Dono de escritório onde Isabelle Caracristi e João Munhoz trabalhavam diz que jovem afirmou se 'sentir sufocada' Isabelle teria ficado somente 20 dias como estagiária da empresa onde conheceu o namorado, que atualmente está preso por suspeita de induzimento ao suicídio da jovem.

O dono da empresa de advocacia onde Isabelle Caracristi foi estagiária e João Munhoz Neto era gestor, informou em depoimento nesta quarta-feira (23) que a jovem de 22 anos o procurou para dizer que se sentia "sufocada" no ambiente de trabalho pelo namorado. De acordo com Leandro Vasques, advogado que representa Rudá Bezerra de Carvalho, ele depôs que chegou a advertir o funcionário.

Segundo Vasques, o cliente dele informou em depoimento que Isabelle teria sido estagiária da empresa Focus Correspondência Jurídica por cerca de 20 dias. O proprietário do escritório disse que soube por terceiros que ela estava em um relacionamento com Munhoz, e que chamou os dois individualmente para adverti-los e solicitar que mantivessem separadas as vidas pessoal e profissional.

Conforme Leandro Vasques relatou, seu cliente informou na Delegacia que Isabelle disse que o gestor e namorado não deixava ela desempenhar funções profissionais sozinha. Isso teria gerado uma segunda advertência para João.

De acordo ainda com Vasques, em outro trecho do depoimento concedido na tarde desta quarta-feira, o advogado Rudá Carvalho informou que havia determinado a alteração de computadores na sala da empresa, para evitar que Isabelle ficasse fisicamente próxima a Munhoz Neto.

Ainda conforme o relato, a universitária pediu desligamento da empresa em 17 de agosto, fato que teria gerado descontentamento do namorado, que chegou a pedir para o chefe readmiti-la.

Segundo ainda informações repassadas pelo advogado de Rudá Carvalho, ele disse que na mesma época que Isabelle se desligou, João se afastou fisicamente da Focus Correspondência e passou fazer atividades via home-office não mais como gestor.

Vasques informou também que no depoimento, o cliente dele relatou que João Munhoz Neto o procurou para redigir a peça do divórcio consensual, e que sabia que ele e a ex-esposa já não tinham mais um relacionamento há certo tempo.
Perícia indica que queda de Isabelle foi 'voluntária'

O perito-geral da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) Júlio Torres afirmou em coletiva de imprensa nesta quarta que laudo pericial aponta que a queda e morte de Isabelle Caracristi, 22, aconteceram por "precipitação voluntária", e que uma câmera de monitoramento localizada no condomínio La Piazza corrobora o fato.

"Houve um precipitação voluntaria do rooftop, onde ela caiu em posição vertical", afirmou o perito.

João Munhoz Neto, preso por suspeita de induzimento ao suicídio da jovem de 22 anos , foi transferido para a Unidade Prisional de Triagem e Observação Criminológica (UP-TOC), em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, nesta quarta-feira (22). A transferência acontece após o homem de 34 anos passar por audiência de custódia.

A Justiça cearense decidiu manter a prisão preventiva, entendendo que permanecem válidos os fundamentos apresentados para a decretação da medida.

A unidade prisional de Aquiraz é destinada ao acolhimento e à avaliação de pessoas recém-ingressadas no sistema penitenciário cearense, funcionando como "porta de entrada" para a definição do local onde o preso deverá cumprir a custódia.

(*) Diário do Nordeste

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