Reforma da Previdência – Na marra, não!

Com o título “Na marra, não!”, eis artigo de Antonio Mourão Cavalcante, médico, antropólogo e professor universitário. Ele comenta perdas e danos da reforma da Previdência do governo Bollsonaro. Confira:
Com grande ênfase o ministro da Economia, Sr. Paulo Guedes, afirma que, sendo a Reforma da Previdência aprovada, o Governo terá um lucro de 1,4 trilhões de reais. Ora, como dinheiro não cai do céu, cabe uma pergunta bem inocente: se um lado vai ganhar isso tudo, qual será o lado que vai perder tudo isso? Nem precisa pensar muito. Serão aqueles que sempre perdem. No caso, a grande massa trabalhadora do país…
Se as vantagens vão diminuir, se o tempo de contribuição vai aumentar, é justo que a contribuição continue a mesma? Se seremos empurrados a realizar uma poupança privada – via bancos particulares – por que continuar contribuindo com a Previdência do Governo? Qual a vantagem concreta? Perdendo vantagens, a porcentagem de participação será a mesma, para obter menos benefícios?
O Governo Bolsonaro insiste que essa reforma quebrará privilégios de alguns setores da sociedade. Aqueles que ganham mais, pagarão mais e ganharão menos. Pois bem, não seria didático nos informar quais são estes grupos e quais benesses serão cortadas?
Tendo contribuído ao longo de todos estes anos, é justo pensar que foi gerada uma grande capitalização. Em termos de poupança, teria sido uma grande bola de neve crescendo na virada de cada mês. Feito um cálculo atuarial, com certeza, o rendimento fixo obtido seria maior do que hoje – em média – paga o Governo como aposentadoria. Não faz sentido afirmar que sejam as contribuições de trabalhadores da ativa hoje, que garantem minha aposentadoria. Se temos o direito a uma aposentadoria é porque ao longo de muitos anos, pagamos compulsoriamente nossa cotização. Se o Governo foi perdulário com o que arrecadou, ele é o responsável. É injusto e irresponsável exigir múltiplas contribuições para um único e pífio benefício. Será que somos otários?
O afogadilho em aprovar a reforma, dizendo que o Brasil tem pressa e pode quebrar, é papo furado. Na realidade, o Governo foge da discussão mais responsável do assunto. Empurra uma reforma goela abaixo. Impõe um projeto urdido nos conchavos do Planalto. A força do trabalho – a consciência e a história da sociedade brasileira – não pode permitir esse afogadilho… Calma senhores! Essa é uma questão muito séria, que envolve muitos atores e conseqüências. Não pode ser tangida pela pressa e pela força. Na marra!…
*Antonio Murão Cavalcante,
Médico, antropólogo e professor universitário
[a_mourao@hotmail.com]

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Reforma da Previdência – Na marra, não! BLOG DO CARLOS DEHON Rating: 5 quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

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