Financiamento do BNB para energia solar despenca 62% no Ceará após mudança nas regras de crédito Financiamento de sistemas de geração para residências e pequenos negócios caiu por determinação de priorizar equipamentos locais.



O valor financiado pelo Banco do Nordeste (BNB) para projetos de energia solar em residências e pequenos negócios do Ceará caiu mais de 62% devido a mudanças nas regras de aprovação do crédito.

O montante liberado no Ceará foi de R$ 9,4 milhões de janeiro a abril de 2025. Já no mesmo período deste ano, caiu para R$ 3 milhões.

Em todo o território da atuação do BNB, a redução foi de 55,51%. O valor financiado passou de R$ 78,9 milhões para R$ 35,1 milhões.
O QUE EXPLICA ESSA REDUÇÃO?

O tombo ocorre após o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) determinar que sejam favorecidos equipamentos produzidos no Brasil.

O Banco do Nordeste destacou que, como operador do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), deve cumprir as determinações do ministério para a concessão de financiamentos com recursos dos Fundos Constitucionais.

"As normas vigentes definem critérios obrigatórios para o financiamento de máquinas, equipamentos e sistemas nacionais, inclusive quanto ao atendimento às exigências de conteúdo nacional mínimo previstas no regulamento do Credenciamento FINAME (CFI)", reforçou a nota.
IMPACTO NA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

Em vigor desde novembro de 2025, a exigência de conteúdo local reduz a lista de fornecedores disponíveis para os projetos solares. O objetivo é estimular a indústria nacional, já que o setor solar depende fortemente da importação de placas, sobretudo da China.

A medida é positiva para estímulo do setor, mas prejudica a expansão da geração solar distribuída (em residências e pequenos comércios). É o que avalia Williman Oliveira, conselheiro do Movimento Solar Livre.

"O setor de energia renovável é peculiar. Cerca de 95% dos sistemas de energia solar, placas e equipamentos todos são produzidos e vêm da China. Praticamente só 5% são produzidos no Brasil, e também não tem insumo suficiente", comenta.

Segundo Williman, os produtos com selo nacional têm preço até 40% maior do que os importados. Consequentemente, as condições para a aquisição dos painéis são dificultadas.

O Diário do Nordeste pediu um posicionamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), que representa toda a cadeia produtiva da energia solar no País, mas não obteve retorno. A matéria será atualizada em caso de resposta.
MENOS INVESTIMENTOS NO SETOR

A retração, por si só, não prova desaceleração de todo o setor, mas é um sinal econômico relevante, aponta Thiago Holanda, membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE).

"A geração distribuída depende muito de crédito de longo prazo e juros menores. Quando o financiamento subsidiado diminui, projetos residenciais, rurais e de pequenas empresas tendem a ser adiados", avalia.

O menor número de projetos financiados acompanha a perda de ritmo do setor solar. A potência adicionada pelo setor no Brasil ao longo de 2025 caiu 29% na comparação com 2024.

Os investimentos tanto na geração distribuída quanto na centralizada (grandes usinas solares) caíram 40%.

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