Fim da escala 6x1: o que deve mudar para trabalhadores e empresas

O Senado Federal aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. Para fontes especializadas, a nova regra poderá resultar na reorganização completa das empresas, no encarecimento da hora trabalhada e no possível fim dos empregos de entrada.

No Ceará, o fim da 6x1 representa a redução da jornada de pelo menos 254,7 mil trabalhadores, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O número representa 20,55% do total de empregos no Estado.


1,4 milhão
É o número de trabalhadores cearenses com carteira assinada que devem respeitar as novas regras.

MAIS CONTRATAÇÃO DE FREELANCERS

A administradora de empresas e professora da Fundação Dom Cabral, Maria Candida Baumer, estima que a redução da jornada vai impactar, no curto prazo, os setores de gestão e tecnologia. Em seguida, será a vez das vagas de entrada para profissionais com menor qualificação formal.

"Historicamente, essas posições serviam como ambiente de aprendizado básico. Com a pressão por maior produtividade a cada hora paga, as empresas perderão a margem de tolerância para treinar profissionais do zero", avalia.

Para a especialista, também deverá ocorrer o avanço da contratação de freelancers por plataformas tecnológicas segmentadas, nas quais as empresas contratam pessoas para realizar o trabalho por um período predeterminado, sem possibilidade de integração ao quadro de funcionários.

APERTO DE MARGEM E MAIS AUTOMAÇÃO

Diante desse cenário, Baumer projeta que os setores que dependem de funcionamento contínuo, como comércio, supermercados, restaurantes, hotéis e hospitais estão entre os que precisarão avaliar os impactos da mudança.

A professora divide as adaptações do mercado de trabalho em duas realidades: a das empresas com margem folgada de orçamento e a daquelas no limite de gastos, sem possibilidade de contratação

"As mudanças com o fim da 6x1 não serão iguais para todas as empresas. Há empresas do mesmo segmento em momentos muito diferentes de gestão. A diferença virá para quem faz um bom trabalho, preserva a margem, capacita o time e investe em automação e digitalização", afirma.

Para ela, haverá aperto imediato de margem e incentivo a mais automação no médio prazo, em movimento similar ao das redes de restaurantes que trocaram caixas por totens de autoatendimento.

Baumer considera a medida necessária para o bem-estar social dos trabalhadores, mas inconsistente na aplicação, e aponta que o excesso de tributação e de regulação prejudica a viabilidade dos negócios e a empregabilidade.

Organizações focadas em serviços analíticos sentirão menos a mudança. A mão de obra será mais necessária nos setores em que o trabalho físico é mais presente. Ainda assim, algumas empresas podem elevar a demanda para compensar a jornada reduzida. Isso poderá encurtar o espaço de formação na base do mercado, comprometendo empregos de base no futuro.Maria Candida Baumer
Administradora e professora da Fundação Dom Cabral


CONTRATAÇÃO NA CLT E SALÁRIO MANTIDO

Já a advogada trabalhista Beatriz Amorim Muniz analisa que a implantação da jornada 5x2 pode atrair mais pessoas a buscar empregos formalizados no regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

"Quem está tentando se reinserir ou fazer uma transição no mercado de trabalho pode ter as oportunidades ampliadas, com chance maior de contratação e já com a jornada reduzida", afirma.

(*) Diário do Nordeste

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