O g1 publicou um levantamento exclusivo que revelou que nove candidatos das eleições de 2026 eram alvos de mandados de prisão em aberto por dívida de pensão alimentícia.
Para identificar nove candidatos das eleições de 2026 com mandados de prisão em aberto, o g1 cruzou 20.575 registros de candidatura com 280.578 ordens do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP). A reportagem analisou 475 casos individualmente para excluir homônimos e confirmou 11 pelo CPF.
Duas ordens de origem criminal, contra Marcos Paulo Bertolo e Lindameri de Oliveira Rodrigues, saíram da lista de mandados em aberto do Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP) após o contato do g1 com os tribunais.
Até a publicação da reportagem, os nove candidatos apareciam no sistema da Justiça Eleitoral como “concorrendo”, com os pedidos de registro ainda aguardando julgamento. Ao mesmo tempo, constavam no BNMP como alvos de ordens pendentes de cumprimento.
A existência de um mandado de prisão, por si só, não impede uma pessoa de concorrer nas eleições. Enquanto a ordem estiver válida, porém, o candidato pode ser preso se for encontrado. Em 19 de setembro entra em vigor a proteção prevista na legislação eleitoral, segundo a qual candidatos só podem ser presos ou detidos em caso de flagrante delito.
Coleta dos dados de mandados e de candidaturas
Os dados dos mandados de prisão foram extraídos do BNMP, plataforma mantida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), alimentada pelos tribunais e acessível a qualquer cidadão.
A extração automatizada em nuvem ocorreu em quatro etapas: coleta em massa por estado, detalhamento dos processos, busca individual dos registros não encontrados na primeira etapa e download e leitura dos mandados em PDF para obter informações complementares.
A base bruta reunia 413.106 registros. A aplicação do filtro obrigatório “pendente de cumprimento” reduziu esse total para 329.200 mandados em aberto. Os cerca de 83,9 mil registros restantes correspondiam a ordens já cumpridas ou baixadas, mantidas no histórico do sistema.
Os dados passaram por tratamentos para retirar duplicidades pelo identificador de cada peça judicial e padronizar os CPFs em 11 dígitos. Após os filtros e tratamentos, 280.578 mandados compuseram a base utilizada no cruzamento com as candidaturas.
O CPF estava disponível em 225.898 dos 329.200 mandados pendentes, o equivalente a 68,6%. O regime prisional aparecia em 44,3% dos registros: 29,7% indicavam regime fechado, 10,3% semiaberto e 4,3% aberto.
A rotina de extração é executada duas vezes por dia, às 10h e às 17h, de segunda a sexta-feira, e não funciona nos fins de semana. Na manhã de segunda-feira (17), às 8h, a atualização válida mais recente disponível era de sábado (15), às 7h30.
A extração enfrenta limitações da infraestrutura do portal do BNMP, como bloqueios de tráfego, restrições ao volume de consultas por página, interrupções por demora na resposta, camadas adicionais de validação de acesso e documentos protegidos por segredo de Justiça.
Já os dados das candidaturas foram obtidos no sistema da Justiça Eleitoral. Ao todo, foram analisados 20.575 registros disponíveis na base do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Cruzamento dos dados
Como o volume de informações era elevado, o g1 organizou as bases em planilhas e usou fórmulas do Excel para padronizar os CPFs em 11 dígitos, retirar duplicidades e cruzar os registros do TSE com os mandados do BNMP.
(*) g1







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