Grupo denunciado pela morte de vereadora no Ceará teria ligação com o PCC

 

Os cinco homens denunciados pelo assassinato da vereadora cearense Jucely Alves Arrais, de Aiuaba, no interior do Ceará, em 2017, teriam "contato e articulação" com integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A reportagem apurou a informação em documentos do inquérito e junto a fontes da Polícia Civil e da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) ofereceu denúncia contra o grupo nesta quinta-feira (22), nove anos após o crime que aconteceu em meio a uma sequência de mortes na região.

A morte de Cely Arrais ocorreu em um contexto de vingança iniciada após uma execução datada de 2016, alguns meses antes do crime. A violência teria se dado ainda por rivalidade entre famílias, disputas políticas e interesses econômicos.

Os denunciados são:Antônio Neves Pereira ("Sr. Tonho")
Francisco André Gonçalves Feitosa
Francisco Elton da Silva Sousa ("Teta do Felipe")
Antônio Eldo Nogueira de Sousa ("Eldo do Felipe")
Antônio de Araújo Chaves Neto ("Tonho da Ronda")

Neves teria orquestrado a morte de Cely, André teria fornecido transporte e dado apoio aos executores, enquanto os irmãos Elton e Eldo ficaram responsáveis por monitorar a vítima e levantar informações. O último denunciado teria dado apoio ao grupo criminoso.

Um policial militar, que já foi afastado das funções e investigado por participar de uma "milícia", chegou a ser investigado por suspeita de participação no homicídio, mas não foi denunciado.
Vereadora foi monitorada e ameaçada

A reportagem apurou que semanas, antes de ser assassinada, a vereadora Cely Arrais começou a ser ameaçada com mensagens sobre seus familiares, principalmente sobre o marido Francisco Alves de Sousa, o 'Josa', que viria a ser morto menos de um mês depois da esposa. Ela teria expressado o medo de sofrer um atentado.

A pessoa que estaria ameaçando a parlamentar seria Eldo Felipe, que mandava fotos de 'Josa' para Cely.

Um dos denunciados, Elton, chegou a ser visto rondando a residência de Cely, nos dias que antecederam o crime, que ocorreu na localidade de Bom Nome, em Aiuaba.

O vídeo do dia do atentado, ocorrido na localidade de Bom Nome, foi obtido pelo Diário do Nordeste em 2019. É possível ver o momento em que um carro modelo Palio estaciona em frente à casa de Cely e descem sete homens armados e encapuzados. Pelo menos três deles usavam coletes.


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