A crise no setor calçadista do Ceará ganhou novas proporções com o fechamento da JA Calçados, do Grupo Becker, em Brejo Santo, no Cariri. A unidade encerrou as atividades e demitiu 89 trabalhadores, tornando-se a sexta fábrica do mesmo grupo a fechar no estado em apenas 35 dias.
Antes de Brejo Santo, o grupo já havia encerrado cinco unidades em Pentecoste. Somados, os fechamentos resultaram na perda de 923 postos de trabalho no Ceará em pouco mais de um mês.
A situação também gerou preocupação entre os trabalhadores demitidos. Ex-funcionários da JA Calçados relatam pendências trabalhistas, incluindo salários de julho e depósitos do FGTS que, segundo eles, não seriam realizados há cerca de quatro anos.
Diante do cenário, o Sindicato dos Sapateiros do Ceará conseguiu uma liminar na Justiça do Trabalho para bloquear até R$ 1,5 milhão em recursos do grupo e de seus sócios, com o objetivo de garantir o pagamento das verbas rescisórias aos trabalhadores.
O Grupo Becker atribuiu a crise a dificuldades financeiras agravadas desde a pandemia, à redução dos pedidos e ao encerramento das atividades da Paquetá Calçados, uma de suas principais contratantes.
O fechamento da sexta fábrica em apenas 35 dias acende um alerta para o setor calçadista cearense e deixa centenas de famílias diante da necessidade de buscar novas oportunidades de trabalho.







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