7 PESSOAS EM MÉDIA POR DIA DESAPARECEM NO CEARÁ




Às 9h34 do dia 17 de agosto de 2026, José Barbosa Cavalcante, 86, foi visto pela última vez. O que parecia uma ‘manhã qualquer’ para ele e a família, logo se tornou um pesadelo.

Naquele dia, José entrou para a lista dos desaparecidos no Ceará, onde permanece após um mês desde o início das buscas.

Ele e mais, pelo menos, 1.358 pessoas compõem a estatística de números de pessoas desaparecidas no Ceará, somente em 2026, enquanto as famílias se apegam às políticas públicas, às autoridades e às buscas por conta própria na tentativa de revê-los.

Os registros da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) indicam que, em média, sete pessoas desaparecem por dia no Estado. O dado tende a ser subnotificado, já que, em determinados casos, os desaparecimentos não são comunicados oficialmente à Polícia.

De hoje até a próxima quinta-feira, você confere a série de reportagens 'Onde está você?', publicada no Diário do Nordeste.
REDE INTEGRADA

A delegada Patrícia Lopes Aragão, titular da 12ª Delegacia de Desaparecidos do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa em Fortaleza (DHPP), destaca: “quanto mais rápido procurar a polícia, mais chances de encontrar com vida”.

“Muitas vezes os familiares não procuram a delegacia imediatamente após o desaparecimento devido à lenda de que tem que esperar um prazo ou até mesmo por acreditarem que vão encontrar por conta própria. Isso dificulta, porque a pessoa pode sair do estado; tem casos de pessoas que estão com ideação suicida, pessoas que estão nos hospitais sem identificação... São várias situações”, diz Patrícia.

O procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Ceará (MPCE), Herbet Santos, traz a importância da atuação interinstitucional nestes momentos.

“Quando uma pessoa desaparece, uma família inteira passa a viver à espera de respostas. Por isso, enfrentar esse fenômeno exige a união de esforços, a integração entre as instituições e, principalmente, a escuta permanente dos familiares”, garante o PGJ.

“A atuação conjunta do Ministério Público, das forças de segurança, do Poder Judiciário, dos órgãos de assistência social, da sociedade civil e dos próprios familiares amplia nossa capacidade de localizar e identificar essas pessoas e de oferecer o acolhimento necessário. Quando trabalhamos de forma integrada, conseguimos construir respostas mais rápidas e eficazes para quem espera pelo reencontro”Procurador-geral de Justiça Herbet Santos

A busca por uma política permanente para enfrentar o problema dos desaparecimentos é um dos objetivos do MP neste tema, segundo Herbet.

“Por meio do PLID, do Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (Sinalid), da atuação junto ao Comitê Estadual e de iniciativas como a Caravana de Interiorização da Política de Enfrentamento ao Desaparecimento de Pessoas, estamos fortalecendo a rede de atendimento nos municípios e ampliando o diálogo com as instituições e com as famílias. A nossa intenção é transformar informação, integração e articulação em ações concretas de prevenção e proteção, garantindo um atendimento cada vez mais humanizado às famílias que enfrentam a angústia do desaparecimento”, garante o procurador-geral.
SEM VESTÍGIOS

Fernando Guilherme, um dos quatro filhos de José Barbosa Cavalcante, conta que o pai tinha o hábito de descer para área comum do condomínio onde moram, ir à padaria comprar pão ou ir a uma banca de revistas.

Naquela segunda-feira pela manhã pediu ao filho para visitar um irmão dele, que mora próximo à Avenida Leste-Oeste: “eu disse pra ele que ele esperasse mais um pouco que eu descia com ele e a gente ia de Uber”.

José desceu antes e Fernando disse ter pensado: “ele deve ter ido ali e volta logo”. Mas José não voltou.

“A gente conseguiu apurar nas câmeras que ele saiu a pé, seguindo sentido Antônio Bezerra. Ele anda bem, tem uma certa demência devido à idade, mas ele sabe dizer o endereço onde mora, sabe dizer os nomes dos filhos. É um verdadeiro mistério, a gente não sabe”, conta Fernando.

(*) Reportagem completa no Diário do Nordeste

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