PRECISAM DE APOIO
Juliana* acorda antes do sol nascer. Quando os primeiros raios de luz aparecem, ela já arrumou a cama, preparou o café e deixou a filha pronta para ir à escola. Só então consegue se preparar para sair de casa e ir trabalhar.
Às 17h, encerra o expediente. E quando chega em casa, começa uma nova jornada: varre e passa pano no chão, espana os móveis, prepara o jantar, lava e passa roupas. Mas o dia ainda não termina ali. Antes de descansar, ainda precisa ajudar a filha com as tarefas da escola.
Ela faz tudo sozinha. Cuida da filha sem rede de apoio e assume, ao mesmo tempo, as responsabilidades financeiras e afetivas da casa. Ao fim do dia, o cansaço se acumula e, muitas vezes, não há com quem dividir o peso da rotina.
Juliana é uma das 11,3 milhões de mães solo no Brasil, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).
A quantidade de mães que cuidam sozinhas dos filhos, sem o apoio dos pais das crianças, passou de 9,6 milhões em 2022 para 11,3 milhões em 2024, segundo os dados mais recentes da pesquisa. Isso significa que o número pode ser ainda maior ao considerar o ano passado.
Ou seja, o total de mães solo no país é maior que a população total de Portugal, que soma 10,8 milhões de habitantes, segundo dados oficiais do poder público português.
A maternidade solo impõe desafios diários que vão além da criação dos filhos. Muitas mães enfrentam estigmas sociais, acumulam responsabilidades e lidam com dificuldades financeiras.
Para a psicóloga Luma Borges, é necessário ampliar políticas públicas voltadas ao apoio dessas mulheres e de seus filhos.
“A maternidade solo é uma solidão que não pode ser romantizada. Imagine fazer sozinha tudo aquilo que, teoricamente, seria dividido com um companheiro. Sem suporte, muitas vezes, a mãe solo não consegue dar conta de levar o filho para a escola, fazer a comida, pegar um ônibus lotado, e ainda arrumar a casa quando chegar. A rede de apoio começa no núcleo familiar, mas precisa se estender e ser uma política pública”, comenta.







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