ambição de Tê-la
Que forte terremoto atingiu minha dor
Que lamento eterno purificou a teia
De minha covardia.

Fui ingrato, injusto
Você me deu tudo
E eu devolvi com um até mais
Longo e sem volta.

Aquela noite ao pentear seus cabelos
Pedi um beijo o beijo dos traidores
Mas, você não meu deu
E apenas pediu pra seguir meu caminho

Inútil,eu não consegui mais andar
Apenas vagueio entre o tempo
E fico mais velho a cada dia
A cada desespero de minha alma
Até que me chegue a liberdade...a morte!!!!








Minas Poesias: Crepúsculo!!!Domingo, 01/02, 13H32

 CREPÚSCULO

O pássaro preto que me acorda sonolento
Gritando com saudade da liberdade
As quatro da manhã 
Todos os dias...

Me lanço por entre os lençóis
Com o batido da chuva no telhado
E os pingos d'água caindo nas folhas do pé de caju.

A janela que abre espaço para o lamento do pássaro
É a mesma que me acorda com chuvas e ventos
É uma travessia dolorosa
De agonia que transmite o pássaro preto

Sua sequencia de assobios agudos
Estremeados de notas altas e baixas
Ficam mais forte com o sol que se esquenta
Para brilhar

A minha lucidez me levanta
Diante da vontade de voar
Parece que o pássaro tem vergonha de voar
Vergonha de abrir a porta e partir
Já não tem mais força
E não pode deixar a água e a comida...

A prisão é eterna
Os palitos da gaiola são correntes
A comida se torna amarga
A água ácida
E os "puleiros" afiados
São navalhas que cortam seus pés, unhas compridas
Cansadas do vai e vem na gaiola.

Não posso soltá-la!
Mas, não posso ouvir seu lamento
É como ouvir uma canção de exílio
É como estacar o coração




 

Minhas Poesias (O CENTRO DO VULCÃO)

O CENTRO DO VULCÃO

Introspectivo meu caminho
Cheios de erros, urros famintos
Que alucinam uivos 
Curvas de sinos
Apavorados, sombrios
E desnecessários.

O que penso em linha reta
Trafega nos dedos, na cara, nos olhos
No porão onde as vespas voam
Ou no calabouço das minhas ironias.

O que falo, penso ou vomito, não pestaneja 
Não tem suor, gosto, nem lágrimas
São ossos sujos de uma carne podre
Que desdenha
O falar o pensar o morrer...

Minha alma vagueia no vazio
Viaja arcaicamente
Desliza em estilo poroso
Um óleo limpo, virgem 
Produzido nas oliveiras desérticas dos planetas
E produzindo um azeite forte
E macio, bebendo-se em cálices de mármore...

Eu aqui caindo de tristeza
No submundo do meu porão 
Vendo e ouvindo
Notícias amargas
Enfraquecendo meu dia
Intranquilo nesses tempos sem esperança alguma.

De repente vejo uma coruja que me vigia
Que me olha pelas costas
Com seu pescoço torto 
Vasculhando meus pensamentos
Jovens se comportando diferente
Incompreendidos em seus mundos multicoloridos 

A grama verde
O céu nublado
A frente das longarinas de minha barragem
A barragem de minha terra
E a caneta andando sobre o cimento da ponte
O céu esmeraldino
Com um pequeno furo no formigueiro
Perfurando o buraco
Ostentando a folha da cigarra que cicia no meu ouvido

A nuvem passa por entre os espelhos dágua 
E na cama da jovem que dorme cai um pingo de luz
A preguiça dela é descomunal
Seu suor tem cheiro de orgasmo
Seus lenções róseos estremecem
Arquejantes, sufocantes em desespero
Dizem que é o nascimento da descoberta
Que fala por entre as cortinas
Que perambula correndo pra lá e pra cá
Na maciez do seu quarto úmido
Finalmente ela respira e adormece.

O vento sai por entre o buraco da fechadura
Deixando a jovem despida
Adormecida pelos movimentos
Quando tocam sinos
Com tons de acalanto
Permitindo-se ver seus cílios
Saltarem de alegria
A lava rochosa saltam por entre suas escamas
Como o pulsar de um vulcão.




 

Minhas Poesias...Carlos Dehon

Ser livre custa caro

Você observa
O olho vagueia
E você vira um mármore de aço.
Não geme
Não treme
E torna tudo
Uma correnteza inversa.
Se torna frio
Vasculha a imensidão das pessoas que te abandonaram.
Mas, você não se sente só.
Estranho...
Se torna preenchido
Forte, colosso.
Anda firme, cabeça pensativa
Atravessa os dias
Matando todas as dificuldades com sua faca afiada, partindo o pudim que as pessoas insolentes Viraram.
A liberdade é algo como o amor,
Indefinido, indecifrável.



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