A distância até a capital mais próxima - Fortaleza ou Teresina - é de cerca de 300 quilômetros (km) por estrada, seja de qual for a cidade da Serra da Ibiapaba. É um caminho considerável, mas que abre possibilidades para a descoberta de um eldorado agrícola encravado no alto daquela região cearense.
Na divisa com o Piauí, subindo qualquer um dos nove municípios da Serra da Ibiapaba, floresce uma agricultura forte e inovadora. Essa dinâmica está ancorada em três pilares: a agricultura familiar, a disponibilidade de microcrédito rural orientado e a cooperação entre vizinhos.
A variedade encontrada no local é enorme: batata-doce, café, flores ornamentais, framboesa, melancia, morango, pitaya. São inúmeros produtos agrícolas que crescem na região e que não são comuns no restante do Estado, calcado na força de pequenos produtores rurais. E é o microcrédito que atua como o elo entre essa
Por essas razões, a Serra da Iabiapaba serve como um laboratório para observar a dinâmica dos pequenos produtores no agro cearense. Para se ter ideia da força do microcrédito na região, o número de operações ativas na Serra da Ibiapaba alcança 20 mil, volume equivalente ao total de unidades familiares de produção rural da zona.
Os dados são do Banco do Nordeste (BNB) e do Censo Agropecuário 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nesta primeira parte da reportagem “O novo agro: microcrédito rural como motor de desenvolvimento do Ceará”, o Diário do Nordeste foi em busca de histórias que mostram a transformação do campo. Você conhecerá como a união entre tecnologia, sustentabilidade e microcrédito está fortalecendo o pequeno produtor e redesenhando a agricultura cearense
Inovação e sustentabilidade
São aproximadamente 320 km de distância que separam Fortaleza de Jurema Norte, distrito de Ibiapina, um dos municípios da serra. Naquela localidade, o agricultor Francisco Pereira Lima cultiva o hábito de receber estudantes e interessados no desenvolvimento da agroecologia, uma das principais vertentes da chamada agricultura sustentável, conforme informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Nos cinco hectares de posse do produtor rural, tudo o que se planta dá, sem necessariamente um roçado dedicado para um cultivo específico. Nas terras de Francisco, a acerola convive com a pitaya branca, limão-taiti, laranja-pêra, jamelão, melão, abacaxi e o abacate, só para citar algumas.
Aos 65 anos, Francisco não sabe precisar ao certo desde quando é agricultor, mas garante que é "desde que se entende por gente". A única lembrança concreta é que, desde 1982, quando tinha 22 anos, contratou os primeiros financiamentos rurais.
Embora não tenha a certificação, o agricultor garante que toda a produção é orgânica, livre de agrotóxicos. Para isso, aproveita os dejetos de uma pequena criação de porcos dentro da sua propriedade, processa em um biodigestor criado por ele próprio e usa o biofertilizante resultado do processamento no solo para as plantas.
"Fiz por meio de pesquisas na internet. Funciona com dejeto de porco, e uma parte que uso papel, que gera líquido que gera gás e, principalmente, biofertilizante. É ótimo. Em vez de estar poluindo com o dejeto do porco, estou utilizando direto nas plantas", comenta.
(*) Reportagem completa no Diário do Nordeste deste domingo







Nenhum comentário: