Em meio à possibilidade de cassação da concessão da Enel em São Paulo e dúvidas sobre as renovações dos contratos no Ceará e no Rio de Janeiro, volta à tona a possibilidade de que a concessionária cearense seja vendida.
A Equatorial e a Iberdrola, dois grupos de concessionárias de energia com atuação no Brasil, teriam iniciado conversas com a matriz italiana para comprar os ativos da Enel no Brasil. A investida foi divulgada pelo portal Pipeline, do Valor Econômico.
A Enel Brasil, por sua vez, negou as especulações e reafirmou o interesse na renovação da concessão no Brasil. "A companhia reforça seu compromisso de longo prazo com o Brasil, país que é e sempre foi estratégico para a Enel, um dos maiores grupos econômicos de energia do mundo", disse em nota.
O processo de caducidade da concessão de São Paulo é um dos principais pontos que levanta dúvidas sobre a permanência da empresa no Brasil. A Enel apresentou recurso contra o processo, mas os argumentos foram rejeitados pela Advocacia-Geral da União (AGU) — a análise será feita pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
No Ceará e no Rio de Janeiro, as companhias pediram a renovação antecipada das concessões (que vencem em maio de 2028 e dezembro de 2026, respectivamente) e receberam o aval da Aneel. O Ministério de Minas e Energia, entretanto, ainda não convocou a distribuidora para assinar os novos contratos.
Caso decida se desfazer de pelo menos uma de suas concessões, não será uma decisão inédita da companhia italiana. O grupo comprou a antiga estatal de Goiás em 2016, mas decidiu vender o ativo em meio a problemas no fornecimento de energia.
A venda para a Equatorial, uma das possíveis interessadas atualmente na compra dos outros ativos, foi concluída em dezembro de 2022. A transação foi de R$ 8,5 bilhões.
ENEL JÁ DEMONSTROU INTERESSE EM VENDER A DISTRIBUIDORA DO CEARÁ
Na mesma época da venda da subsidiária goiana, a Enel anunciou a intenção de vender a distribuidora cearense. A decisão constava no Plano Estratégico da empresa para o período de 2023 a 2025, mas o processo de venda foi suspenso em novembro de 2023.
A Companhia de Energética do Ceará (Coelce) foi comprada pela italiana em 2009 e rebatizada Enel Ceará em 2016.
A reestruturação societária ou transferência direta do controle de uma distribuidora de energia deve seguir resolução normativa específica da Aneel, que determina a análise da capacid
VENDA PODE GERAR MUDANÇAS NO SERVIÇO?
A possível venda da distribuidora cearense não resultaria em mudanças imediatas no serviço prestado aos 184 municípios do Estado, avalia Jurandir Picanço, consultor de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).
"De imediato, nada muda. A Coelce já mudou de controladora várias vezes. De início era uma empresa chilena, Enersis; depois, uma empresa espanhola, Endesa. Finalmente, a Endesa foi comprada pela Enel, que é uma estatal italiana", lembra.







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