Primeiro açude do Brasil fica no CE e chega aos 120 anos com menos de 1% de água; veja imagens

 

Do alto dos 20 metros da parede principal do Açude Cedro, em Quixadá, no Sertão Central do Ceará, é possível avistar a famosa Pedra da Galinha Choca em um vale cercado por outras montanhas de rochas, símbolos da cidade. Foi também caminhando por esse ícone arquitetônico, um paredão em curva com 450 metros de extensão, que a equipe do Diário do Nordeste, em visita ao local no domingo (18), avistou inicialmente outro bem precioso: a pouca água que ainda resta no reservatório.

A barragem, uma construção monumental, completa 120 anos nesta segunda-feira (26). A estrutura marca a história do Brasil por se tratar do primeiro açude público construído no país, dando início à estratégia de armazenamento de água no semiárido brasileiro.

A obra do reservatório, localizado no interior do Ceará, foi idealizada ainda no Brasil Império, por determinação de Dom Pedro II, mas só foi concretizada durante a República. O açude foi entregue em 26 de outubro de 1906, após 16 anos de trabalho. Apesar da grandiosidade e da capacidade para armazenar 126 milhões de metros cúbicos de água, já foi um diferencial para a reserva hídrica do Estado, mas há décadas não cumpre a função original: a de abastecer a cidade de Quixadá.

Ao longo da história, a barragem centenária atingiu a capacidade máxima e sangrou cinco vezes. A última foi há 37 anos. Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a estrutura atualmente acumula um volume de água correspondente a apenas 0,64% da capacidade total.

Essa realidade, monitorada pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), foi constatada de perto pela equipe do Diário do Nordeste, durante visita ao açude centenário. Conforme dados da Cogerh, nos últimos 20 anos, o maior volume registrado pelo Cedro foi em junho de 2009, quando o reservatório atingiu 35,22% da capacidade.

Desde então, o nível da água seguiu em queda gradativa, ano a ano, até o açude ficar praticamente seco em fevereiro de 2017 e nos primeiros meses de 2022. Em 2023 e 2024, o reservatório voltou a receber água e apresentou elevação no volume, chegando a quase 5% da capacidade em junho de 2024. Depois disso, o nível voltou a cair até atingir o patamar atual.

Hoje, apesar do baixo nível de água, a barragem atrai visitantes envolvidos tanto pela beleza da paisagem natural quanto pelos elementos arquitetônicos diferenciados da estrutura.

(*) Diário do Nordeste



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