Dois delegados de Polícia Civil se tornaram alvos de Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) que visa apurar a conduta dos agentes na possível falha de custódia da plantação de 290 mil pés de maconha encontrados em Acopiara, no interior do Ceará. O Diário do Nordeste solicitou um posicionamento à CGD, mas não obteve retorno.
Nesta quinta-feira (2), o governador Elmano de Freitas confirmou a investigação e disse que a CGD vai "apurar responsabilidades". "Se o delegado tem responsabilidade ou não, quem vai dizer é a apuração", pontuou, em coletiva de imprensa na sede da Delegacia Geral, durante evento de entrega de celulares furtados e roubados.
Além disso, o governador defendeu que eventuais condutas erradas de alguns agentes não devem "macular a imagem da instituição". Ele reforçou ainda "absoluto apoio" às forças de segurança e destacou resultados recentes positivos dos indicadores criminais.
A Assessoria Jurídica da Associação dos Delegados de Polícia Civil do Ceará (Adepol-CE) informou, em nota, que solicitou acesso aos autos. "Não nos pronunciaremos sobre a questão de fundo enquanto não obtivermos amplo acesso, mas adiantamos estranhar que se tenha instaurado já um procedimento administrativo-disciplinar ao invés de uma sindicância, que, na nossa percepção, seria mais adequada. A apuração ainda está numa fase germinativa e compreendemos que o PAD representa, data venia, uma precipitação, afinal, não se deve meramente se encontrar um culpado, mas esclarecer o fato em toda sua amplitude sob todos os seus ângulos. Não admitiremos que transformem determinado associado no para-raio do evento em apuração", disse o advogado Leandro Vasques, assessor Jurídico da Adepol.
Associação de delegados defendeu 'apuração rigorosa'
Em nota, após a divulgação da investigação da custódia dos procedimentos, a Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Ceará (Adepol/CE) informou defender uma "apuração rigorosa, pautada pela legalidade e pela transparência, bem como guiada pela imparcialidade, serenidade e razoabilidade, visando à busca da verdade, e não somente à identificação de um culpado".
"É preciso que a falha institucional, admitida pela Delegacia-Geral da Polícia Civil, não seja particularizada, devendo haver claro discernimento sobre a natureza sistêmica, e não individual, do problema. É notório que a custódia de um elevado volume de entorpecentes e de uma extensa área de plantação demanda considerável aparato estrutural e humano, não sendo viável a atribuição de tal responsabilidade a um pequeno contingente local", pontuou nota.







Nenhum comentário: