A Justiça do Ceará decidiu acolher a acusação e tornar réus oito acusados de formar um 'tribunal do crime' do Comando Vermelho e participar da execução de um homem por acreditarem que a vítima estuprou uma adolescente com transtorno do espectro autista.
O homicídio foi registrado no bairro Quintino Cunha, em Fortaleza. O Ministério Público do Ceará (MPCE) apontou nove nomes como autores do crime, mas o Judiciário decidiu acolher a denúncia contra oito.
São eles: Breno Sousa Andrade, o 'Bê; Erisvando Sousa Silva, o 'Cacá'; Iago Pinto Carneiro, conhecido como 'Iluminado'; Márcio Ruan Sousa Rodrigues, o 'Cocão'; Rondinele Vicente do Nascimento, o 'Guaxinim'; Cauã de Sousa Silva; João Pedro Silva Santos, o 'Foguinho'; e Denílson Maia Matias.
Conforme a acusação, no dia 19 de janeiro de 2026, se espalhou pela comunidade a notícia de que supostamente Antônio Cosmo Martins de Barros cometeu violência sexual contra uma menina de 13 anos.
No mesmo dia, Breno Sousa, reconhecido na região como liderança do CV, autorizou a execução de Antônio.
Deliberada a morte, os demais envolvidos foram até a casa da vítima, invadiram o imóvel e começaram a sessão de tortura. Antônio foi arrebatado de casa e levado aos becos da comunidade, enquanto os agressores gritavam pelas ruas que ele se tratava de um estuprador.
Parte dos acusados foi presa na última semana.
TRIBUNAL DO CRIME
Conforme testemunhas, enquanto a vítima era agredida, ela gritava dizendo que era inocente e pedindo que "chamassem a menina para ela dizer que não fez nada".
"O trajeto percorrido foi objetivamente confirmado pelos vestígios encontrados no local: vestes ao solo, mancha de sangue na areia, pedras manchadas de sangue e um rastro de arrasto que se estendia em direção ao matagal e culminava no ponto em que o corpo foi encontrado".
Antônio também foi atacado com golpes de armas brancas, do tipo facão e peixeira. Na sequência, o corpo dele foi lançado nas águas do rio, "de onde veio a ser retirado posteriormente pelo Corpo de Bombeiros".
O MP também apontou que cerca de dez a 15 minutos depois, "os agressores retornaram à praça da comunidade com os corpos cobertos de sangue e portando as armas brancas ainda ensanguentadas, proclamando abertamente, a quem quisesse ouvir, que haviam matado 'Có' por causa do estupro e que não aceitariam tal conduta na comunidade".
Na sequência, os envolvidos determinaram lei do silêncio na comunidade, para que ninguém comentasse sobre o ocorrido.
O nono denunciado pelo Ministério Público foi Josiberto Raimundo do Nascimento Filho, o 'Jorginho'. No entanto, no último dia 17 deste mês, o colegiado da 6ª Vara do Júri rejeitou a denúncia em relação a Josiberto, alegando que não se verificam indícios suficientes de "autoria aptos a justificar o recebimento da denúncia".
(*) Diário do Nordeste







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