Mercado financeiro começa a definir seus preferidos à Presidência para 2022


Eleições 2022: mercado financeiro começa a delinear suas preferências de olho na equipe econômica dos pré-candidatosFernando Frazão/Agência Brasil
Ainda falta cerca de um ano para as eleições de 2022, mas o mercado financeiro, que gosta de se antecipar, já começa a discutir quem seria seu candidato preferido.

Ao longo das últimas semanas, a CNN conversou com participantes influentes do mercado: dois CEOs de duas das maiores gestoras do país; o economista-chefe de um dos maiores bancos nacionais; e o presidente do Conselho de Administração de uma das maiores instituições financeiras do Brasil; além de analistas de mercado e casas de análise.

Com a eleição ainda distante, as fontes preferiram conversar com a CNN sem se identificar.

O economista-chefe de um grande banco diz que o mercado está dividido entre os que se decepcionaram com o atual presidente Jair Bolsonaro e os que têm medo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse à CNN: o que não tem hoje é o quadro de quatro anos atrás, quando o mercado não pestanejava em relação a Bolsonaro. Hoje já há um receio de que ele se torne um presidente populista.

Um ponto crucial, que pode ser o critério de desempate, é a definição do vice-presidente, que pode tanto favorecer Lula, quanto um candidato de terceira via – opção que seria o “sonho de consumo” do mercado, mas por ora parece pouco factível.

Segundo o economista-chefe, o mercado está olhando muito para o vice, porque Sergio Moro depende de um bom vice para conseguir fazer uma boa articulação política. E, no caso de Lula, um vice como o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin pode simbolizar que ele será mais moderado e caminhará mais ao centro.

Especificamente sobre Lula, o economista cita uma frase muito repetida entre economistas: se será o Lula de 2022 vai ser o “Lula 1” ou “Lula 2”. Se for o “Lula 1”, a aceitação é maior, referindo-se ao primeiro mandato de Lula, em 2003, quando o ex-presidente nomeou nomes respeitados na equipe econômica e escreveu a carta ao mercado; ou se seria o Lula do segundo mandato, quando o governo foi mais intervencionista e cercado de nomes como Guido Mantega e Arno Augustin.

O presidente do conselho de uma das maiores instituições financeiras do mercado vê ressalvas sobre Lula, se entusiasma mais com o ex-juiz Sergio Moro e o governador de São Paulo, João Doria – apesar das menores intenções de voto de ambos -, mas avalia que Jair Bolsonaro tem hoje a maior rejeição no mercado.

Ele diz que o problema do Lula é o PT, uma vez que o CNPJ do ex-presidente é o partido. Mas pondera que se Lula se juntar a Alckmin, a aliança daria uma segurança grande para o mercado. Moro é um candidato forte, prossegue, mas depende de quem vai ser seu vice e sua equipe.

João Doria aparece atrás nas pesquisas, mas, segundo ele, nunca se deve duvidar de uma pessoa obstinada. E completa: a maior preocupação hoje do mercado é ter Bolsonaro na presidência em 2023, porque ele é um presidente errático e provoca muita volatilidade na Bolsa.

O CEO de uma das maiores gestoras do país corrobora essa visão. Segundo ele, a Faria Lima (avenida de São Paulo onde se concentram muitas empresas do mercado financeiro) tem uma decepção muito grande com Bolsonaro, apesar de Paulo Guedes ser muito conhecido no mercado. E Lula conseguiu algumas pontes com o mercado em sua gestão. Mas o caminho preferido seria uma terceira via.

A rejeição a Bolsonaro, prossegue o CEO, se explica pelo fato de que boa parte dos economistas que estão nas principais instituições financeiras do país são ex-integrantes de governos do PSDB e do PT. Segundo ele, são economistas mais de centro ou esquerda. Esse é um bom termômetro de como pensa o mercado financeiro, diz.

Outra visão difundida é que o mercado aceitou diversas medidas que contrariaram a agenda liberal prometida por Bolsonaro, mas seguiu apoiando o governo porque achava que Paulo Guedes era o fiel do teto de gastos e manteria a regra intacta.

A gota d’água foi a mudança na PEC dos Precatórios, que abriu espaço no teto para o Auxílio Brasil – o que o ministro definiu como um “waiver” na ocasião. A medida foi interpretada como o furo do teto e um claro sinal de que as contas públicas não seriam mais tão disciplinadas como antes, já que o governo ganhava uma licença para gastar.

(*) CNN

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