Legenda: Um ano após o crime, o suspeito foi preso em Maracanaú.
Foto: Natasha Mota (Arquivo Diário do Nordeste - 12/9/2012)
Por trás do laudo cadavérico que apontou morte em decorrência de traumatismo cranioencefálico associado à asfixia mecânica por afogamento, segue a busca de uma família pelo desfecho processual acerca de um crime.
Em dezembro de 2011, o corpo da contadora Maria Enilda de Aguiar Goias, de 53 anos, foi encontrado boiando em um açude na zona rural da cidade de Palmácia, Interior do Ceará. Mais de 14 anos depois, o único suspeito pelo homicídio segue sem ir a julgamento.
Para chegar ao nome do assistente administrativo Evilson Alves Feitosa, o 'Bira' e indiciá-lo pelo crime, a Polícia Civil precisou coletar provas. O homem foi apontado pelos investigadores como o amante da vítima que teria premeditado a ação e ainda tentado ocultar o corpo da mulher.
Nas últimas semanas, a Justiça do Ceará, por meio da Vara Única Criminal de Maranguape, ouviu mais uma vez as testemunhas do caso e abriu vista dos autos para o Ministério Público do Ceará (MPCE) apresentar os memoriais, o que demonstra estar encerrada a fase de instrução processual.
A depender do posicionamento do MP e da defesa, na sequência deve vir a decisão judicial que indicará se o réu vai ou não a Júri Popular pela morte da contadora. Os advogados do acusado não foram localizados pela reportagem para comentar sobre o processo.
RELACIONAMENTO EXTRACONJUGAL
De acordo com documentos a que a reportagem teve acesso, "vítima e réu tinham um relacionamento amoroso conturbado, como amantes, com idas e vindas. Essas situações estão bem narradas nos depoimentos das testemunhas, tendo inclusive relatos de ciúmes por parte da vítima com outras mulheres com quem o réu mantinha relacionamento".
"Por meio da análise das comunicações telefônicas do réu e vítima, que ambos se deslocaram ao local do crime no mesmo horário e circunstâncias e que o réu um dia antes do crime teria ido até a localidade de Ladeira Grande, em Maranguape, exatamente nas proximidades do 'açude do Bu'"
O casal tinha se conhecido anos antes do crime, em uma igreja evangélica, em Fortaleza.
Para conseguir encontrar o amante, a contadora dizia à família que estava passando por tratamento de saúde e que em algumas quintas precisava se ausentar e dormir no hospital "porque tomava uma medicação muito forte".
O esposo da vítima disse à Polícia que desconfiava de um relacionamento extraconjugal, porque a esposa vinha apresentando comportamento estranho.
De 15 em 15 dias Maria Enilda e Evilson Alves se encontravam e iam até o açude. No dia 1º de dezembro de 2011 a contadora desapareceu.
Horas depois, o corpo dela foi encontrado por um pescador a 13 quilômetros de Palmácia. Maria vestia biquíni e estava boiando no açude.
No rosto dela havia ainda uma lesão compatível com produzida por objeto pontiagudo, provavelmente uma caneta. O exame pericial mostrou que a contadora travou luta com o criminoso.
Um ano após o crime, o suspeito foi preso em Maracanaú.
(*) Diário do Noreste







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