50 anos de "Imagine": entenda o legado do clássico de John Lennon

50 ANOS DE IMAGINE
JOHN LENNON 


Há 50 anos, um dos álbuns de maior relevância para o rock mundial, foi lançado. E, para entender o legado, sugiro que você leia a matéria enquanto o escuta:

Os pensamentos políticos ao cantar: “nenhum filho do Richard Nixon careta e covarde vai me engambelar com conversa mole”. Os sentimentos de amor expressados na letra: “oh, minha amada, pela primeira vez na minha vida, minha mente pode sentir”. As angústias de uma juventude sem rumo em meio às guerras ao entoar: “você sabe que a vida pode ser longa e que você tem que ser tão forte e o mundo é tão duro. Às vezes sinto que já tive o suficiente”. As mensagens de positividade e de busca por uma utopia no momento em que diz: “imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz. Você pode dizer que sou um sonhador, mas eu não sou o único”. E até ressentimentos destilados em indiretas: “você vive com héteros que dizem que você é o rei. Salte quando sua mãe lhe disser alguma coisa. A única coisa que você fez foi 'Yesterday'”.

Nas dez canções que compõem o álbum “Imagine”, John Lennon revela não apenas seu universo mais íntimo como também reflete o contexto sociopolítico que o mundo vivia na época. Do amor às críticas políticas, e do rancor aos pedidos de paz, o compositor percorre um caminho musical que talvez não faça muito sentido para um leigo na obra do ex-Beatle. Entretanto, é o exato retrato de sua realidade (e de tantas outras pessoas) no início da década de 1970. O segundo disco de estúdio do cantor foi um marco em sua carreira e para as próximas gerações. E está completando 50 anos em 2021.

Na época em que lançou a obra, Lennon recebeu uma confirmação que já tinha sido compreendida com sua estreia em “John Lennon/Plastic Ono Band” (1970): era possível seguir em frente com - e sem - o legado da banda The Beatles. A consagração que obteve pelos sucessos de “God” e “Mother” no primeiro álbum se tornou ainda maior com o single “Imagine”.

“A diferença entre ‘Plastic Ono Band’ e ‘Imagine’ é a urgência. O primeiro foi gravado mais à toque de caixa. Ele chamou alguns amigos, como Ringo Starr, para participar e foi gravando com uma certa urgência. Ele estava fazendo uma terapia do grito primal, aprendeu que as coisas deveriam ser compostas e lançadas rapidamente. Neste disco, ele gravou tudo da maneira mais primitiva possível, agora com bons músicos, bem ensaiado, então é um álbum maravilhoso”, explica José Carlos Almeida designer e editor do portal “Beatles Brasil”. “Já o ‘Imagine’ foi um álbum gravado com mais tempo, recebendo os músicos em casa. Existem até filmagens das gravações. Foi um disco que John Lennon teve mais tempo para bolar e gravar. Também foi um álbum que teve mais promoção. Teve uma coleção de videoclipes e o famoso clipe da música ‘Imagine’”, pontua as distinções. Utopia e pós-ruptura Para além da importância de seu segundo disco como maneira de demarcá-lo na indústria fonográfica durante sua carreira solo, a faixa-título obteve uma repercussão que extrapolou todas as suas outras composições. São incontáveis as regravações, adaptações e homenagens à canção “Imagine”. Escrita durante um contexto de Guerra Fria e em meio às manifestações contra a Guerra do Vietnã, a obra permanece presente por gerações e se molda à realidade de cada época. “A faixa-título se tornou um hino pacifista até hoje. Atravessou cinco décadas assim. Segundo a Yoko Ono, a música foi criada como parte de uma preocupação com as crianças. Nas Olimpíadas do Japão, teve novamente uma performance que emocionou a todos. É atemporal”, explica o jornalista e radialista Nelson Augusto. De acordo com a cantora e compositora Mona Gadelha, a música continua relevante, principalmente, na realidade em que a sociedade brasileira vive atualmente. “É uma mensagem universal de não haver barreiras no mundo. É bastante utópica. A gente está em um mundo em plena distopia (...). Mas, ao mesmo tempo, a gente está vivendo em um tempo em que há um esforço muito grande para manter a resistência, a esperança, o sonho e o ideal utópico diante dessa reviravolta que está acontecendo com problemas gravíssimos”.

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