QUASE 110 MIL MORTES PODERIAM TER SIDO EVITADAS
Quatro em cada dez mortes causadas por câncer no Brasil poderiam ser evitados com medidas de prevenção, segundo um estudo internacional sobre mortes pela doença, publicado pela revista The Lancet. A pesquisa estima que, dos casos de câncer diagnosticados no país em 2022, cerca de 253,2 mil devem resultar em morte em até cinco anos após a detecção. Desse total, 109,4 mil poderiam ser evitadas.
Os pesquisadores dividiram em dois grupos o total de mortes por câncer evitáveis no Brasil: 65,2 mil são preveníveis, ou seja, a doença poderia nem ter ocorrido, e as outras 44,2 mil são classificadas como evitáveis por diagnóstico precoce e acesso adequado a tratamento. O levantamento mostra um olhar mundial sobre as mortes por câncer. Em termos globais, o percentual de óbitos evitáveis é de 47,6%. Ou seja, dos 9,4 milhões de mortes, quase 4,5 milhões poderiam não ter acontecido. Estimando quantas mortes poderiam ter sido evitadas por medidas de prevenção, a equipe responsável pelo estudo apontou cinco fatores de risco:
- Tabaco;
- Consumo de álcool;
- Excesso de peso;
- Exposição à radiação ultravioleta;
- Infecções (causadas por vírus como o do HPV e o da hepatite e pela bactéria Helicobacter pylori).
Os países do norte da Europa mostram percentual de mortes evitáveis bem próximo de 30%. Por outro lado, as dez maiores proporções de mortes evitáveis estão em países da África. A pior situação apontada é em Serra Leoa (72,8%). Em seguida, figuram Gâmbia (70%) e Malaui (69,6%). Nesses locais, sete em cada dez mortes poderiam ser evitadas com mais prevenção.
O estudo Mortes evitáveis por meio da prevenção primária, detecção precoce e tratamento curativo do câncer no mundo integra a edição de março da revista científica The Lancet, uma das publicações médicas mais conceituadas do mundo. O trabalho é assinado por 12 autores, sendo oito deles vinculados à Agência Internacional para Pesquisa em Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS) e sediada em Lyon, na França.







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