01 DE MAIO, SEGUNDA-FEIRA
O final de semana foi marcado pela despedida inesperada de Belchior. Adjetivos qualificativos não faltam para distinguir esse artista contemporâneo que vai deixar saudade aos degustadores da boa música. Belchior está para a música mundial assim como Bob Dylan dentre outros letristas, filósofos, que somaram ao longo dos tempos o mais da guitarra e da letra. Não tenho nenhuma dúvida que Belchior foi e será o maior letrista da musica popular brasileira, cada um em seu baú, desde a palo seco, ou seja sem o acompanhamento de violão ao violino como é sentido em muitas de suas músicas. Nós todos, filhos de um ceará pobre e desnutrido pela ineficácia de um sistema animal, brutal e arrogante um dia fomos ser escravos do vil metal paulista como diz sua canção ou sentimos saudade e amargamos a ausência da rede branca, a fala nordestinada ou até mesmo o medo de avião, com fundo de pano de I Wanna Hold Your Hand dos beatles. O Brasil está tão pobre com a perda de Belchior que em tempo algum aparecerá outro letrista melódico como ele. Me privo a situação triste desse comentário porque fui mais um dos seus seguidores na adolescência cantando suas músicas abraçado ao violão e fazendo o resgate da alegria em roda de amigos sinceros. Lavei roupas de camaradas ao som de suas canções e da embriaguez do vinho paulista quando a saudade me matava tentando achar o mapa do ceará em suas melodias. Triste, muito triste por sua partida e de uma maneira que ninguém quer, deprimido, e ausente dos familiares e amigos, deprimido pela filosofia de suas letras, e pelo discernimento trigal da ótima música que nos deixou em seu legado, e que daqui a 50 anos será lembrado. Dizem que todos nós morremos, errado!Filósofos como Belchior jamais serão esquecidos pela sua ambígua obra, morreu angustiado como um goleiro na hora do gol, ou no centro da sala na hora do almoço...







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