Os açudes cearenses chegam a junho, após o fim da quadra chuvosa, com 53,82% da capacidade total de água armazenada. O cenário é um reflexo das boas precipitações que banharam o Estado de fevereiro a maio deste ano. O aporte nos 144 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) foi de 6,95 bilhões de metros cúbicos (m³), o terceiro melhor volume da última década.
As informações foram divulgadas pelo órgão nesta segunda-feira (1º), no evento de apresentação do balanço oficial da quadra chuvosa. No encontro, estiveram presentes a Cogerh, a Secretaria dos Recursos Hídricos do Estado (SRH) e a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).
O aporte hídrico total registrada em 2026 é superior ao volume acumulado em 2024 (10,2 bi m³) e 2023 (7,1 bi m³). Conforme a Cogerh, os dados deste ano não consideram a recarga de água do sistema integrado metropolitano — composto pelos açudes Pacoti, Pacajus, Riachão e Gavião.
"Esse é um número relmente confortável. Nós temos uma capacidade de armazenamento da ordem de 18,4 bilhões e hoje estamos com quase 10 bilhões nos nossos estoques [...] Mesmo [...] sendo o terceiro melhor aporte nos últimos 10 anos, nós ficamos enquadrados dentro da normalidade", afirmou o secretário da SRH, Ramon Rodrigues, em entrevista à Verdinha FM.
Segundo a Funceme, a quadra chuvosa de 2026 acumulou 665,2 milímetros (mm), valor que está dentro da média histórica. Cerca de 73% do Estado teve precipitações dentro da média histórica, 15% abaixo do esperado e 11,6% acima. O resultado comprovou a previsão para o ano, apresentado em janeiro.
Dez das 12 bacias hidrográficas monitoradas no Ceará receberam precipitações em torno do normal esperado, com duas delas registrando chuvas acima da média: Salgado, com 736,8 mm, e Sertões de Crateús, com 596,8 mm.
Embora os aportes tenham sido positivos, a distribuição ainda é desigual e algumas regiões estão em situação crítica. É o caso da bacia dos Sertões de Crateús, onde há apenas 20,9% da capacidade total armazenada. "É a bacia que mais nos preocupa", diz Ramon.
Segundo o secretário da SRH, o estoque atual é suficiente para garantir o abastecimento por apenas um ano (até a quadra chuvosa de 2027). "A gente precisa ter muito cuidado para não deixar faltar água", ressalta.
O cenário pode atingir cidades como Novo Oriente, Independência e Quiterianópolis.
No Sertão Central, o cenário é de atenção e operação "conservadora". A bacia de Banabuiú está com 32,3% de armazenamento total e tem a operação direcionada para o abastecimento humano prioritariamente, conforme Ramon.
O percentual é parecido com o encontrado na região do Médio Jaguaribe, que concentra 33,5% de volume. No entanto, em termos absolutos, o volume é ainda maior. Isso porque é a bacia que concentra o Castanhão, o maior açude açude do Brasil com volume total de 6,7 bilhões de metros cúbicos (m³) de água.







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