Com o título “Os dias mais tensos de uma campanha tensa”, eis o Editorial do O POVO desta segunda-feira:
São seis dias, a partir de hoje, para chegarmos ao esperado 7 de outubro, data em que milhões de nós iremos às urnas para o sagrado exercício cidadão do voto. Uma conquista do Brasil moderno e civilizado, que não pode ser submetida a qualquer risco, a despeito do desafio representado por estarmos experimentando uma das campanhas eleitorais mais confusas que nossa história já registrou.
Até pelo cenário caótico, polarizado e tenso, que a disputa pelo poder trouxe à realidade das ruas brasileiras, especialmente no tocante à eleição para presidência da República, os candidatos precisam assumir uma responsabilidade maior diante deste momento de reta final. O exemplo de cada um é fundamental para se ter garantido o ambiente de respeito às diferenças e aos diferentes que está na essência do espírito do que a democracia oferece e possibilita, na perspectiva de construção de uma sociedade que seja para todos, mais justa e melhor de se viver.
O ambiente eleitoral, inquietante por natureza devido ao seu caráter inevitavelmente incerto, age sob muita influência daqueles que têm o peso referencial de liderar pessoas, grupos, partidos, campanhas. Muito especialmente quando se vê integrado ao processo um fator com o potencial de instabilidade que apresentam hoje as ditas redes sociais, com seu controle difícil e o alcance quase ilimitado dos efeitos.
Os candidatos e todos aqueles cujas vozes de alguma forma ecoam um grau de oficialidade precisam, mais do que nunca, manter suas ações e palavras no limite do aceitável, mesmo que considerando-se que isso também implique no direito assegurado a eles de criticar adversários, ressaltar suas fraquezas, apontar seus defeitos e, enfim, fragilizar o outro como estratégia de se fortalecer. É do jogo.
O fim de semana passado foi exemplar, nesse sentido. O País assistiu, ao longo do sábado e domingo, manifestações de objetivos diversos, muitos deles ideologicamente conflitantes entre si, num conjunto total que em dois dias levou multidões às ruas sem o registro de maiores problemas. As diferenças foram ressaltadas e exemplarmente respeitadas, o que nos dá uma grande esperança de termos como saldo definitivo a contabilizar a reafirmação da democracia, defeitos que apresente à parte, como a única forma de o povo realmente assumir o controle do seu destino. Sem minimizar, claro, o fato de a campanha de 2018 se encaminhar aos registros históricos como uma das mais angustiantes já registradas no Brasil.
(Editorial do O POVO)







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