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Policial penal e outros dois homens são presos por se passarem por policiais civis para cometerem extorsões no CE

Um policial penal e outros dois homens foram presos segunda-feira (13) por suspeita de se passarem por policiais civis para extorquir dinheiro de comerciantes. O agente e um dos suspeitos foi capturado em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, já o outro foi localizado em Russas, no interior do Ceará.

As investigações sobre o caso tiveram início a partir da denúncia de um comerciante, que no dia 17 de abril deste ano foi rendido pelo trio, na cidade de Russas, e ficou mais de 30 minutos sendo ameaçado com uma arma até transferir R$ 10 mil para a conta dos suspeitos. Os detalhes foram divulgados durante coletiva de imprensa em Fortaleza, ontem, terça-feira (14).

"Os três autores se passavam por policiais civis e abordavam a vítima em razão dela ser comerciante. Eles escolhiam normalmente quem tinha dinheiro e afirmavam que tinha uma investigação em andamento e caso a vítima não cedesse a extorsão eles fariam a prisão. [...] Imagens de segurança colhidas no local demonstram que eles ficaram cerca de 30 minutos com a vítima dentro do veículo, sob pressão intensa, até que a vítima fizesse a transferência", disse o delegado Regional de Russas, Eduardo Borges.


Investigações coordenadas pela Delegacia Regional de Russas, com apoio do Departamento de Polícia Judiciária do Interior Sul (DPJI-Sul) identificaram os suspeitos como sendo: um policial penal, com atuação em Caucaia, que já possui antecedentes criminais por tráfico de drogas; um primo do agente e um comerciante de Russas, que ajudava a escolher as vítimas por saber quem tinha maior poder aquisitivo.

"Os dois indivíduos presos em Caucaia, entre eles o policial penal, chegaram na cidade de Russas um dia antes do crime, onde se reuniram com o terceiro investigado e arquitetaram todo o plano: como abordar, para que conta fazer o Pix, para a transferência de valores, e fizeram essa ação no dia seguinte", relatou Eduardo Borges.

Ainda segundo o delegado, o dinheiro da vítima que denunciou o caso foi recuperado pela polícia.

"Esse valor foi transferido para a conta de terceiros, um ‘laranja’, que foi escolhido a dedo, que era a namorada de um dos indivíduos. A gente conseguiu rastrear e conseguiu identificar essa conta", falou o delegado de Russas.

Os homens, com idades de 27, 29 e 35 anos, foram autuados pelo crime extorsão qualificada, mediante restrição da liberdade da vítima, e com emprego de arma de fogo. Após as capturas, os suspeitos foram conduzidos para unidades policiais, onde as ordens judiciais foram cumpridas. Agora, eles estão à disposição da Justiça.

A Polícia Civil segue com as investigações com a finalidade de identificar se outros suspeitos estão envolvidos na ação criminosa.

"Têm investigações ainda em andamento que a gente conseguiu identificar possíveis vítimas. Elas ficam amedrontadas em denunciar, em razão dos autores fazerem aquela pressão psicológica de que caso elas façam a denúncia eles a executam. Algumas vítimas ficam temerosas. [...] A gente está trabalhando com a temática de que há outras vítimas, pois eles atuavam tanto na região de Russas como aqui em Fortaleza", afirmou o delegado.

(*) g1 CE

Saiba como policiais civis extorquiam traficantes e tinham vantagem financeira, segundo denúncia do MPCE

De acordo com a descrição dos fatos feita pelo Ministério Público Estadual em denúncia, inspetores e delegados criavam situações para simular apreensões de drogas, extorquir e torturar traficantes e ter vantagem financeira.


Pelo menos três delegados e 13 inspetores da Polícia Civil do Ceará são acusados de promover, constituir, financiar ou integrar organização criminosa, conforme denúncia criminal do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público do Ceará (MPCE). Em 2018, operação da Polícia Federal já atuava com o objetivo de desfazer organização criminosa composta por policiais.
Conforme denúncia do documento, o esquema criminoso funciona com o recrutamento de criminosos envolvidos com o tráfico de drogas para exercerem papel de "informantes". Esses criminosos, então, ganham confiança de outros traficantes e organizam uma compra de drogas. A partir disso, os criminosos vão até o local junto aos policiais civis que lideram o esquema portando notas falsas. A descrição dos fatos consta na denúncia do Ministério Público.
"No local, os policiais e os ‘informantes’ abordam o traficante, subtraindo a droga e os valores eventualmente encontrados; na sequência, através de ameaças e torturas constrangem o traficante a entregar mais droga e mais valores”, narra o documento.

De acordo com a descrição feita pelo MPCE, os agentes, após a ação, formalizam uma apreensão de drogas em quantidade inferior ao que foi coletado, ou até mesmo de outras substâncias. O excedente — que em alguns casos é toda a droga coletada, sem nenhuma formalização de apreensão — é desviado para revenda, apurando dinheiro para pagar os “informantes” e continuar com o esquema criminoso.

Por meio das investigações e do trabalho de análise dos dados de telefones de inspetores e delegados lotados na Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas, o MPCE concluiu que a atuação de organizações criminosas no local era “muito mais ampla” do que se pensava inicialmente. "Parte dos policiais se aproveitava de informações privilegiadas para abordar vítimas específicas que pudessem ser "trabalhadas", tanto para o alcance de apreensão de grande quantidade de drogas quanto de dinheiro para os que integravam a linha de frente de abordagens, tudo com conivência e proteção dos delegados”, relata a denúncia.

"Frequentemente o abordado, que se encontrava sempre com algum objeto ilícito ou mandado judicial em aberto era extorquido (em várias ocasiões através da prática de torturas) e ameaçado se preso em flagrante para que entregasse alguma informação sobre traficantes maiores e mais quantidade de entorpecentes, além, é claro, de dinheiro, principal foco dos policiais. Algumas vezes, os próprios traficantes vítimas as extorsões e torturas ganhavam a confiança do grupo e se tornavam parceiros e informantes”, continua o documento.

Em nota, a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) informa que já entrou em contato com o MPCE, que se comprometeu em oficializar a este órgão a denúncia, devidamente acompanhada de toda documentação, para análise e adoção de medidas na esfera administrativa.

(Colaborou Angélica Feitosa)
(*) O Povo
www.carlosdehon.com

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