Estudos técnicos realizados pelo Governo Federal devem decidir a viabilidade de construir trens de passageiros no Ceará e em outros estados do País. Nesse contexto, o custo dos trens de passageiros é até quatro vezes menor do que o modal rodoviário.
Heitor Studart, coordenador do Núcleo de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), explica que, após o transporte aquaviário, o ferroviário é o mais econômico do mundo, sendo o rodoviário quatro vezes mais caro e o aéreo até vinte vezes mais custoso.
"O modal ferroviário, no mínimo, é de três a quatro vezes [mais barato que o ônibus]", destaca Studart, sugerindo que uma passagem de trem poderia custar um quarto do valor atual de uma viagem rodoviária.
Além do baixo custo para o passageiro, a eficiência logística é outro diferencial. O especialista afirma que os novos trens possuem velocidade de cerca de 60 a 80 quilômetros por hora.
Isso deixaria, segundo ele, a viagem interestadual e regional competitivas com outros modais, em relação ao tempo.
Além disso, na ferrovia, a chance de transtornos, como os congestionamentos das estradas, seria mínimo.
"Um comboio de trem de 70 vagões, são 280, 300 caminhões de cargas. Nada impede que um trem, como o da Transnordestina, tenha vagão de passageiros junto com os vagões de carga. Nesse caso, um vagão pode abrigar passageiros de até três ônibus, na média, com conforto. Por aí você tira a magnitude desse transporte", argumenta ele.
Para Studart, a infraestrutura básica para a retomada do modal ferroviário para passageiros já é uma realidade.
O mais difícil já se encontra implantado, que são os eixos antigos ferroviários. O que precisa ser feito agora são estudos de viabilidade econômica e de concessão de 20, 30 anos, para o setor privado assumir essas operações e torna-lás viável".Heitor Studart
coordenador do Núcleo de Infraestrutura da Fiec
FERROVIAS JÁ FORAM ESPINHA DORSAL DO CEARÁ
As ferrovias já foram a espinha dorsal do desenvolvimento cearense, com composições que ligavam a capital a destinos como Baturité, Quixadá e o Cariri, além de outros estados do Nordeste, como Piauí e Pernambuco.
A nostalgia de trens icônicos como o "Sonho Azul" e o "Asa Branca" agora divide espaço com esses projetos de viabilidade econômica que buscam resgatar a integração regional perdida há décadas.
Heitor Studart relembra com vivacidade esse período de ouro.
No entanto, o luxo e a conectividade de trens como o Expresso Asa Branca, que ligava Recife a Fortaleza na década de 1970, duraram pouco devido à falta de investimentos.
André Cardoso, historiador pernambucano e membro do Comitê Brasileiro para a Conservação do Patrimônio Industrial, pontua que "o Asa Branca durou apenas 5 anos". "Ele já surgiu em meio ao processo de sucateamento da malha ferroviária estatal brasileira no Nordeste".
Segundo ele, o abandono desse modal trouxe prejuízos que foram além da economia. "A desativação dos trens de passageiros gerou impactos significativos para diversas cidades e populações".
(*) Diário do Nordeste







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