Um tiro fatal no ouvido, na madrugada de 15 de maio de 2023, dentro de uma casa na cidade de Monsenhor Tabosa no Ceará. Esse foi o ponto de partida para a investigação da morte da gerente de funerária, Alane da Silva de Mesquita, de 31 anos.
Três anos depois veio o desfecho do caso. O que para a família parecia se tratar de um feminicídio, a Polícia concluiu como suicídio.
Uma sequência de laudos, incluindo a reconstituição do suposto crime, indicou que Alane teria atirado em si mesma, enquanto o marido dela supostamente estava no banheiro, a poucos metros de distância.
Os exames colocaram 'de vez' o guarda municipal (marido da vítima) na posição de testemunha do caso.
O advogado Anderson Rabelo diz que "a defesa sabe que a realidade do suicídio pode parecer dolorosa de ser aceita, porém, criar narrativas inverídicas e acusar falsamente um inocente jamais iria trazer conforto para os familiares.
A reportagem também entrou em contato com a família, que disse receber com surpresa a informação do desfecho do caso.
Joselina da Silva, mãe da gerente, fala que soube do arquivamento pelas redes sociais e se questiona o porquê "de tanta demora para receber respostas".
Antonia Auterlania da Silva, irmã de Alane, acrescenta que "apesar das respostas nas perícias, a família tinha outro pensamento devido ao que via, devido às atitudes dele", disse a mulher ao se referir que "o casal discutia com frequência".
"Ela sofria agressões, mas não saía do relacionamento porque não queria ser vista como uma mulher separada. Esse resultado não era o que imaginávamos. Não digo que queria que ele fosse culpado, mas era um direito nosso saber a verdade sobre o que aconteceu".
ATIPICIDADE DOS FATOS APURADOS
Nas últimas semanas, o juiz da Vara Única da Comarca de Monsenhor Tabosa mandou arquivar o inquérito, reconhecendo a "atipicidade dos fatos apurados", indo de acordo com parecer do Ministério Público do Ceará (MPCE).
A Justiça entendeu que, após uma ampla investigação policial destinada ao esclarecimento das circunstâncias da morte, com a realização de diversas diligências investigatórias, foi comprovado que o disparo partiu da própria vítima.
(*) Diário do Nordeste







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