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FRALDAS, ABSORVENTES, SACOLAS PLÁSTICAS, DESCARTE INADEQUADO EM 24 CIDADES DO CEARÁ

O volume, segundo a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), equivale a cerca de 19 caminhões-caçamba cheios de lixo. A quantidade corresponde a aproximadamente 65% de todo o material removido ao longo de 2025, de acordo com a Cagece. No ano passado, foram registradas 294,68 toneladas de resíduos nas estruturas.⁠⁠
O material chega ao sistema principalmente por meio do descarte inadequado em vasos sanitários, pias e ralos. Os serviços de limpeza da rede de esgoto são realizados pela Cagece por meio da Ambiental Ceará, empresa parceira da companhia na universalização dos serviços de esgotamento sanitário em 24 municípios cearenses.⁠


Incêndio de grandes proporções é registrado entre Acopiara e Iguatu ontem a tarde

Meio Ambiente Ciclone bomba continua no Sul e Sudeste do país



Uma faixa no litoral do país que se estende do estado de São Paulo até o Rio Grande do Sul está, nesta sexta-feira (7), em alerta laranja de perigo para vendaval e fortes chuvas causadas pela atuação de um ciclone bomba, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Os efeitos do fenômeno ainda são sentidos até o sudoeste do Mato Grosso do Sul, Sul de Minas Gerais e Sul fluminense. Pela manhã, a previsão é chuva intensa com trovoadas no Paraná, Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul e, durante a tarde, a tempestade deve persistir sobre o Paraná e centro-norte de Santa Catarina. De noite, a chuva permanecerá ao norte e leste do Paraná. No Rio Grande do Sul a temperatura deve cair entre 3ºC e 5ºC, condição que deve ser acentuada no sábado (8). No Norte do estado ainda podem ocorrer pancadas isoladas de chuva e, no centro-sul, o frio intenso favorece a ocorrência de geada, com temperaturas próximas de 0°C. Tornado A Defesa Civil do Estado do Rio Grande do Sul confirmou a ocorrência de um tornado no município de Pedro Osório no final da tarde de quinta-feira (6), seguida de tempestade. O órgão informou que emitiu um alerta para a região às 15h50, em função da aproximação da linha de tempestades, com vigência até 19h50. “O alerta laranja indicava a condição de alerta para tempestade com vento e granizo, com alto risco de destelhamento”, informou. Durante a madrugada, 19 municípios receberam notificação de alerta vermelho para tempestades severas. Até a publicação da matéria, a Defesa Civil do Estado informou que cerca de 100 municípios reportaram danos. As maiores ocorrências foram de queda de árvores, obstrução de vias e danos em telhados e estruturas de residências.

Meio Ambiente Casal produz espécies nativas da Amazônia e impulsiona reflorestamento



Pelo terreno, se acomodam mudas de açaí, cumaru, andiroba, preciosa, gombeira, itaúba. Em uma área antes degradada na comunidade de Jaderlândia, em Santarém, no oeste do Pará, surgem novas possibilidades de reflorestamento para a Amazônia.

O biólogo Sidcley Matos Pereira e a veterinária Adna Picanço decidiram construir um negócio ligado à recuperação do bioma. O Viveiro Florestal Ardosa nasceu em 2018, quando os dois buscavam uma alternativa de trabalho que não demandasse tantas viagens como antes, mas que os mantivesse na área ambiental.

O nascimento da filha Catarina reforçou a necessidade de fixar raízes e o sentido pessoal do negócio. “A gente queria construir algo junto, perto da família. E mostrar para ela [a filha] que existe um futuro sendo plantado aqui”, diz Adna Picanço.
O casal afirma que o projeto também nasceu de uma percepção prática adquirida no trabalho com a fauna silvestre. “Todo animal resgatado, que precisava de cirurgia, estava em área degradada. A gente percebeu que não bastava só soltar os animais, precisava reflorestar para que aquela fauna tivesse alimento”, conta a veterinária.

Hoje, o empreendimento se consolidou como uma das referências regionais em restauração ecológica e produção de mudas nativas da Amazônia. Com cultivo de mais de 110 espécies, o viveiro passa por uma expansão acelerada.

Apenas no primeiro semestre de 2026, a produção deve alcançar entre 200 mil e 250 mil mudas. A média anterior era de 100 mil por ano.

O negócio também recebeu cerca de R$ 190 mil em equipamentos e estrutura da Conservação Internacional Brasil (CIB). O recurso será usado para ampliar áreas de sombreamento, construir um galpão de trabalho e instalar novas bancadas de produção.
O viveiro atende a diferentes demandas, a maior parte delas vinda de produtores que precisam recompor áreas degradadas depois de receber notificações ambientais. A preocupação, segundo Sidcley, é evitar modelos homogêneos de reflorestamento, que priorizam poucas espécies e empobrecem os ecossistemas.

“As pessoas chegam e se surpreendem quando veem que trabalhamos com tantas espécies. Geralmente os viveiros têm só aquelas que crescem rápido e dão retorno rápido. A gente quer atender restauração ecológica de verdade”, diz o biólogo.
“Tem espécies de crescimento rápido, espécies que precisam de sombreamento, espécies voltadas para produção de frutos ou madeira no futuro. A gente pensa nessa variedade justamente para atender à restauração ecológica, pensando na fauna e na diversidade dentro do projeto”, complementa.

A origem das sementes também é controlada. Como o viveiro tem licença do Ministério da Agricultura e Pecuária, todo o material precisa ter rastreabilidade. As sementes vêm de coletores, associações e laboratórios de diferentes regiões da Amazônia, incluindo os estados do Acre, Amazonas, Pará e de Mato Grosso.

A produção envolve ainda uma rede de pesquisadores, estudantes e universidades. O viveiro mantém parcerias com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), que participa de discussões técnicas e ajuda na identificação de espécies, fungos e métodos de manejo.

Cobra e calango que só existem no Ceará são incluídos em lista nacional de espécies ameaçadas Risco de desaparecimento dos bichos já era reconhecido pelas autoridades estaduais.



O calango-de-limaverde (Placosoma limaverdorum) e a serpente coral-de-lema (Apostolepis thalesdelemai), encontrados somente em áreas restritas de serras úmidas do Ceará, entraram na Lista Nacional de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, atualizada neste mês pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

O risco de desaparecimento do réptil e da serpente já era reconhecido pelo Livro Vermelho dos Animais Ameaçados de Extinção do Ceará, relação estadual produzida pela Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema).

O desaparecimento de uma espécie, ainda mais uma endêmica, impacta diretamente o equilíbrio entre a fauna e a flora da biodiversidade local, como explica ao Diário do Nordeste o professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e coordenador da Lista Vermelha do Ceará, Hugo Fernandes.
Perder uma espécie para a extinção não significa dizer somente perder uma espécie; também significa perder todos os serviços que essa espécie presta ao meio ambiente. [...] E, no caso de uma espécie endêmica, isso ainda é pior, porque não há outra oportunidade de preservar aquela espécie e aqueles serviços específicos que aquela espécie presta, porque ela é única, exclusiva daquele local.”Hugo Fernandes
Coordenador da Lista Vermelha do Ceará

Na prática, um animal ser inserido em uma relação como a lista cearense ou a federal garante a captação de recursos financeiros e acesso a políticas públicas de preservação, como destaca o especialista.

“A inclusão na lista federal é muito importante, pois promove a possibilidade de instalação de políticas públicas também nesse aspecto federal. Isso permite com que recursos sejam destinados a essas espécies e que projetos de conservação, ONGs e inclusive empresas possam captar e direcionar recursos para essas espécies ameaçadas.”

CE inaugura vara contra crimes ambientais com mais de 2 mil processos tramitando

A partir desta quinta-feira (26), a Justiça do Ceará deixa de tratar crimes e conflitos ambientais como demandas secundárias de varas comuns. Com a instalação da Vara Estadual do Meio Ambiente (Vema), processos sobre desmatamento, poluição e licenciamentos irregulares – que antes tramitavam de forma dispersa – passam a ser concentrados em uma estrutura única e especializada.

A nova unidade, cuja aprovação ocorreu em outubro de 2025, é fruto de um estudo de reestruturação do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), o qual identificou que a fragmentação dessas ações em diversas comarcas prejudicava a celeridade das decisões.

A cerimônia de instalação da Vema ocorre nesta quinta-feira (26), às 9h30, no Fórum Clóvis Beviláqua (FCB), em Fortaleza. Para o órgão, a unidade reforça a atenção às questões ambientais e fortalece a atuação do Poder Judiciário na proteção dos recursos naturais.

A Vema assume a responsabilidade por todo o território estadual, buscando responder aos desafios da área de Direito Ambiental. Ela poderá analisar, entre outros assuntos:Dano Ambiental e Dano Moral Coletivo Ambiental
Mudanças Climáticas
Licenciamento e Multa Ambiental
Inspeção Fitossanitária
Flora e Fauna
Transgênicos, Agrotóxicos e Produtos Controlados/Perigosos
Reserva Legal, Unidade de Conservação e Área de Preservação Permanente
Recursos Hídricos, Saneamento e Mineração
Zoneamento Ecológico-Econômico e Zona Costeira
Patrimônio Cultural



O acervo inicial da unidade já é robusto, reunindo cerca de 2.229 processos, de matérias simples a temas de alta complexidade. Desse total, segundo o TJCE, 873 casos (cerca de 40%) já foram catalogados por temas específicos, abrangendo questões para o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação.

MEIO AMBIENTE: Centenas de macacos foram avistados entre Piquet Carneiro e Acopiara no centro-sul do Ceará

MEIO AMBIENTE: Nas últimas semanas Acopiara no centro-sul do Ceará foi impactada com vários indícios de incêndios, as queimadas continuam prejudicando a população tanto da zona rural como da cidade.


GRAVE: Nas últimas semanas, Acopiara tem enfrentado um aumento preocupante de queimadas, trazendo prejuízos ao meio ambiente e impactando diretamente a qualidade do ar e a sensação de calor na região. É essencial que a população s

e conscientize sobre os riscos e consequências dessas práticas, adotando atitudes responsáveis e colaborando para a preservação ambiental. Cada ação conta, e somente com o esforço coletivo poderemos proteger nossa cidade, reduzir danos e garantir um futuro mais equilibrado para todos.

BHP, acionista da Samarco, é condenada pela Justiça inglesa em processo sobre rompimento de barragem em Mariana Ação tem cerca de 620 mil autores, incluindo pessoas, comunidades, municípios, igrejas e empresas, que reivindicam aproximadamente R$ 230 bilhões em indenizações. A tragédia de Mariana é o maior desastre socioambiental registrado no Brasil.

A Justiça inglesa considerou a BHP, uma das acionistas da Samarco, responsável pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, o maior desastre socioambiental já registrado no Brasil.

A decisão que condenou a mineradora anglo-australiana pela tragédia foi divulgada pelo Tribunal Superior de Londres na manhã desta sexta-feira (13). O valor das indenizações que a empresa terá de pagar ainda será definido em outro julgamento, previsto terminar em outubro de 2026.

A mineradora informou que pretende recorrer da decisão (saiba mais abaixo). A Vale, também acionista da Samarco junto com a BHP, responde a processos no Brasil pelo desastre, mas não faz parte da ação julgada no Reino Unido.

A decisão do tribunal britânico concluiu que a BHP tem responsabilidade direta pelo desastre de Mariana. A empresa foi considerada responsável objetiva, ou seja, deve responder pelos danos ambientais e sociais causados pelo rompimento da barragem, independentemente de culpa, por estar ligada à atividade poluidora.

Além disso, foi apontada negligência grave, pois ignorou alertas técnicos, não realizou estudos essenciais e permitiu que a barragem continuasse sendo elevada mesmo diante de sinais claros de risco.

Em resumo, a Justiça entendeu que a BHP tinha controle e influência sobre a operação e falhou em prevenir um colapso que poderia ter sido evitado.

Atualmente, a ação tem cerca de 620 mil autores, incluindo pessoas, comunidades, municípios, igrejas e empresas, que reivindicam aproximadamente R$ 230 bilhões em indenizações.

O que diz a mineradora

Em nota, a BHP informou que vai recorrer da decisão da Justiça britânica e reafirmou seu compromisso com a reparação no Brasil.

Desde 2015, BHP, Vale e Samarco já destinaram cerca de US$ 13,4 bilhões para reparação e compensação no Brasil, incluindo um acordo firmado em 2024 com autoridades brasileiras no valor de R$ 170 bilhões (US$ 32 bilhões). Mais de 610 mil pessoas foram indenizadas, entre elas cerca de 240 mil que também participam da ação no Reino Unido.

(*) G1

Meio Ambiente Fazendas ilegais de gado devastam áreas protegidas na Amazônia


A pecuária em fazendas ilegais devastou áreas da Amazônia, localizadas no estado do Pará, que deveriam ser protegidas para garantir a subsistência de pequenos agricultores e dos povos indígenas. É o que revela o relatório Gado Sujo, lançado neste mês de outubro pela Human Rights Watch (HRW). A análise de documentos oficiais mostrou ainda que as fazendas conseguiram comercializar o gado ilegal, colocando-o na cadeia produtiva de carne no país.

O documento detalha ainda como fazendeiros se apropriaram ilegalmente de terras, segundo a legislação brasileira, e devastaram os meios de subsistência dos agricultores do projeto Terra Nossa e da Terra Indígena Cachoeira Seca, afetando seus direitos à moradia, à terra e à cultura. De acordo com a entidade, o resultado é uma enorme pressão da pecuária ilegal sobre as comunidades locais.


“Por meio da análise de diversos documentos oficiais, descobrimos que as fazendas ilegais no Terra Nossa e na TI Cachoeira Seca estão vendendo gado para fazendas intermediárias”, relatou Luciana Téllez Chávez, pesquisadora da HRW.

As intermediárias, por sua vez, vendem para grandes frigoríficos.

Quando foi criado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em 2006, o PDS Terra Nossa tinha uma vasta floresta tropical, onde os pequenos agricultores colhiam castanhas e frutas para vender nos mercados locais.


“Agora, quase metade do projeto foi transformado em área de pastagem por grileiros. No total, três quartos da área do assentamento são ocupados ilegalmente.”


Os pequenos agricultores tentaram resistir, mas sofreram retaliações violentas por parte dos grileiros denunciados pelas atividades ilegais. “Desde 2019, quatro pessoas foram mortas, logo depois de se expressarem contra as invasões e uma liderança comunitária sobreviveu a uma tentativa de assassinato”, contou Luciana, afirmando que o governo federal está ciente das fazendas ilegais dentro do território de Terra Nossa, mas ainda não as removeu.

O Incra informou, em nota, que está realizando uma “supervisão ocupacional no assentamento Terra Nossa”. Segundo o órgão, há mais de 50 ações na Justiça Federal visando à retomada de áreas ocupadas irregularmente, sendo a maioria com liminar a favor da autarquia.

As comunidades tradicionais da Terra Indígena (TI) Cachoeira Seca caçam na floresta, pescam nos rios e coletam produtos florestais para vender nos mercados locais. No entanto, as atividades foram prejudicadas pelo aumento de invasões e das fazendas de gado ilegais instaladas naquele território.


“Vários residentes indígenas nos disseram que não vão muito longe de suas aldeias, porque são superados em números pelos grileiros. Isso está dificultando sua capacidade de transmitir seu conhecimento tradicional sobre a floresta às gerações mais jovens e colocando em risco os seus meios de subsistência”, disse a pesquisadora.

O governo federal, apontou Luciana, tem a obrigação legal de remover os ocupantes não indígenas da TI Cachoeira Seca. “Mas quase 10 anos desde sua homologação ainda não o fez. As histórias [dessas comunidades] mostram que, sem combater a impunidade por essas ilegalidades, é extremamente desafiador criar espaço para que uma bioeconomia prospere na Amazônia”, disse a pesquisadora.
Desmatamento

Os dados reunidos no relatório apontam a necessidade e a urgência de zerar o desmatamento na região amazônica, com estratégias equitativas e que considerem o saber das pessoas que vivem ali milenarmente. A avaliação é da diretora adjunta de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Patrícia Pinho.

“O relatório da Human Rights Watch traz a evidência de que o [PDS] Terra Nossa e a [TI] Cachoeira Seca não são uma exceção. Infelizmente, é uma realidade que permeia todo o tecido social e ecológico da floresta”, disse, sobre as violações de direitos e ilegalidades presentes nos territórios amazônicos.

Ela ressaltou que a ciência já tem mostrado que, na ausência de ações de mitigação de impactos e de adaptação global, o que se esperava para acontecer na Amazônia, a partir de 2040 e 2050, já está sendo materializado na região nos dias atuais.


“De uma perspectiva indígena e da população tradicional, um ponto de não retorno ecológico e social já está acontecendo”, disse Patrícia.

Diretor da HRW no Brasil, César Muñoz destacou a importância da COP30, que ocorrerá no Pará, para discussão sobre os combustíveis fósseis e uma transição energética justa que proteja os direitos humanos. “O aumento da temperatura e as mudanças do clima estão afetando os direitos à vida, à saúde e à alimentação da população na Amazônia, no Brasil e no mundo”, disse.

“Precisamos de ação. Na COP29, não houve acordo sobre a eliminação gradual de combustíveis fósseis e não houve progresso significativo em direção à limitação do aumento da temperatura em 1,5° C, que foi a meta estabelecida em Paris”, lembrou. Para ele, os planos climáticos nacionais apresentados na cúpula climática precisam ser concretos, com cronogramas para que atinjam suas metas.
Recomendações

O mecanismo de rastreabilidade para o gado é uma medida fundamental no país, recomenda a organização. “Isso tornaria muito mais difícil para fazendas ilegais, como as do Terras Rurais e da TI Cachoeira Seca, cometerem fraudes”, avaliou Luciana, pesquisadora da organização internacional. Ela ressalta a importância de que todos os estados adotem a medida, porque “a lavagem de gado não é limitada por fronteiras estaduais e precisa de uma solução federal.”

O Ministério da Agricultura anunciou, em 2024, que exigiria de todos os estados brasileiros a implementação de sistemas de rastreabilidade, mas eles teriam até 2032 para isso. “Considerando os alertas de que estamos próximos de atingir o ponto de não retorno, é preciso perguntar se a Amazônia brasileira pode esperar até lá”, alertou a pesquisadora.

Outra recomendação da entidade é que o governo federal tome medidas rápidas para retomar as áreas ocupadas ilegalmente dentro do PDS Terra Nossa e da TI Cachoeira Seca, entre com ações judiciais contra os responsáveis pelas ocupações e uso ilegais das terras para que reparem o dano causado. Além disso, que desenvolva projetos para restaurar as florestas e apoiar seus meios de subsistência sustentáveis.

Além do Incra, a Agência Brasil solicitou posicionamento da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Ministério da Agricultura e Pecuária, do Ministério dos Povos Indígenas e do Ministério do Meio Ambiente, mas ainda aguarda retorno.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, informou que a demanda deveria ser direcionada a outras pastas.

(*) (*) Agência Brasil

Meio Ambiente Mortes causadas pelo calor podem dobrar e afetar principalmente idosos


O calor é responsável por cerca de 1 em cada 100 mortes na América Latina atualmente, e esse número pode chegar a mais do que o dobro em 20 anos, considerando o ritmo normal de envelhecimento da população e cenários moderados de aquecimento global, entre 1º C e 3º C de aumento para o período de 2045 a 2054. A conclusão é de uma análise de cenários feita em 326 cidades da Argentina, do Brasil, Chile, da Costa Rica, de El Salvador, da Guatemala, do México, Panamá e Peru por uma rede de pesquisadores.

Estimadas hoje em 0,87% do total, as mortes por calor podem chegar a 2,06% no pior cenário.


“As pessoas idosas e as mais pobres são as que mais sofrem. Quem vive em áreas periféricas, em moradias precárias e sem acesso a ar-condicionado ou a espaços verdes terá mais dificuldade para enfrentar ondas de calor cada vez mais intensas. As mortes são apenas a ponta do iceberg. O calor extremo aumenta o risco de infartos, insuficiência cardíaca e outras complicações, especialmente em pessoas com doenças crônicas”, explica Nelson Gouveia, professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), um dos autores do estudo.

No Brasil, a participação considerou dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do DataSUS e do Censo Demográfico, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim como nos demais países da América Latina analisados, as mortes causadas por eventos climáticos envolvendo temperaturas extremas devem aumentar consideravelmente, tanto para situações envolvendo calor quanto frio. Um fator decisivo é o aumento da população acima de 65 anos na década estimada (2045-2054), que aumenta a população mais afetada por essas doenças.

Os pesquisadores concluíram ainda que é possível impedir parte considerável dessas mortes desde que se inicie a construção e aplicação de políticas de adaptação climática voltadas para o aumento de populações vulneráveis a temperaturas extremas, como planos de ação para períodos de calor intenso e adaptações nas cidades para diminuir a exposição a temperaturas elevadas e mitigar seus efeitos na saúde, de forma acessível aos idosos e a pessoas com deficiências.

Outras medidas apontadas como eficazes são a adoção de sistemas de alerta precoce, com comunicação clara e acessível à população, a expansão de áreas verdes e criação de corredores de ventilação urbana para reduzir ilhas de calor, a educação comunitária sobre os riscos de altas temperaturas e formas de proteção individual e coletiva, além da adoção de protocolos de saúde pública para atendimento prioritário a pessoas idosas e com doenças crônicas, como já implementado no Rio de Janeiro.

O estudo faz parte do projeto Mudanças Climáticas e Saúde Urbana na América Latina (Salurbal-Clima) e reúne pesquisadores de instituições de nove países latino-americanos e dos Estados Unidos. Com duração de cinco anos (2023-2028), o Salurbal busca evidências que relacionam as mudanças climáticas aos impactos na saúde da região.

O estudo completo está disponível na revista eletrônica Environment International (clique aqui).



Economia Brasil reciclou 97,3% das latinhas de alumínio em 2024

Em dia de jogo no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, é comum perceber um sem-número de torcedores que aproveitam os últimos metros antes dos pontos de revista para consumir bebidas nas latinhas de cerveja e refrigerante, itens proibidos de entrar no estádio. Antes mesmo de as pessoas se darem o trabalho de jogar a lata nas lixeiras, praticamente um exército de catadores já recolhe o resíduo.

Esse esforço concentrado dos catadores, muitos deles em situação de vulnerabilidade socioeconômica, faz com que o país alcance, por anos seguidos, nível altíssimo de reciclagem de latinhas. Em 2024, o patamar foi de 97,3%, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (14).

O balanço é da Recicla Latas, associação sem fins lucrativos criada e mantida pelos fabricantes e recicladores de latas de alumínio, que busca aperfeiçoar a indústria de reciclagem. Segundo a instituição, o Brasil alcançou 16 anos seguidos com taxa de reaproveitamento acima de 96%.

Em 2022, o índice chegou a 100,1%, ou seja, no ano foram recicladas mais latinhas do que o número comercializado. Em 2023, o patamar ficou em 99,6%.

No ano passado, foram reutilizadas 33,9 bilhões das 34,8 bilhões de latinhas comercializadas. Depois que vão para o lixo, esses recipientes estão de volta às prateleiras em 60 dias.
Logística reversa

De acordo com o secretário-executivo da Recicla Latas, Renato Paquet, o sistema de logística reversa brasileiro se destaca por sua consistência.


“Mesmo em anos desafiadores, conseguimos manter índices elevados, o que demonstra a força da articulação entre os diversos elos da cadeia”, diz.

A logística reversa, ou seja, fabricantes se responsabilizarem pelo retorno de resíduos gerados por seus produtos, está prevista na Lei 12.305/2010, também chamada de Política Nacional de Resíduos Sólidos.

A Recicla Latas atua em parceria com a Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e a Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas).

A presidente da Abal, Janaina Donas, afirma que o Brasil é referência global em economia circular e que as fabricantes enxergam na reciclagem mais que uma solução apenas ambiental, “mas uma estratégia de competitividade, segurança de suprimento e um caminho essencial para a descarbonização do nosso setor”.

Para o presidente da Abralatas, Cátilo Cândido, trata-se também “de uma cadeia estruturada que gera renda e oportunidades em todas as regiões do país”.
Catadores

O Movimento Nacional dos Catadores estima que o país tenha cerca de 800 mil catadores de materiais recicláveis.

Em 2020, foi firmado um termo de compromissos entre a Abralatas, a Abal e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Além de iniciativas para manter o patamar elevado de reciclagem, o documento determina investimento dos produtores para melhorar a renda e condição de vida dos catadores.

(*) Agência Brasil

Meio Ambiente Pesquisador da Amazônia, brasileiro conquista Nobel do meio ambiente



O antropólogo e professor Eduardo Brondízio, que leciona a disciplina de antropologia ambiental na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e é associado no Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Sociedade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), receberá o Prêmio Tyler 2025, um mais importantes na área ambiental, em nível mundial, conhecido como o Nobel do meio ambiente. A honraria será compartilhada com a ecologista argentina Sandra Díaz.

Brondízio realiza pesquisas sobre a Amazônia há 35 anos e atua como uma voz internacional sobre a importância da valorização das comunidades ribeirinhas e dos povos tradicionais na conservação ambiental e nas políticas de sustentabilidade. Díaz e Brondízio são reconhecidos ainda pela sua atuação na promoção de políticas e ações que integrem a justiça socioambiental.

A cerimônia de premiação está marcada para o dia 10 de abril de 2025, em Los Angeles. O brasileiro e a argentina são os primeiros sul-americanos reconhecidos com o prêmio.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Eduardo Brondízio destaca a importância da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) para a definição de ações concretas para a redução de emissões de gases de efeito estufa. O encontro será realizado em novembro, em Belém.

"As últimas duas COPs não deram o avanço esperado, e os impactos climáticos estão ficando mais aparentes e inegáveis. Internacionalmente, há uma expectativa muito grande nessa COP em poder gerar um acordo mais efetivo para mudar o cenário atual de emissões de gases de efeito estufa, mas, também, de constituir um plano mais amplo para investimentos em adaptações às mudanças climáticas, priorizando as populações mais afetadas", disse.

Mina de urânio em Santa Quitéria pode trazer riscos à água, à biodiversidade e à saúde humana, diz parecer da UFC//QUINTA-FEIRA, 1303, 10H43//


Um estudo técnico de 128 páginas, liderado por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), questiona a segurança do Projeto Santa Quitéria (PSQ), empreendimento que busca explorar uma jazida de urânio e fosfato entre as cidades cearenses de Santa Quitéria e Itatira, nos Sertões de Crateús e de Canindé, respectivamente. O posicionamento contraria a empresa responsável pelo projeto, que divulgou, na última terça-feira (11), que o plano seria “viável”.

A possibilidade da exploração de uma mina de urânio e fosfato nesses municípios do Ceará é avaliada desde 2004, com vários desdobramentos e negativas anteriores ao projeto. Dessa vez, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que o prazo do parecer técnico referente à análise dos estudos ambientais vai até o fim do 1º semestre de 2025.

Um dos documentos avaliados para isso será este parecer que foi elaborado a pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público Estadual (MPCE), após ofício encaminhado à UFC em janeiro deste ano. O trabalho foi entregue em fevereiro por meio do Painel Acadêmico sobre a Mineração de Urânio e Fosfato em Santa Quitéria, com pesquisadores das áreas de Medicina, Biologia, Física, Direito, Serviço Social, Psicologia e Geografia, entre outras.

(*) DN

Governo sanciona lei que autoriza pulverização de agrotóxicos por drones no Ceará

O Governo do Ceará sancionou, nesta quinta-feira (19), o projeto de lei que autoriza o uso de drones para a pulverização de agrotóxicos no estado. O projeto é de autoria do deputado Felipe Mota (União Brasil). A sanção foi publicada no Diário Oficial do Estado desta quinta, após aprovação do projeto na Assembleia Legislativa.

O projeto de lei altera a Lei Zé Maria do Tomé, aprovada em 2018 (e sancionada em janeiro de 2019) que proibia a pulverização aérea de agrotóxicos em todo o território cearense. A lei foi sugestão do deputado Renato Roseno (Psol) e co-autoria do atual governador do Ceará, Elmano de Freitas, que era deputado à época.

Apesar de proposto pela oposição, o projeto de lei teve apoio da base aliada do Governo do Estado. A proposta teve 22 votos favoráveis, nove contrários e uma abstenção.

Lei Zé Maria do Tomé

Após a aprovação da Lei Zé Maria do Tomé, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) chegou a ajuizar uma ação contra lei, alegando que seria responsabilidade da União, e não do estado do Ceará, legislar sobre o tema, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a validade da lei.

Com a confirmação, o Ceará se tornou o primeiro estado do Brasil a proibir a prática da pulverização aérea. Desde então, projetos semelhantes foram apresentados em outras unidades da federação, como Pará e Maranhão.

(*) g1 Ceará

Luta de Chico Mendes permanece viva nos 80 anos de seu nascimento

Chico Mendes
Ambientalista

Neste 15 de dezembro, Chico Mendes completaria 80 anos, se em 22 de dezembro de 1988, uma semana depois de fazer 44 anos de idade, não tivesse sido assassinado a tiros de escopeta nos fundos da própria casa, em Xapuri, no Acre (AC), município cravado na Amazônia, região onde o sindicalista e ativista transformou a vida de muitas pessoas, que, como ele, nasceram e viveram na e da floresta.

“Se a gente for olhar pela trajetória de vida do meu pai, com seus 44 anos, jovem e atravessado por tantos desafios, tendo tantas ideias e liderando processos tão complexos e ousados para a época. Se estivesse vivo, eu veria hoje uma Amazônia um pouco melhor de se viver, uma Amazônia mais preservada”, diz Ângela Mendes, a filha de Chico Mendes com a primeira esposa, Eunice Feitosa Mendes.

Nascido no mesmo local de sua morte, Francisco Alves Mendes Filho traçou uma trajetória de vida curta e intensa. Com início duro e de poucas oportunidades no Seringal Porto Rico, onde trabalhou desde os 11 anos de idade, em vez de frequentar a escola.

Só viu oportunidade de transformar a própria realidade nos seringais de condições análogas à escravidão. Até castigos físicos sofreu. Aos 16 anos, foi alfabetizado por Euclides Távora, um militante comunista cearense, refugiado político do governo Getúlio Vargas. Com o conhecimento que o letramento lhe possibilitou, Chico Mendes foi muito além, como recorda o amigo e também militante, Gumercindo Rodrigues, o Guma.

“O próprio Chico dizia, eu pensei primeiro que eu estava defendendo a seringueira, depois eu pensei que eu estava defendendo os seringueiros, que estava defendendo a floresta, de repente eu descobri que eu estava defendendo o planeta, estava lutando pelo planeta”, diz.

Uma luta marcada por inúmeros ‘empates’, uma das primeiras ferramentas usadas por Chico Mendes em suas batalhas diante das constantes ameaças de expulsão. A estratégia, criada pelo também seringueiro, Wilson Pinheiro, garantia a proteção da floresta e das seringueiras, de forma pacífica, por meio da reunião da maior quantidade possível de trabalhadores e suas famílias para ‘empatar’ em número e argumento com os desmatadores e, dessa forma, ‘empatar’, no sentido de impedir, o cumprimento da ordem dada pelos latifundiários.

“Essa prática se tornou bastante forte na região de Brasileia (AC) e foi conduzida com bastante maestria pelo Wilson Pinheiro, a primeira grande liderança de trabalhadores rurais, assassinado dia 21 de julho de 1980. Exatamente por causa de sua grande capacidade de mobilização e de resistência, ele fez parte dessa criação do empate lá atrás”, conta Guma.

Golfinhos em Fortaleza moram na Enseada do Mucuripe e estão ‘em perigo’ de extinção; saiba onde ver

Na Enseada do Mucuripe, em Fortaleza, uma espécie de animal marinho encanta olhares toda vez que dá um tchibum na água: o boto-cinza (sotalia guianensis), ou simplesmente, golfinho. A espécie está presente em todo o litoral cearense, sendo considerada “em perigo” de extinção no Estado, e exige certa distância para a preservação.

Enxergar os golfinhos pode ser algo mais fácil com a reinauguração da Ponte dos Ingleses, que aconteceu na última semana, onde há uma torre de observação para o mar. Foi lá que, recentemente, uma equipe do Diário do Nordeste conseguiu ver os animais durante uma manhã e onde um grupo de pesquisadores, na década de 1990, criou a ONG Aquasis.

O boto-cinza vive por volta de 30 anos e a população permanece na mesma região onde se alimenta e reproduz. A estimativa dos pesquisadores é de que cerca de 60 animais vivam na Enseada do Mucuripe. Por lá, o melhor momento para flagrar os golfinhos é no início da manhã, entre 5h e 7h ou entre 8h e 10h.

Na publicação "Avistagens de boto-cinza (sotalia guianensis) na Enseada do Mucuripe", produzida para os Encontros Universitários da Universidade Federal do Ceará (UFC), há uma lista dos pontos onde é mais fácil ver os golfinhos em Fortaleza: Beira Mar, Praia de Iracema e Píer do Marina Park Hotel.

O estudo é da bióloga Maria Vitória Rocha Alves e do professor universitário Vicente Vieira Faria. Para a elaboração, foi feito um esforço de visualização de 60 horas, registros fotográficos e um levantamento bibliográfico.

A análise foi feita em cinco pontos ao todo, mas deles não foram vistos golfinhos na Praia do Náutico e o Porto do Mucuripe não tem livre circulação. O tempo de efetiva permanência do boto-ci

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